outubro 06, 2016

[Resenha] Garoto 21 – Matthew Quick

Repetir um movimento várias e várias vezes ajuda a clarear a mente uma lição que Finley aprendeu muito cedo, nas quadras de basquete. Numa cidade comandada pela violência do tráfico e da máfia irlandesa, vestir a camisa 21 e dar o sangue em quadra é sua válvula de escape. Vinte e um também é o número da camisa de Russ, um gênio do basquete. Ou pelo menos era. Recém-chegado à cidade de Bellmont depois de ter a vida virada de cabeça para baixo por uma tragédia, a última coisa que ele quer é pegar de novo numa bola. Russ está confuso, parece negar o que lhe aconteceu e agora se autointitula um alienígena de passagem pela Terra. Finley recebe a missão de ajudá-lo a se recuperar e, para isso, precisará convencê-lo a voltar a jogar, mesmo sob o risco de perder seu lugar como estrela do time. Contra todas as probabilidades, Russ e Finley se tornam amigos e, por mais estranho que pareça, a presença de Russ poderá transformar a vida de Finley completamente. Uma emocionante história sobre esperança, amizade e redenção, com a prosa sensível e inteligente de Matthew Quick.

Jovem
Adulto Maduro
| 272 Páginas
|
Cortesia Editora Intrínseca |
Skoob | Compare & Compre: SaraivaSubmarinoAmazon|
Classificação: 4/5
Estou cada vez mais encantada com a escrita do Matthew Quick. Gosto
do fato de suas obras serem fluídas, envolventes e abordarem temas tabus
raramente tratados na literatura. Em Garoto
21
, por exemplo, somos incitados a refletir sobre discrepância social,
criminalidade e marginalidade, comércio de drogas e até mesmo sobre o abuso
político das máfias regionais. E tudo isso pela perspectiva de um jovem que,
apesar de ser uma vítima constante da violência, ama o basquete o suficiente
para esquecer os traumas do passado e sonhar com um futuro longe de tudo o que
um dia fez mal a ele e a família. O basquete aqui, assim como o esporte é para
inúmeros jovens espalhados pelo mundo, é o bote salva-vidas de um garoto calado
e sonhador. E, apesar de não ter amado completamente o livro, confesso que
adorei todas essa reflexões que ela gera.

Finley está prestes a começar o último ano do ensino médio
e, consequentemente, sua última temporada no time de basquete da escola. Quando
pensa em sua infância, Finley sempre lembra de estar jogando basquete. Para
ele, ainda mais depois da tragédia que transformou sua família, o basquete é
tudo o que realmente importa. Por isso, todos os anos ele e a namorada – Erin,
que também ama jogar basquete e sonha conseguir uma bolsa de estudos esportiva
– treinam com afinco para a temporada de basquete. E esse ano, com a pressão de
conseguir bolsas universitárias, os dois estão ainda mais empenhados. O
problema é que um novo garoto aparecerá na escola, um garoto que desafiará e
questionará os planos de Finley, que o fará desenterrar lembranças dolorosas do
passado, e que colocará sua vaga no time de basquete em risco. Esse garoto é o
Garoto 21, um menino que acredita ter vindo do espaço e ter superpoderes na
quadra de basquete. Aparentemente esses dois rapazes não têm nada em comum a
não ser a paixão pelo basquete, contudo o passar do tempo vai mostrar que eles
são mais parecidos do que pensam e que precisam um do outro – e da amizade que
surge entre eles – para seguir em frente.
A trama é toda narrada por Finley e, exatamente por isso, é
muito rápida e fácil de ler. O protagonista é do tipo que prefere ficar calado,
que tem medo de expressar sua opinião e de abrir feridas esquecidas. O ponto é
que ele está preso no próprio medo, então leva uma vida segura ao lado do pai, do
avô, da namorada e dos colegas de time de basquete. Só que quando o Garoto 21
aparece em sua vida – Russ, jovem que perdeu os pais recentemente – tudo vira
de pernas para o ar; o basquete não é mais o mesmo, a vida familiar mudou, a
relação com Erin se transformou, e os planos antigos de Finley perderam valor.
Assim, temos uma obra sobre amadurecimento, crescimento pessoal, amizade,
descobertas e superação do passado. Russ e Finley, através o basquete, começam
a escavar o passado, abrir e curar velhas feridas, e lutar por um novo futuro.
E eu, definitivamente, amei isso. Adoro livros que focam no amadurecimento de
seus protagonistas, e é perceptível o quanto Finley muda ao longo da leitura.
Além disso, a personalidade introspectiva do personagem é do tipo que cativa e
encanta o leitor. Sabemos que ele esconde algo, então tudo que queremos é vê-lo
livre do medo e verdadeiramente feliz.
Além da personalidade do Finley e da jornada de
amadurecimento protagonizada por ele, o livro também traz como ponto positivo
laços fortes e reais de amizade, drama familiares que dão voz à disparidade
social e financeira de nossa sociedade, e situações que nos fazem refletir
sobre as consequências da criminalidade e do tráfico de drogas – aqui o autor
coloca em xeque o fato de que, na grande maioria das vezes, você não precisa
estar completamente envolvido com o tráfico para se tornar uma vítima dele. O
único ponto negativo que consegui ver, e que acabou diminuindo minha percepção
positiva da obra, foi o final. Achei o desfecho muito abrupto e insatisfatório.
Claro que racionalmente entendo a proposta do autor, mas acho que Finley, Russ
e Erin mereciam um desfecho um pouco mais elaborado. Ainda assim, não nego que
adorei o livro, esses personagens e todas as reflexões geradas pela obra.
Indico a leitura para os que gostam de histórias jovens, divertidas e com um
toque de drama.
Beijos,


Participe Aqui 

confira também

Posts relacionados

Comente via Facebook


Deixe seu comentário

14 Comentários

  • Adriana Holanda Tavares
    18 outubro, 2016

    O lado bom da vida é um livro queridinho para mim, e imagino que a escrita do autor seja ainda muito agradável, o capacete que vi na capa pensei que era de futebol americano, mas parece que o esporte é outro! hihihi, acho que me enrolei toda nessa resenha mas quero muito ler!

