setembro 12, 2017

[Resenha] Três Dias em Setembro – Luna Miller

Não sentimos já todos, alguma vez, uma saudade desesperada por algo ou alguém? Talvez não saibamos sempre por quem ou por quê a sentimos, embora o sentimento seja avassaladoramente forte. É isso que sente Gabriel. Mas como o artista ainda jovem, atraente e muito inquieto que é, ignora o sentimento e afasta-se, em vez disso, para uma cabana vazia em Ludvika, a fim de desenvolver uma ideia. Enquanto ali está, porém, nada acontece como tinha pensado. Subitamente vê-se como uma das peças num jogo em que cada movimento parece ter consequências fatais. Consequências que se espalham sobre a até então sonolenta vila. Em velocidade acelerada, Anna, Kessa, Lea, Johan e Niklas são conduzidos aos seus destinos. Aqui se fala de amizade florescente, amor e aventura, mas também de manipulação, infidelidade, violência e morte. Depois destes três dias em setembro, não há regresso possível.


Drama/Suspense | 153 Páginas
|
Skoob | Compre:
Amazon | Classificação:
4
/5
Se você precisasse de alguns dias longe do mundo – redes sociais,
trabalho, relacionamentos familiares ou amorosos – para onde você iria? Gabriel
precisa fugir por alguns dias. Ele diz que o motivo é a necessidade de reclusão
para encontrar inspiração artística, mas na realidade tudo o que o jovem quer é
a oportunidade de esquecer as cobranças e mágoas que o afligem. Por isso,
Gabriel decide abandonar a capital e passar um período em Ludvika, cidadezinha
remota da Suécia. Lá ele viverá três dias intensos e modificará completamente seu
futuro – e de outras pessoas influenciadas por suas escolhas. Então a pergunta
que não quer calar é: O que será que esses dias de Setembro reservam para os
moradores de Ludvika?

Três dias em Setembro
interliga a história de Gabriel e de outros personagens, mas os principais (além
dele) são: Anna, Kessa e Lea. A narrativa varia entre eles e vai caminhando
para o momento em que a jornada desses protagonistas – que inicialmente seguem
rumos diferentes – é transformada em uma única teia de mentiras, esperança, desejo
e dor. Inicialmente tudo o que sabemos é que: Gabriel é um pintor e decide ir
para o interior, em uma cabana afastada, tanto para trabalhar quanto para fugir
de um fantasma do passado. Lea – que trabalha na pizzaria do namorado – está em
um relacionamento fadado ao fracasso, mas ainda não percebeu isso, e continua
esperando que o enlace progrida. E Anna e Kessa são amigas de longa data, uma
com uma ânsia gigante por ser amada e a outra com um desejo reprimido de seguir
em frente e abandonar a cidadezinha pequena na qual foi criada. Cada um único
em seus encantos e defeitos. E, exatamente por isso, a pergunta que permeia o
livro do início ao fim é o que essas pessoas têm em comum além do fato de todas
estarem em Ludvika.
O livro é bem curtinho e rápido de ler – até porque a
história acontece em únicos três dias. Senti que a autora aborda muito bem o
conceito de ação e reação, e como somos influenciados pelas escolhas das
pessoas ao nosso redor. Tudo está conectado e, infelizmente, uma escolha ruim
pode afetar nossa vida e a das pessoas que temos ao nosso redor. Confesso que gostei
muito dessa característica da narrativa. É por conta dessa conexão entre os
narradores que queremos devorar o livro e descobrir como a história deles vira
uma só. E, por mais que o final não seja extremamente surpreendente, ele deixa
um toque agridoce de vida real. O dia a dia é assim, pessoas que vem e vão,
deixam marcas profundas ou só vagas memórias, e a vida que segue mesmo quando
outras chegam ao fim.
Preciso dizer que não gostei do Gabriel – achei-o um baita
de um galinha. E em contra partida adorei as personagens femininas – não que
elas sejam incríveis e perfeitas, mas senti que todas representam muito bem uma
faceta do que é ser mulher. Anna foi a que mais me encantou. Ela é fútil e volátil,
mas esconde um coração que só quer ser amado. Anna faz escolhas horríveis,
principalmente na hora de decidir em qual homem confiar, mas só consegui sentir
dó dessa mulher que sofre por ser bonita demais, desejada demais, e nunca amada
o suficiente. A história que ela carrega é uma que, sem dúvida, reflete a de
milhares de garotas como ela; e eu realmente me senti tocada por suas dores.
Mas em suma, tudo isso significa que os personagens são bem trabalhados. Os
protagonistas são apresentados como reais, palpáveis, e cheios de erros e
acertos. E gosto disso, mesmo quando não vou com a cara deles.
Três dias em Setembro é
perfeito para quem gosta de tramas reais e com um toque de mistério. Além disso,
é o tipo de história rápida e que conquista do início ao fim. Minhas únicas
ressalvas são: inicialmente a narrativa intercalada pode deixar o leitor meio perdido,
o livro é voltado para o público adulto (com conotação sexual e temas típicos
da vida adulta) e, além disso, a autora teve seu livro traduzido para o
Português de Portugal, todavia a obra está cheia de palavras típicas daquela
região (e eu gostei disso, adoro aprender palavras novas).
O legal é não criar muitas expectativas e deixar cada um
deles – Gabriel, Anna, Kessa e Lea – surpreender você! Li esse livro a convite
da autora que, na intenção de divulgar o livro no Brasil, entrou em contato
comigo. Achei o máximo ler algo ambientado na Suécia e que foge completamente
da minha zona de conforto.
Beijos,


confira também

Posts relacionados

Comente via Facebook


Deixe seu comentário

5 Comentários

  • Katharine Emídio
    15 setembro, 2017

    Pah, amei a resenha!! Confesso que fiquei curiosa para ler, mas ainda sim algumas coisas no enredo me faz ter ressalvas. Você arrasou. Super Beijo

  • RUDYNALVA
    14 setembro, 2017

    Pah!
    Que Gabriel mais galinha, hein?
    De qualquer forma, um livro que nos leva a várias reflexões como repensar nossas atitudes, ficar distante de tudo e todos (até as redes sociais) e ainda tem uma conotação mais sexual, é uma boa pedida, apesar de suas ressalvas.
    “Conhecimento sem transformação não é sabedoria.” (Paulo Coelho)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE SETEMBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

  • Leticia Golz
    13 setembro, 2017

    Oi, Pah
    Desconhecia o livro, mas gostei da premissa. Que esse convite que a autora te fez!
    Também gosto quando tem palavras de outras regiões na narrativa, e ainda esse toque de mistério. Uma pena que esse personagem não seja dos mais agradáveis, mas gostei da dica e leria se tivesse oportunidade.

  • Lara Cardoso
    13 setembro, 2017

    Apesar de ser curto e rápido de ler, simplesmente não bateu aquela vontade.

  • Veronica Vieira
    13 setembro, 2017

    Não sei dizer o porque, gosto de livros curtos, já li livros com narrativa intercalada, mas simplesmente não bateu aquela vontade de ler…