dezembro 03, 2012

[Resenha] Puros – Julianna Baggott

Sinopse: Pressia pouco se lembra das Explosões ou de sua
vida no Antes. Deitada no armário de dormir, nos fundos de uma antiga barbearia
em ruínas onde se esconde com o avô, ela pensa em tudo o que foi perdido — como
um mundo com parques incríveis, cinemas, festas de aniversário, pais e mães foi
reduzido a somente cinzas e poeira, cicatrizes, queimaduras, corpos mutilados e
fundidos. Agora, em uma época em que todos os jovens são obrigados a se
entregar às milícias para, com sorte, serem treinados ou, se tiverem azar,
abatidos, Pressia não pode mais fingir que ainda é uma criança. Sua única saída
é fugir.
Houve, porém, quem escapasse ileso do Apocalipse. Esses são os Puros, mantidos a salvo das cinzas
pelo Domo, que protege seus corpos saudáveis e superiores. Partridge é um
desses privilegiados, mas não se sente assim. Filho de um dos homens mais
influentes do Domo, ele, assim como Pressia, pensa nas perdas. Talvez porque
sua própria família se desfez: o pai é emocionalmente distante, o irmão cometeu
o suicídio e a mãe não conseguiu chegar ao abrigo do Domo. Ou talvez seja a
claustrofobia, a sensação de que o Domo se transformou em uma prisão de regras
extremamente rígidas. Quando uma frase dita sem querer dá a entender que sua
mãe pode estar viva, ele arrisca tudo e sai à sua procura. Dois universos
opostos se chocam quando Pressia e Partridge se encontram. Porém, eles logo
percebem que para alcançarem o que desejam — e continuar vivos — precisarão
unir suas forças.
368
Páginas || Editora Intrínseca
|| Skoob || Compare & Compre || Resenha da Kamila Mendes || Classificação: 
Estamos
acostumados com livros ‘bonitinhos’ e suas narrativas limpas e secas, mas
quando nos deparamos com uma distopia, sabemos de alguma forma, que nossa visão
de mundo literário irá mudar. Confesso que amo livros com personagens
lindos que estão em conflito interno e que
superam seus problemas em ambientes inóspitos. Contudo, mesmo que as séries
Jogos Vorazes e Feios tenham me levado ao mundo do subgênero distopia, nenhuma
delas me preparou para a narrativa de
Puros.
Em uma
época onde os recursos naturais da Terra foram consumidos até seu limite.
Quando os oceanos, mares, lagos e fontes de água potável foram contaminados por
petróleo, e doenças novas e epidemias criadas em laboratório ameaçam a vida
humana, como se preparar para um ataque nuclear?
“Queime um Puro e respire as cinzas
De suas entranhas, faça umas cintas.
Com seus cabelos, teça um cordão.
E de seus ossos faça um Puro sabão.”
Quando
li Jogos Vorazes me deparei com um
ambiente aflitivo e sufocante. Senti-me reprimida pela mão da Capital e enojada
com a presença do Presidente Snow (principalmente na continuação ‘Em Chamas’).
Mas Puros triplicou essa sensação,
por isso, nessa resenha vou falar muito mais de como me senti ao longo da
leitura do quê sobre a história em si, que no geral, (ainda) me deixou em choque,
afinal, como já disse, nada do que li até hoje me preparou para o contexto pós-apocalíptico
de Puros e seu cenário ligado a
explosões nucleares, nunca havia compreendido como uma bomba atômica modifica
tudo
que sua fumaça tóxica toca.

