maio 25, 2015

[Resenha] A Morte de Sarai – J.A. Redmerski

A
autora do best-seller de “Entre o agora e o nunca” e “Entre o
agora e o sempre” traz uma história de paixão e sobrevivência. Sarai era
uma típica adolescente americana: tinha o sonho de terminar o ensino médio e
conseguir uma bolsa em alguma universidade. Mas com apenas 14 anos foi levada
pela mãe para viver no México, ao lado de Javier, um poderoso traficante de
drogas e mulheres. Ele se apaixonou pela garota e, desde a morte da mãe dela, a
mantém em cativeiro. Apesar de não sofrer maus-tratos, Sarai convive com
meninas que não têm a mesma sorte.
 Depois de nove anos
trancada ali, no meio do deserto, ela praticamente esqueceu como é ter uma vida
normal, mas nunca desistiu da ideia de escapar. Victor é um assassino de
aluguel que, como Sarai, conviveu com morte e violência desde novo: foi
treinado para matar a sangue frio. Quando ele chega à fortaleza para negociar
um serviço, a jovem o vê como sua única oportunidade de fugir. Mas Victor é
diferente dos outros homens que Sarai conheceu; parece inútil tentar ameaçá-lo
ou seduzi-lo.
 Em “A morte de
Sarai”, primeiro volume da série Na Companhia de Assassinos, quando as
circunstâncias tomam um rumo inesperado, os dois são obrigados a questionar
tudo em que pensavam acreditar. Dedicado a ajudar a garota a recuperar sua
liberdade, Victor se descobre disposto a arriscar tudo para salvá-la. E Sarai
não entende por que sua vontade de ser livre de repente dá lugar ao desejo de
se prender àquele homem misterioso para sempre.

Romance Dark (+ aqui)| 255 Páginas
| Cortesia
Suma de Letras| Skoob | Compare & Compre: SubmarinoSaraivaAmazon |
Classificação: 4/5
A narrativa de A Morte de Sarai me surpreendeu
completamente; nunca havia lido um livro com um romance tão obscuro quanto
esse. Confesso que criei expectativas demasiadas e que esperava algo diferente,
contudo não nego que a surpresa foi boa. Foi incrível me deparar com uma
história que emociona por ser cruelmente real. Não pensamos nisso com
frequência, mas existem milhares de mulheres como a Sarai, protagonista do
livro, espalhadas pelo mundo: crianças vendidas pela família, jovens que
crescem em meio à escravidão, ao abuso e a violência, e mulheres que há muito
perderam a esperança e deixaram-se contaminar pela realidade ao seu redor.
Portanto, levando em conta a vida de Sarai, é óbvio que essa história é tudo menos romântica. Existe desejo e paixão,
mas os personagens estão corrompidos demais para serem capazes de amar. E sabe
o tal do clichê que diz que o amor cura tudo? Quando você passa anos sendo
abusada física e mentalmente, vive no meio de drogas e corrupção e, para
sobreviver, aprende a abrir mão dos seus valores, nada pode tirar a escuridão
de você, mesmo que minimamente, o medo e a dor passam a correr em suas veias.
Então não importa o quanto você seja amada, a podridão do passado ainda
consumirá seu coração. Triste? Talvez sim, mas essa é a mais pura realidade. 

“Eu tenho medo de tudo. Do que o amanhã
vai trazer e de não estar viva para viver. Tenho medo que Javier ou qualquer um
entre por essa porta e me mate enquanto eu durmo. Tenho medo de nunca levar uma
vida normal. Nem sei mais como é ser normal.”

