O conto da minha irmã: “Vida após o fim”

Olá galera, tudo bem?
Quem acompanha a página do blog no facebook viu que estou muito orgulhosa da minha irmã mais nova. Com quinze anos e cursando o primeiro ano do ensino médio, a Gabi ficou em terceiro lugar no concurso de Prosas & Poesias que o colégio dela realizou esse ano. A notícia foi uma surpresa, não que nós duvidássemos do talento dela, só não esperávamos por isso, e dizer que além de orgulhosa estou toda ‘babona’ com ela é pouco.
O fato é que ela nunca foi de ler muito, muito menos de escrever tão bem. E vejam bem, não estou julgando minha pequena, mas é nítido que sua escrita tem muito a amadurecer, que ao longo do conto notamos uma ou outra vírgula em locais errados, que percebemos alguns pontos confusos ou descritos de forma fantasiosa e corrida demais, contudo, eu tiro o chapéu para ela. Nessa idade eu não escrevia assim, muito menos tinha tamanha imaginação, então mesmo não achando o conto perfeito, o achei tão bom e empolgante que não consegui segurar a vontade de compartilhá-lo com vocês.
Outro ponto que me deixa animada é ver em tal texto minhas pequenas colaborações. NÃO, eu não a ajudei a escrevê-lo, dei sim algumas dicas, mas a ideia e o desenvolvimento é mérito total dela. No que a auxiliei é no incentivo a leitura, na curiosidade e no prazer de mergulhar em um bom livro. Os leitores que possuem um mínimo de conhecimento literário distópico, e lerem o conto da minha irmã, vão ver com clareza que ela pegou alguns conceitos do livro A Seleção e de Delírio. E aqui entro em júbilo, foi por meio do meu gosto pela leitura, do meu ânimo com tais obras (sendo que a última entre elas eu comprei por impulso, e nem li ainda) que ela as leu e se apaixonou, indo longe o suficiente para escrever um conto. Como não se sentir parte disso?