  • Jesica Duarte
    15 outubro, 2016

    Olá Paola, estou tão curiosa para conhecer esse livro, muitas pessoas falam dele pra mim, e com sua resenha -por que é o único blog de livros que realmente acompanho sempre- me fez quer comprar o mais rápido possível.

  • leidyane bispo
    15 outubro, 2016

    Achei bastante pertinente o comentário sobre o livro, apesar de não ser do gênero que comumente leio. Penso que é necessário mesmo a abordagem de temas relacionados ao cotidiano no mundo real, apesar de sabermos que nessas obras os finais são parecidos, é legal mostrar essa trajetória de erros, acertos, medos.

  • Luciana Campos
    11 outubro, 2016

    Uma pena que você se decepcionou com o final, Pah! Eu também não tenho uma boa experiência com o autor por causa de O Lado Bom da Vida, que me fez desencatar com o Matthew de vez.
    Bom saber que esse faz mais refletir sobre temas tão importantes como criminalidade e drogas. Apesar disso não me entusiasmei muito com o livro, mas se um dia tiver a oportunidade de lê-lo, daria uma chance sim.

  • Micheli Pegoraro
    11 outubro, 2016

    Oi Pah,
    Adoro esse autor, seus livros são tão envolventes e sempre trazem belas lições. Lendo apenas a resenha já senti uma conexão com o Finley, sei lá, me identifiquei com o personagem. Também adoro histórias que focam no amadurecimento de seus protagonistas, sempre tiro boas reflexões com essas jornadas, e também gosto de livros que trazem o valor de amizades verdadeiras, então sei que vou ser cativada mais uma vez por um livro do Matthew.
    Beijos

  • Ilana Rafaely
    10 outubro, 2016

    Do Matthew eu só li Perdão, Leonard Peacock e gostei muito do jeito que ele escreve. Adorei os temas abordados nesse livro e acredito que nunca li nada que falasse sobre isso o que me deixou bem animada por essa leitura. Achei legal que amizade de Finley e Russ vão fazer com que a vida Finley mude e que o vai fazer superar o passado. E que também durante a história o personagem principal vai ter um amadurecimento. Torcendo para que o final, apesar de ser ''abrupto e insatisfatório'' seja bom para o Finley, Erin e Russ

  • Theresa Cavalcanti
    09 outubro, 2016

    Eu não conheçia esse livro, mas fiquei bem empolgada para ler ele, parece ser muito bom.

  • Emilly Bia
    08 outubro, 2016

    GOSTEI MUITO DO LIVRO, POIS RELATA O QUANTO É IMPORTANTE PARA NÓS SUPERARMOS O PASSADO , SEJA ELE O MAIS DOLOROSO QUE FOR , POIS NO FUTURO PODE VIR ALGO QUE , MESMO VOCE NÃO QUERENDO , O RELEMBRA DISTO E ACABA LHE AFASTANDO DAS PESSOAS QUE VOCE AMA E QUE AMAM VOCE.
    TAMBÉM GOSTEI MUITO DA FORMA COMO RETRATARAM A TRAMA NA RESENHA .

  • Lara Cardoso
    08 outubro, 2016

    Eu até tinha um livro do Matthew aqui, mas acabei dando hahhahaha
    Eu tenho curiosidade em ler Quase Uma Rockstar, mas Garoto 21, depois de sua resenha, me despertou interesse também.
    Beijos

  • ViRô Arte e Festa
    07 outubro, 2016

    Puxa vida, realmente esse tema não é muito abordado, mas parece ser um livro incrível mesmo, que nos coloca pra pensar… mas confesso que finais que poderiam ser melhores me desanimam um pouco, aconteceu comigo quando li a série jogos vorazes, amei a história, mas o final foi horrível pra mim :/ por isso não penso em voltar a ler ou até mesmo assistir os filmes.

  • Natacha Moraes
    07 outubro, 2016

    Pah
    Leia O Lado Bom da Vida…é o melhor!! É incrível e adulto!!! bjooos

  • RUDYNALVA
    06 outubro, 2016

    Pah!
    Achei o retrato da nossa sociedade:problemas com a infiltração das drogas nas escolas e tentando dominar todos os parâmetros sociais, e, o esporte sendo um incentivo para que as crianças e adolescentes sejam afastado desse mundo vil.
    Pena o final não ter sido o desejado, mas acredito que seja um ótimo livro para leitura.
    “Conhecimento sem transformação não é sabedoria.” (Paulo Coelho)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de OUTUBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

  • Eduarda Rozemberg
    06 outubro, 2016

    Que legal que o personagem passa por toda uma jornada de amadurecimento e vai superando os seus medos. Nunca li nada do autor, mas só vejo elogios. Aliás, tenho o exemplar de o lado bom da vida aqui em casa e não vejo a hora de ter esse gostinho. Pelo jeito ele gosta mesmo de abordar os tabus hahaha.
    um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

  • Anna Mendes
    06 outubro, 2016

    Oi Paola! Ótima resenha!
    Até hoje, eu só li "O lado bom da vida" do autor, mas a minha curiosidade para ler outras obras dele só aumenta! Gostei da premissa de "Garoto 21". Adoro histórias que nos fazem refletir sobre problemas e questões reais. Também gosto de ver esse amadurecimento nos personagens e tirar algum aprendizado disso. Acho que vou apostar nessa leitura 🙂
    Bjos!