Considerando
a dependência química de sua mãe é fácil presumir que Sarai não teve uma infância
fácil, entretanto, por mais conturbada que sua vida fosse ao lado da mãe, pelo
menos ela tinha um lar. Uso o verbo no passado porque tudo isso foi tirado dela
aos quatorze anos, idade com a qual a jovem foi levada para um lugar
desconhecido no México e feita de refém por longos nove anos de sua vida. Imagine crescer em
um cativeiro sustentado por vendas de drogas e prostituição; impossível se
manter alheio a tudo isso, certo? Depois de viver tantos anos em um mundo
violento e injusto, Sarai arruinou uma parte de sua alma – uma parte inocente e
pura. Porém, mesmo com suas máscaras bem esculpidas ela nunca perdeu a
esperança de que um dia sairia do cativeiro e teria uma vida normal. Já Victor, o outro personagem principal da
história, é um matador profissional que está longe de ser uma alma piedosa e
solidária. A vida fez dele um homem duro e fechado que, mesmo sem querer se
envolver, será a ponte de fuga da jovem Sarai. Graças ao convívio forçado eles,
mesmo relutantes em aceitar, descobrirão que são muito parecidos. O problema é
que, ao contrário do que esperamos, a relação deles só vai lembrá-los o quanto ambos
estão destruídos. Ao entrelaçarem suas vidas eles serão constantemente
lembrados do que poderiam ter tido, dos amores e da normalidade que perderam para
sempre. Afinal, mesmo longe do cativeiro, Sarai sabe que nunca será uma garota normal.
Enquanto Victor, que carrega nos ombros o peso de inúmeras mortes, sabe que a
vida que tem é mais do que poderia esperar.
O livro
gira ao redor da vida de Sarai e de Victor, do que eles já tiveram e do que
poderiam vir a ter. Os dois são de personagens obscuros que revelam uma faceta
social pouco abordada na literatura, entretanto é a realidade de Sarai que mais
emociona o leitor.  Sei que
estamos falando de ficção, mas não é difícil presumir que essa história não é tão
diferente da de milhares de mulheres espalhadas pelo mundo. Nesse ponto fui
sensibilizada; não tem como se manter indiferente a tamanha dor, medo, injustiça
e raiva. Assim, enquanto Sarai narrava sua vida no cativeiro eu senti pena e
asco por ela. Durante o período em que ela tenta fugir e ter uma nova vida,
torci enlouquecidamente pela personagem. E quando o fim trouxe a dura realidade
de que, independente de onde ela esteja, Sarai foi modificada pelos anos de
cativeiro, entrei em desespero. De fato, são tantas emoções que fazem o livro
tão forte e profundo que simplesmente o devorei,
me senti incapacitada de romper a leitura enquanto não lesse as últimas linhas
da trama, ou seja, enquanto não esgotasse todas as minhas esperanças de um final feliz.
Além de reflexão
e superação, a história também traz um romance complexo e doloroso. Em suma,
temos a união de dois personagens marcados pela morte; eles já perderam tanto
que não possuem medo de abraçar a escuridão ao seu redor e, exatamente por isso,
não possuem nada para oferecer. Com o coração endurecido pela vida eles não são
capazes de amar plenamente; o tempo que passam juntos faz com que eles se
importem um com o outro, mas amor é uma palavra que não existe do vocabulário
deles. Portanto, o livro não conta com juras de amor eterno, ele caminha para
uma possível relação, apresentando inúmeras
situações de entrega, carinho, e até mesmo paixão, mas nada emocionalmente assumido. E é
isso que deixa o leitor com o coração na mão. Sarai e Victor já sofreram
demais, eles merecem encontrar a felicidade, mas depois de tudo o que passaram
é fantasioso demais esperar que seus corações sejam totalmente curados. E como
bem sabemos, coração machucado não se entrega, não vive e muito menos ama.
Parte de mim queria acreditar que a relação dos dois seria capaz de mudá-los,
mas a voz da razão me faz compreender que eles sempre estarão marcados pelo
passado; é escuridão demais para fingir que tudo ficará bem. Assim, o dilema da
autora é: tornar tudo lindo mas irreal, ou deixar as coisas obscuras e
verdadeiras como elas realmente são. Não sei vocês, mas nesse caso não sei o
que esperar ou pelo o quê torcer. Gosto da imprevisibilidade da história e do
fato dela não ser romantizada e clichê, mas também gostaria de um bom futuro
para os protagonistas. Vai me entender!
No geral o
livro é profundo, obscuro e, melhor ainda, totalmente surpreendente. A narrativa da
autora é ótima, do tipo bem envolvente e emocional, e apesar de eu não saber o
que esperar do romance, estou bem ansiosa para ver como as coisas irão se
desenrolar no próximo volume da trama. Para aqueles que gostam de romances
inusitados e reflexivos, eis uma ótima opção de leitura. Só não esperem doces e
flores, essa história é mais o estilo tiros,
sangue e beijos ardentes
.
Sobre a Série •

A Morte de Sarai é o
primeiro volume da série “In the Company of Killers”, composta pelos livros: A
Morte de Sarai; Reviving Izabel; The Swan & The Jackal; Seeds Of
Iniquity; e The Black Wolf (que ainda será publicado pela autora). 
Apenas os dois
primeiros livros focam no casal principal, sendo que os volumes seguintes
envolvem personagens que começarão a trabalhar com o Vitor ou que, muito
provavelmente, tentarão matá-lo, risos. Ainda assim, ressalto que é necessário
ler os livros na ordem.
OBS. Tem como não
amar essas capas? LINDAS demais!

