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Não sentimos já todos, alguma vez, uma saudade desesperada por algo ou alguém? Talvez não saibamos sempre por quem ou por quê a sentimos, embora o sentimento seja avassaladoramente forte. É isso que sente Gabriel. Mas como o artista ainda jovem, atraente e muito inquieto que é, ignora o sentimento e afasta-se, em vez disso, para uma cabana vazia em Ludvika, a fim de desenvolver uma ideia. Enquanto ali está, porém, nada acontece como tinha pensado. Subitamente vê-se como uma das peças num jogo em que cada movimento parece ter consequências fatais. Consequências que se espalham sobre a até então sonolenta vila. Em velocidade acelerada, Anna, Kessa, Lea, Johan e Niklas são conduzidos aos seus destinos. Aqui se fala de amizade florescente, amor e aventura, mas também de manipulação, infidelidade, violência e morte. Depois destes três dias em setembro, não há regresso possível.
Drama/Suspense | 153 Páginas | Skoob | Compre: Amazon | Classificação: 4/5
Se você precisasse de alguns dias longe do mundo – redes sociais, trabalho, relacionamentos familiares ou amorosos – para onde você iria? Gabriel precisa fugir por alguns dias. Ele diz que o motivo é a necessidade de reclusão para encontrar inspiração artística, mas na realidade tudo o que o jovem quer é a oportunidade de esquecer as cobranças e mágoas que o afligem. Por isso, Gabriel decide abandonar a capital e passar um período em Ludvika, cidadezinha remota da Suécia. Lá ele viverá três dias intensos e modificará completamente seu futuro – e de outras pessoas influenciadas por suas escolhas. Então a pergunta que não quer calar é: O que será que esses dias de Setembro reservam para os moradores de Ludvika?

Três dias em Setembro interliga a história de Gabriel e de outros personagens, mas os principais (além dele) são: Anna, Kessa e Lea. A narrativa varia entre eles e vai caminhando para o momento em que a jornada desses protagonistas – que inicialmente seguem rumos diferentes – é transformada em uma única teia de mentiras, esperança, desejo e dor. Inicialmente tudo o que sabemos é que: Gabriel é um pintor e decide ir para o interior, em uma cabana afastada, tanto para trabalhar quanto para fugir de um fantasma do passado. Lea – que trabalha na pizzaria do namorado – está em um relacionamento fadado ao fracasso, mas ainda não percebeu isso, e continua esperando que o enlace progrida. E Anna e Kessa são amigas de longa data, uma com uma ânsia gigante por ser amada e a outra com um desejo reprimido de seguir em frente e abandonar a cidadezinha pequena na qual foi criada. Cada um único em seus encantos e defeitos. E, exatamente por isso, a pergunta que permeia o livro do início ao fim é o que essas pessoas têm em comum além do fato de todas estarem em Ludvika.
O livro é bem curtinho e rápido de ler – até porque a história acontece em únicos três dias. Senti que a autora aborda muito bem o conceito de ação e reação, e como somos influenciados pelas escolhas das pessoas ao nosso redor. Tudo está conectado e, infelizmente, uma escolha ruim pode afetar nossa vida e a das pessoas que temos ao nosso redor. Confesso que gostei muito dessa característica da narrativa. É por conta dessa conexão entre os narradores que queremos devorar o livro e descobrir como a história deles vira uma só. E, por mais que o final não seja extremamente surpreendente, ele deixa um toque agridoce de vida real. O dia a dia é assim, pessoas que vem e vão, deixam marcas profundas ou só vagas memórias, e a vida que segue mesmo quando outras chegam ao fim.
Preciso dizer que não gostei do Gabriel – achei-o um baita de um galinha. E em contra partida adorei as personagens femininas – não que elas sejam incríveis e perfeitas, mas senti que todas representam muito bem uma faceta do que é ser mulher. Anna foi a que mais me encantou. Ela é fútil e volátil, mas esconde um coração que só quer ser amado. Anna faz escolhas horríveis, principalmente na hora de decidir em qual homem confiar, mas só consegui sentir dó dessa mulher que sofre por ser bonita demais, desejada demais, e nunca amada o suficiente. A história que ela carrega é uma que, sem dúvida, reflete a de milhares de garotas como ela; e eu realmente me senti tocada por suas dores. Mas em suma, tudo isso significa que os personagens são bem trabalhados. Os protagonistas são apresentados como reais, palpáveis, e cheios de erros e acertos. E gosto disso, mesmo quando não vou com a cara deles.
Três dias em Setembro é perfeito para quem gosta de tramas reais e com um toque de mistério. Além disso, é o tipo de história rápida e que conquista do início ao fim. Minhas únicas ressalvas são: inicialmente a narrativa intercalada pode deixar o leitor meio perdido, o livro é voltado para o público adulto (com conotação sexual e temas típicos da vida adulta) e, além disso, a autora teve seu livro traduzido para o Português de Portugal, todavia a obra está cheia de palavras típicas daquela região (e eu gostei disso, adoro aprender palavras novas).
O legal é não criar muitas expectativas e deixar cada um deles – Gabriel, Anna, Kessa e Lea – surpreender você! Li esse livro a convite da autora que, na intenção de divulgar o livro no Brasil, entrou em contato comigo. Achei o máximo ler algo ambientado na Suécia e que foge completamente da minha zona de conforto.
Beijos,




Comentários via Facebook

5 comentários:

  1. Não sei dizer o porque, gosto de livros curtos, já li livros com narrativa intercalada, mas simplesmente não bateu aquela vontade de ler...

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  2. Apesar de ser curto e rápido de ler, simplesmente não bateu aquela vontade.

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  3. Oi, Pah
    Desconhecia o livro, mas gostei da premissa. Que esse convite que a autora te fez!
    Também gosto quando tem palavras de outras regiões na narrativa, e ainda esse toque de mistério. Uma pena que esse personagem não seja dos mais agradáveis, mas gostei da dica e leria se tivesse oportunidade.

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  4. Pah!
    Que Gabriel mais galinha, hein?
    De qualquer forma, um livro que nos leva a várias reflexões como repensar nossas atitudes, ficar distante de tudo e todos (até as redes sociais) e ainda tem uma conotação mais sexual, é uma boa pedida, apesar de suas ressalvas.
    “Conhecimento sem transformação não é sabedoria.” (Paulo Coelho)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE SETEMBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  5. Pah, amei a resenha!! Confesso que fiquei curiosa para ler, mas ainda sim algumas coisas no enredo me faz ter ressalvas. Você arrasou. Super Beijo

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