Eu sei que vocês devem estar pensando, mas Pah, é um conto! E para a escola ainda... Sim, eu sei, mas não deixo de me orgulhar da Gabi, me sinto parte do crescimento dela, do amadurecimento intelectual e pessoal. E o grande ponto é, quem foi que disse que literatura juvenil era modinha e não “servia” para o enriquecimento pessoal, mesmo?.
Novamente, saliento que o conto não é perfeito, mas para mim, ele está bem perto de o ser. Confiram, e não deixem de dizer o que acharam!
Vida após o fim
Toda noite é a mesma coisa, silenciosa, calma e medo em todo lugar.
As pessoas de agora, depois de séculos, estão diferentes, sem amor e sem diversão. Certa vez, ouvi minha mãe dizer, que seus avós contavam sobre uma época em que os jovens eram livres, agora em 2335, temos toque de recolher e mais regras do que pessoas sobreviventes. Em 2163 tivemos uma 4ª Guerra Mundial, em 2298 tivemos uma 5ª Guerra Mundial, desde então não sobrou mais nada no mundo além de fome e desesperança.
As nações começaram a lutar entre si, um dos fatores principais para as Guerras terem começado foi à falta de água.
Os últimos sobreviventes se uniram e fizeram um acampamento para que pudessem recomeçar, não eram muitas pessoas, mas já era uma nova vida, e este acampamento estava crescendo cada vez mais, até que estes sobreviventes, e seu principal líder Gregório Barros, construíram uma pequena cidade, chamada Nova Amazônia, com uma nova vida, novas pessoas e novas regras.
­Ouço um barulho e de repente percebo que minha mãe já tinha voltado do trabalho. Como ela é pesquisadora da O.N.A. (Organização de Nova Amazônia), ela quase nem para em casa, só trabalha em achar um meio de poder ter água em abundancia para todos. Já faz mais de cinco anos que ela e sua equipe, estão tentando achar uma maneira para que a falta de água não seja um problema tão grande.
Desço as escadas correndo, e quando finalmente a encontro, lhe dou um abraço bem forte.
Minha mãe se chama Jane Dercy, ela é muito bonita, com seus cabelos escuros, e seus olhos mais suaves do que o céu. Mas hoje, vejo preocupação em seus olhos. E não gosto de vê-la desta maneira, então decido perguntar o que há de errado.
Ela hesita, vejo nos olhos dela a preocupação e o medo transbordarem.
Ela pede para que eu jure nunca contar a ninguém sobre este assunto. Mas, ela acaba falando o que houve.
— Então, como você sabe Susy, estive estudando por muitos anos um meio de a água poder ser abundante, há alguns meses atrás eu achei que era impossível, até perceber que temos a água do mar.. Foi ai que comecei a pensar – por que não podemos beber esta água?  Com muitos estudos, cheguei à conclusão de que um tipo de aparelho de peneiração seria útil para tornar a água pura e doce, e este aparelho é fácil de fazer e é muito barato.
“Quando fui mostrar para o nosso governante, ele simplesmente não aprovou a ideia e me ofereceu um preço para que nunca passasse esta ideia para frente, e se eu não aceitasse eu iria ser presa, não aceitei sua proposta. O governo não quer que a população seja tão independente, eles querem que o povo sempre precise deles, para que o governo nunca pare de ganhar dinheiro com a escassa água potável que ainda temos e que eles controlam. Ou seja, eles querem a população em suas mãos”.
—E não sei o que fazer, fugi com o protótipo com excelentes resultados, e o governo está vindo atrás de mim, então Susy, eu quero que você fuja, e algum dia me tire daquela prisão, para que possamos viver em mundo melhor juntas. — Termina minha mãe, chorando. Ela me abraça bem forte e diz que me ama.
Não estava levando a sério o que minha mãe estava falando, até que quando estou descendo as escadas, já com uma mochila nas costas, ouço minha mãe reclamando e pedindo para que a soltem, com certeza deve ser os guardas de Nova Amazônia.   
De repente, pegadas fortes começam a vim das escadas, chorando, pulo minha janela e saio correndo para o meio do nada, ouço vários gritos e vários latidos, secretamente alguém me puxa para um beco escuro e pede para que eu fique em silêncio. E vários guardas e cães passam correndo, supostamente atrás de mim.
Quando tudo se acalma me solto dos braços do rapaz, percebo que ele tem cabelos bem pretos, é bem vestido e olhos dourados. Tento sair correndo, mas ele me puxa e me leva para um lugar escondido, com várias pessoas formando um círculo. No caminho, ele me explica que este lugar, era um refúgio das pessoas oprimidas e que querem revolucionar esta cidade. Fala-me também, que este grupo se chamava N.A.R. (Nova Amazônia Revolução), e que eles iriam me ajudar a ajudar esta cidade.
Quando chego ao acampamento, converso com várias pessoas, e descanso um pouco.
Ao acordar, percebo que tinha me esquecido do protótipo na minha bolsa, pego a mochila desesperada, e confirmo que esta lá dentro.
Saio para ver como é este mundo sem regras, o líder, Max, o mesmo rapaz que me salvou ontem, explicou que estava disposto a ajudar com qualquer coisa.
Não acreditava direito que aquele aparelho pudesse funcionar, então decido ir ao mar, ver se funciona mesmo. Vou à beira do mar, com o aparelho em mãos, quando bebo a água pura e doce, vejo que minha mãe estava certa sobre tudo e que poderíamos ajudar a cidade.
Enquanto estava perdida em meus pensamentos, Max chega ao meu lado e me pergunta o que eu estava fazendo. Explico-lhe sobre o aparelho, e como ele funciona, demonstro uma vez. E vejo em seus olhos a esperança voltando. Voltamos para o acampamento e decidimos que devemos repassar isso para toda a população, mas secretamente.
Começamos a espalhar para a população, sobre esta novidade e como este trabalho deveria ser totalmente preservado.
Estávamos ajudando pouco a pouco as famílias, depois de vários anos distribuindo água, outros aparelhos foram surgindo. Minha mãe foi solta, e veio morar comigo no acampamento.
Até hoje o governo desconfia de nosso trabalho, mas fazemos de tudo para não deixar nenhuma pista para eles. E a população, se sente mais livre, mais viva, e sem tantas regras como antes. Tudo isso, conseguimos com a perseverança, a esperança e a ousadia de querer viver melhor.


12 comentários:

  1. Que lindo, Pah! Sua irmã tem potencial, pode aprimorar muito! Adorei o conto, percebe-se uns traços de distopia. Lembrei-me de um filme ao lê-lo, mas esqueci do nome. Beijos!!

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  2. Adorei. Não li nenhum dos livros que você citou, mas de distopia posso dizer que me lembra Feios. Tem também a tal série Terra Nova, ou algo assim.