No
livro temos apenas dois personagens ao
estilo bonitinho
. Patridge e Lyda, dois ‘Puros’. Antes das explosões
nucleares um grupo seleto de cientistas, médicos e grandes profissionais, além
das famílias influentes e abastadas, foram levados ao Domo com seus filhos. Lá eles
assistiram o mundo acabar como ‘um sol sobre o sol’ (expressão usada no livro
pelos personagens para descreverem o dia das explosões). O que restou do lado
de fora do Domo foi um mundo destruído. Sem esperança, derretido pelo medo e
pela dor. Aliás, dor, em suas várias formas, define o livro Puros: a dor de viver em um mundo morto;
dor de ver seu corpo ser destruído; dor de saber que não há esperanças; dor por
ainda acreditar que há esperança; dor de crescer sem saber ao certo quem e o
que você é.
Toda a
dúvida e dor dos sobreviventes, ou miseráveis, como são chamados dentro do
Domo, é descrita nos capítulos que narram a vida de Pressia Belze, nossa
heroína, e Bradwell, nosso ante-herói. Pressia não sabe quem é, tem vergonha de
sua mutação (uma de suas mãos foi fundida com a cabeça de sua boneca durante a
explosão). Aliás, somente aqueles que entraram no Domo não sofreram nenhuma
mutação, do restante, todos foram fundidos com algo. Areia, asfalto, animais de
estimação. Mães fundidas aos filhos, que nunca vão crescer, em uma tentativa
desesperada de protegê-los. Já não há carne que não seja envenenada e nenhum
animal é como ‘Antes’ (O ‘Antes’ é como os sobreviventes definem os dias antes
das explosões).
Loucura,
desespero e dor definem essa obra. Aliás, a autora Julianna Baggott deixa bem
claro, no final de seus agradecimentos, que espera que seu livro leve os
leitores a pesquisar mais sobre o mal causado com as bombas de Hiroshima e
Nagasaki. Acompanhamos a luta de Pressia para não ser pega pela OBR (espécie de
milícia) e sua busca em tentar lembrar algo de seu passado que não esteja
ligado com a fuligem e a poeira que ainda cai do céu. Em contrapartida, Patridge,
um Puro, foge do Domo em busca de sua
mãe e é nele em que eu me vi e me enlacei durante a narrativa. Consegui sentir
toda a culpa que o personagem sente por ser ‘Puro’ e a indignação latente dos sobreviventes ao verem um puro em carne e osso.
Sendo
assim, o livro é basicamente sobre a busca de Pressia por sua liberdade e
identidade, e sobre a procura de Patridge por sua mãe. Nesse decorrer eles se
encontram e então vemos muita emoção.
Tenho
que confessar que li as primeiras 100 páginas do livro porque me obriguei a lê-las.
Não aceito comprar um livro e abandonar sua leitura. A partir da metade do
livro, quando finalmente captei a mensagem que a autora quis passar, foi quando
não desgrudei mais de suas páginas. Os personagens se tornaram mais reais, suas
dores, indecisões, culpas e buscas, passaram a ser minhas também.
Em
alguns momentos quis bater em Bradwell por sua arrogância, ou estapear Patridge
por sua inocência, quis me revoltar contra o Domo e contra toda desesperança. Senti-me
uma sobrevivente.
Ainda
estou em choque. Sinto que se falar mais do que já disse entrego a história do
livro que, ao mesmo tempo, é complexa e simples. O que posso adiantar é que uma
das mudanças de perspectiva que ‘Puros’
trouxe pra mim foi o de beleza. Agora questiono o que realmente é importante
nesse mundo, porque, quando perdemos tudo, incluindo a noção de quem somos, a
única coisa que sobra é o que está em nossos corações, aquilo em quê acreditamos.
Comecei a ver beleza no que o ‘mundo’ diz ser feio e abominável.
Recomendo
essa leitura para quem tem força de vontade, gosta de desafios e quer algo
realmente adulto. Porque, mesmo com a infantilidade de alguns personagens, Puros de forma alguma é um livro
infanto-juvenil. Cinco estrelas para o livro e parabéns para a autora que
conseguiu me deixar em choque e refletindo sobre o mundo.
Obs:
Apenas uma ressalva, a editora deixou escorregões bem esdrúxulos na tradução e
por vezes me vi perdida, porque a tradutora confundiu os personagens durante os
diálogos. Ponto negativo e que ajudou bastante a eu achar o início do livro
chato.
Capas pelo Mundo: 
   


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15 Comentários

  • Jennifer Thiane
    20 setembro, 2014

    Comprei esse livro após ler algumas páginas dele, confesso que me senti enojada no início com o pai do Patridge, mas me enlacei a ele de maneira magnífica, assim como a Pressia… Fiquei chocada mas não tive como não comprar o livro. Ele modificou aquele modo de ver tudo com ares de inocência, e nos mostrou algo muito além, sem cortes nem censura… Amei o livro…

  • Evelise Ciriraco
    10 novembro, 2013

    Descobri esse livro por acaso e procurei uma resenha sem estar muito curiosa, mas uma palavra para descrever como me sinto depois de ler apeenas a resenha: chocada. A história me parece interessante e eu realmente quero ler, mas vou esperar um pouco, porque um livro assim preceisa de mais tempo para ser assimilado…
    Beijos,
    se puder visite sobrelivrosesonhos.blogspot.com.br

  • blogdo fracasso
    12 agosto, 2013

    To gostando de ler esse livro, mas algo que me chamou a atenção foi o fato das pessoas de fora do domo terem sido fundidos com bonecos, animais, até o próprio o chão, e não terem sido fundidos com as suas próprias roupas…ainda não terminei de ler, mas espero que que esse fato seja explicado

