[Resenha] O diário da Mariposa - Rachel Klein

Sinopse: Em um colégio interno nos anos 1960, uma garota acha que sua melhor amiga está sendo atacada por uma vampira - Ernessa, a menina nova no colégio. Entre terror psicológico e mortes suspeitas, o diário da protagonista prende a atenção do leitor, e apesar de sua narradora também não ser confiável, não conseguimos parar de nos perguntar: será Ernessa realmente um vampiro?
Classificação: 
336 Páginas || Cortesia da Editora Planeta || Skoob || Compare & Compre || Resenha da Sabrina Castro
O Diário da Mariposa é um livro que você pode ler quando estiver com uma "ressaca literária". Como o nome sugere, ele é um diário de uma garota de dezesseis anos, que vivia num internato nos anos 60 e que teve algumas experiências nada agradáveis. Inicialmente, o diário era apenas uma recordação, que foi entregue pela autora ao seu psiquiatra anos depois. Ela desenvolveu uma doença chamada pelo próprio médico de Transtorno de Personalidade Limítrofe Agravada por Depressão e Psicose (Cuma?).
Após analisar novamente o diário há muito esquecido, o médico chegou à conclusão de que publicá-lo seria uma forma de ajudar outras adolescentes que, por ventura, atualmente se encontrem nessa mesma situação. Apesar de não aceitar de cara a proposta do médico, a misteriosa personagem, vinte anos mais velha, concorda com a publicação. Desse modo, a partir do primeiro capítulo você já se vê mergulhado nos pensamentos da “protagonista sem nome” e do seu dia-a-dia dentro do internato só para garotas.
O livro no início é bem tranquilo e você vai acompanhando a adaptação da garota ao seu novo “lar”, porém após a chegada da misteriosa Ernessa, as coisas ficam um pouco mais sombrias e o suspense torna-se mais palpável e desperta nossa curiosidade acerca da nova aluna. Confesso que senti a leitura ficar um pouco cansativa em alguns momentos, mas em outros queria saber mais e lia com mais animação.
Tudo o que eu queria era não ser inteligente demais, sensível demais, bonita demais ou nada que fosse demais. Normal. Mas aqui ninguém é normal, nem mesmo Lucy. Sempre há algum problema, algum segredo. (...) Por que mais você estaria aqui, trancada em um castelo com lacarnas, calhas, chaminés vermelhas muito altas e ornamentos de tanoeiro? As coisas sempre aparecem. Todas têm algo que as envergonha. Pág. 87
Achei bem curioso a autora citar algumas vezes Nietzsche, Dostoiévski, Sheridan Le Fanu e dentre muitos outros autores, uma vez que as garotas do internato curtiam maconha, cigarro e coisas que contrastavam com o fato de gostarem de filosofia e de lerem textos fortes desses grandes artistas. Achei bem controverso. Além disso, os debates sobre os pontos de vistas e teorias filosóficas também me deixavam confusa... Ou eram drogadas, ou eram nerds. Ou os dois?
Embora tenha a companhia de sua amiga Lucy, a “garota desconhecida” sente-se cada vez mais sozinha e com suas desconfianças sobre quem é a novata aumentando. Detalhes como alimentação, isolamento, odor e personalidade não passam despercebidos e vão ficando, a cada momento, mais sinistros. Sem contar com a forte influência que ela tem sobre as internas. Sentiram um toque sobrenatural? Será que ela é um vampiro? Um fantasma? Lobisomem? Façam suas apostas, pois obviamente não vou dizer o que ela é. Haha!
Não tenho força para lutar contra Ernessa. Ela vai aonde quer. Ela aparece de forma inesperada e de maneira indesejada. Ela atravessa portas, paredes, janelas. Seus pensamentos passam para a cabeça de outras pessoas. Ela entra os sonhos. Ela desaparece e ainda continua lá. Ela sabe o futuro e vê através da carne. Ela não tem medo de nada. Pag. 221
Os acontecimentos perto do fim são bem dramáticos e você pensa: “Ok, por isso a garota precisou de psiquiatra”. No geral, posso dizer que gostei do livro, mas não sei se o leria novamente. Há momentos em que é meio incômodo ler certas passagens. Concluindo o livro, a personagem escreve um Posfácio para dizer que “sobreviveu” àquela loucura no internato e seguiu sua vida, casando-se e dando à luz a duas filhas.
Não estou acostumada com as rugas em volta dos olhos e da boca. (...) Mas é isso que a recuperação faz com você, que concorda em crescer e envelhecer, se tornar uma mulher, ter filhos, tingir o cabelo e ter ondas de calor e suores noturnos. Deixar a infância para trás. Pag. 334
Nota mental: Nada de internatos!
Capas pelo mundo:

  


5 comentários:

  1. Apesar de alguns pontos negativos que você citou, fiquei intrigada por saber o que de fato ocorreu com a personagem sem nome, e como esse marco em sua adolescência a deixou assim! Afinal, você citou muito bem os pontos positivos e negativos, me deixando bem interessada em conhecer essa estória =D

    Bjs

    Da Imaginação a Escrita

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  2. Parece ser um livro bom, apenas isso. Não sei se compraria pois a história em si não me conquistou. Mas quantas vezes a gente se engana né? Pode ser que eu lendo gostasse do livro ...

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  3. Eu nunca tinha realmente ouvido falar desse livro(ou seja, é a primeira resenha que li - sente só a responsabilidade) e fiquei um pouquinho curiosa com ele, mas não uma prioridade, de qualquer forma. Fiquei com a sensação que sua resenha do livro é mais agradável que o próprio livro - que na verdade nem parece ser para isso. Mas vale a tentativa né.
    Beijos,
    Shake Your World

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  4. Oi Sabrina, eu li este livro e adorei! É um livro que nos remete a pensar e a sugerir. A delicadeza que a escritora consegue passar na sua linguagem é o que o torna mias simples e lindo.
    Beijos

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  5. Oi Pah
    já me falaram sobre esse livro, mas não me interessei muito não. Agora com sua resenha acho que vou dar uma chance pra ele.
    Também me pediram para escrever um romance, comecei semana passada e devo dizer que estou amando escrever um conto de amor. Depois, acho que não vou parar aqui não... quem sabe o futuro?
    Passa lá no blog qd puder.
    bjssss
    Nathal
    http://mromances.blogspot.com

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