Beijos,

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31 Comentários

  • Por Amar Livros
    03 julho, 2015

    Eu não sei o resto do pessoal, mas sempre que quero saber a resenha de um livro eu corro pra cá! Sério, eu não estou exagerando, eu nunca li resenhas melhores que a deste blog. Eu me apaixono a cada resenha, vocês me prendem, e quero esse livro pra ontem!

    Beijos :*

  • Ju M
    02 junho, 2015

    Já ouvi bastante desse livro mas não sabia do que se tratava…Fiquei meio insegura quanto a um "romance obscuro". Esse romance marcado por mortes, acho que deixa o livro bem pesado, tem que estar bem para ler o livro, melhor não ler em um dia triste e melancólico…Vou ver se quando tiver um tempinho inicio a série, já que você disse que o livro é surpreendente.

  • Planet Pink
    01 junho, 2015

    Vejo muita gente pirando por esse livro.
    A capa é até interessante, mas a premissa dele não me chamou tanta atenção assim.
    =*

  • DeebAmorim
    01 junho, 2015

    Nossa! Preciso ler esse livro! Deve ser bem profundo e real mesmo e eu to doida para conhecer Sarai e Victor, e ver como a relação deles vai se desenvolver (apesar de já ver que não vai ter final feliz haha)

  • Becca Martins
    31 maio, 2015

    Nossa Pah! Essas capas me deram um medo! kkkk
    Eu achei que ela escrevia livros só do tipo romance bem melosinhos!
    Eu não sei se eu vou ler não, só se eu ganhar mesmo!

  • Jacqueline Moura
    31 maio, 2015

    Ainda bem que o livro te surpreendeu de uma forma positiva. Infelizmente acho que nao faria o meu tipo de jeito nenhum kkkkk pense numa pessoa medrosa!! So as capas ja me deixaram desconfiada kkk Mas fiquei tambem muito curiosa, nunca li nenhum romance com esse estilo e talvez, qndo eu conseguir superar o medo, seja um tipo de estilo que eu me entregue.

  • Fabiana Araújo
    31 maio, 2015

    Eta livrinho tenso esse,. Li ele com o coração na mão, adorei os tiroteios e o fato de mostrarem as coisas de uma forma fria porque de fato tanto o mocinho jantou mocinha já estavam meio que anestesiados por causa de tudo o que já passaram.

  • Patrini Viero
    29 maio, 2015

    Como eu adoro histórias fortes, independente do gênero a que elas pertençam, A Morte de Sarai está na minha lista. Acho que o livro é real, tenso e muito polêmico, características que me atraem demais. Adoro a capa e a sinopse de deixa super curiosa.

  • DeebAmorim
    29 maio, 2015

    Ai Pah, eu tambem sou dessas que esperam finais felizes em tudo hahahaha Mas eu entendo o toque realístico que a autora quer dar e por isso to curiosíssima para ler esse livro!!

  • BiaRoz
    28 maio, 2015

    Uauuuuuuuuuuuu, fiquei sem ar. Eu ainda não li esse livro, por puro medo. Acho que por mais que saibamos que existe essa realidade cruel e desenfreada crescendo a cada dia mais, tendemos a tentar tapar o sol com a peneira. E ser confrontada dessa maneira, sendo obrigada não apenas a presenciar, mas a se questionar também, me deixa desconfortável. Preciso criar mais coragem. Linda a resenha, me deixou curiosa para ler e com o coração acelerado. Parabéns Páh.

  • Maisanara F.
    28 maio, 2015

    Oi, com certeza vou ler esse livro. Tem ação, mistério e ainda romance.

  • Kemmy Oliveira
    28 maio, 2015