  • Anna Karolina
    13 dezembro, 2012

    Uau, essa resenha está maravilhosa!
    Lembro de ter gostado da sinopse desse livro quando li, perto do lançamento lá nos EUA. Depois, porém, quando chegou aqui, perdi o interesse. E, como nunca vi ninguém comentando a respeito, pensei: "nem deve ser tudo isso mesmo". Mas a sua resenha mudou tudo.
    Primeiramente, também sou como você e não gosto de comprar um livro e não ler, o que é bom, porque de vez em quando me surpreendo positivamente. Contudo, em outras vezes eu desisto mesmo. Ter um aviso como o seu de que as primeiras páginas podem ser difíceis mas que depois melhora já é uma tremenda ajuda.
    Outra coisa, é que gosto de livros fortes, que te obrigam a refletir mesmo. Acho isso fascinante, essa capacidade das palavras. E, pelo que você diz, Puros é exatamente assim.
    Portanto, obrigada por fazer esse livro voltar aos meus desejados!
    Beijos,

    Anna – Querida Prateleira
    http://queridaprateleira.blogspot.com.br/

  • jayane
    09 dezembro, 2012

    Terminei de ler A esperança ultimo livro de JG,e ainda não to acreditando nos personagem na historia sei lá ainda não caiu a ficha.
    Já li uma resenha de Puros e falando e e bem mais pesado que JV,se ainda não me recuperei de JV imagina se to preparada para ler Puros de jeito nenhum,passo essa quem sabe daqui 1 ano.

  • Nathal Sant
    06 dezembro, 2012

    Oi Pah,
    sumi por falta de tempo, mas sempre venho ver suas novidades quando dá.
    Tem promoçã de livros p seguidores lá no blog, já passou por lá?
    Gostei muito das resenhas, como sempre.
    Bjs
    Nathal
    http://mromances.blogspot.com

  • Gustavo
    04 dezembro, 2012

    oi, tem meme pra você n blog , abraçoss

    http://vampleitores.blogspot.com.br/2012/12/selo-musica-para-meus-ouvidos.html

  • ✿Nessa✿
    04 dezembro, 2012

    Oie!
    Acho que eu ainda não tinha vinsto este livro, e ele parece ser muito bom!!
    Achei linda esta capa!!

    Pah, me envia seu endereço para eu enviar mimos: vanessapereira04@hotmail.com

    Bjinhs*

  • Aione Simoes
    Aione Simoes
    03 dezembro, 2012

    Oi Kamila!
    Uau, é mais impactante do que Jogos Vorazes? Por essa, eu não esperava!
    As vezes é assim mesmo, não é, demoramos a entender a mensagem do livro e, só depois de captá-la, é que conseguimos seguir em frente!
    A resenha está ótima, parabéns!
    Beijão!

  • Rayme
    03 dezembro, 2012

    nossa, fiquei chocada com a sua resenha!
    as outras resenhas que vi diziam se tratar de um livro bobo…
    acho que não se encorporaram na história igual você
    acho que eu não teria estomago para ler um livro desses hahaha

  • Sammy
    03 dezembro, 2012

    Parabéns pela resenha! Tirando esse fator negativo, que foi a tradução, o livro me despertou muito o interesse. Nunca li um livro de distopia, e Puros me parece ser um desafio a ser conquistado, algo diferente de tudo que já li =D

    Bjs

    http://www.daimaginacaoaescrita.com

  • VANESSAANGELQ
    03 dezembro, 2012

    Nossa a narrativa é densa,sufocante,flui bem. É perturbador, mas também é interessante.
    Os eventos são um pouco complexos,ás vezes assustadores.
    As capas são criativas

  • Inara Souza
    03 dezembro, 2012

    Olá, Kamila!

    Sua resenha me deixou arrepiada. Ainda não conhecia "Puros" mas com certeza, absolutamente, entrou para a lista de livros desejados.

    Eu tenho uma fascinação por livros que se passam durante a guerra (li poucos livros a respeito da primeira guerra mundial, foram mais da segunda), mas nunca, NUNCA li nada a respeito de bombas atômicas. Uma vez eu assisti uma reportagem que tratava das consequências da bombas de Nagasaki e Hiroshima, e fiquei chocada.

    O modo como você descreve "Puros"… Fiquei curiosa, sim, para ler, mas também apreensiva. Acredito que essa seja justamente a sensação que acompanha o leitor de "Puros", né?

    Bom… Parabéns pela resenha!

    Um beijo,
    Inara
    http://lerdormircomer.com.br/

    • Kamila Mendes
      05 dezembro, 2012

      extamente Inara…eu nem sabia do q se tratava, então imagina meu choque quando comecei a ler….é uma ficção bem real…pq mostra muito do q pode acontecer com nosso muito…saiba q o choque e até a raiva vão te acompanhar durante a leitura!