    Olha... quem sabe temos mais uma autora brasileira vindo por aí, hum? Tem futuro. *-*

    xoxo

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  3. quando o livro vai ser publicado mesmo?
    hahahaha
    ótimo conto, ainda mais para a idade em que ela está e por não ser acostumada a ler com frequência...
    você tem todo o direito de se sentir orgulhosa!!!

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  4. Oi Pah!

    Quantos anos a Gabi, tem?
    Eu adoro ler contos e o dela ficou ótimo, acho que ela foi muito feliz na escolha do tema, é um tema bem atual e que ideia boa ela teve ao escrever.
    Dê os parabéns a ela, essa menina tem futuro.

    Beijinhos meninas!

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  5. Achei o conto muito bonito, mas é tão triste quando acaba com o final feliz. Ele poderia ter uma continuação e com alguns ajustes e dicas sua irmão vai longe!

    Abraços, Raquel.
    Viajando com Livros.

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  6. Nossa Pah sua irmã escreve muito bem!
    Parabens, queria que minha irmã escrevesse assim tbm...hahaha
    mas ela escreve muito bem.


    XOXO

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  7. Excelente. Sua irmã vai longe, assim como você.

    Estou começando a criar um blog só para deixar guardada as lembranças dos livros que leio.

    Abraços e parabéns.

    reaprendendoaartedaleitura.blogspot.com.br

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  8. Gêmea, você tem TODOS os motivos para babar! A Gabi arrasou!
    Ela pode investir na carreira fácil fácil :)
    Alguns trechos me deixaram de boca aberta em termos de escrita!
    Parabéns pra Gabi :)
    Beijão, gêmea!

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  9. Pah, que escrita! Adorei o conto, fiquei curiosa para ler mais, saber o que aconteceu. Com certeza ela tem potencial. Parabéns Gabi!
    Beijos!

    Camila.
    loucuradelivros.blogspot.com.br

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  10. Então esse é o famoso texto da Gabi, que fofura! Pah, eu penso o seguinte, acho que você não precisa bater na tecla de que o conto não é perfeito. Não existem regras no processo criativo, e a Gabi tinha que começar por algum lugar, então acho improvável que alguém fosse criticá-la por alguma questão estrutural do texto. Acho que no momento tínhamos que apenas elogiá-la e incentivá-la pela iniciativa e criatividade. O resto ela vai refinando ao longo dos anos, aprendendo novas técnicas por meio da leitura e da prática. Mas entendi a ressalva que você fez ao dizer duas vezes que o texto não é perfeito, tem sempre um engraçadinho pronto para falar bobagem. De qualquer forma, gostaria de dizer que fiquei tão orgulhosa quanto você. É realmente lindo ver uma pessoa florescer no mundo literário, tanto como leitora quanto como escritora. O que mais gostei no conto da Gabi foi a percepção que ela teve da realidade, da opressão e manipulação do Governo, do sentimento de esperança e liberdade do povo, e a visão que ela teve sobre o problema da água, que cada vez mais tende a piorar e que com certeza vai se tornar um grande motivo para guerras. Ela está de parabéns. Estou escrevendo uma distopia também e é impossível não nos inspirarmos nas obras que gostamos, né?! hehe Beijos e parabéns pela sua irmã!!

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  11. Amiga vai se preparando que sua irmã vai se tornar uma famosa escritora em ?!! Eu gostei muito do conto dela e apoie ela para que ela escreva muito mais, pois quem sabe ela lança um livro de contos ai que possa até chamar atenção de vários leitores? Muito bacana essa força que você deu e olha, tenha ORGULHO mesmo, porque é dificil a gente encontrar talentos perto da gente e vc tinha uma talentosa bem do lado (risos)
    Parabéns para ela.
    Achei lindo o conto viu.
    Sucesso !!

    E outra coisa linda, ja estou seguindo o seu blog, poderia me seguir também e curtir minha fanpage? Ficarei muito agradecida. Estou te aguardando lá. beijinhos

    lovereadmybooks.blogspot.com.br

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  12. Oii Pah!
    O conto ficou ótimo!
    Sua irmã é muito criativa e escreve bem. Com um pouco mais de prática ela vai longe! =D
    Você tem toda a razão de estar orgulhosa! hahaha

    Parabéns Gabi!
    Beijos :)

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