abril 09, 2019

[Resenha] As coisas que aprendi depois que eu morri – Victoria Aldrin

Pense na sua vida. Pense em quem você é.Pense em todos aqueles que você conhece e ama. Pense no que você já viveu e ainda quer viver, e em todos os bons momentos. Pense sobre tudo isso.E agora… destrua. A Terceira Guerra Mundial extinguiu o mundo que conhecemos atualmente. Não há mais governos, dinheiro, eletricidade ou cidades como as conhecíamos. A humanidade foi praticamente dizimada e, em meio a bombas nucleares e armas biológicas, a Nova Era se instalou e substituiu, sem volta, nossa realidade. Perdidos e separados pelos eventos catastróficos, Mariana e Bernardo costumavam viver uma vida normal antes do apocalipse. Eram jovens que viviam na maior região metropolitana do Brasil, São Paulo, e nunca imaginariam que suas vidas seriam viradas de cabeça para baixo tão rapidamente. No começo da Guerra, Mariana e sua família vão para o interior, enquanto Bernardo permanece com sua família na capital. Entretanto, o Brasil é desolado e exterminado por pequenos bombardeios e armas biológicas, enquanto o mundo perde o último fio de compaixão e as nações se destroem completamente. Agora, após a Guerra, Mariana precisa voltar para Bernardo, precisa voltar para a capital, mesmo que não haja mais capital alguma. Por outro lado, Bernardo descobre-se infectado pela arma biológica e é levado para longe do ponto de encontro. Os dois precisam se reencontrar. Precisam resgatar o mínimo de sanidade possível. Precisam ter algum resquício do que era a vida antes de tudo. Afinal de contas, depois de tantas perdas, os dois só podem confiar que, um dia, irão se reencontrar no ponto marcado – a antiga escola de Mariana. Acompanhados do leitor, os dois buscam ensinar tudo o que aprenderam com a Guerra e tudo o que aprenderam depois que tudo morreu. Toda a sua vida precisa ser revista. Você aproveitou tudo mesmo? Quem você realmente é? Tem certeza de suas respostas? Pense na sua vida. E pense novamente. E de novo. E agora destrua. Seja bem-vindo à Nova Era.
Romance / Distopia / Literatura Brasileira • 246 páginas • Editora Killa • Classificação 5/5 • Skoob • Compre: E-book | Físico • Resenha de Marina Mafra
Oi, pessoal!
Na resenha de hoje trago mais um livro que me cativou pela escrita diferenciada, criatividade no enredo e com ensinamentos que contestam o real sentido do valor que damos às coisas no mundo. Mais um nacional que vale a pena ser lido.

“Tem uma coisa que acontece quando alguém te machuca: o resultado depende inteiramente de você.”


A Terceira Guerra Mundial vinha aterrorizando a população, mas ainda não havia atingido onde Mariana e Bernardo viviam. Jovens amigos e namorados se viam e se despediam todos os dias sem saber se no dia seguinte a guerra mudaria os seus destinos. Temendo perderem o contato, combinaram que após tudo acabar, se sobrevivessem, se encontrariam na antiga escola de Mariana. Chegou um momento em que foram afastados por estratégias de fugas das suas famílias. A guerra destruía tudo por onde passava e quando teve fim, haviam poucos sobreviventes, pouca comida e nenhum meio de comunicação. Mariana e Bernardo sobreviveram e não se esqueceram do combinado. Sozinhos e a pé, seguiram para o local. O mundo era um mar de destroços e cadáveres. Os poucos sobreviventes ou temiam aproximações, ou matavam sem esperar qualquer contato. Alguns se tornaram canibais, outros tratavam mulheres como instrumento sexual. A humanidade estava perdida e os dois não tinham certeza se o outro havia sobrevivido. A cada dificuldade aumentavam as dúvidas se todo o esforço valeria a pena.
Gente, que história! Que angústia!
É narrada em primeira pessoa, alternando os capítulos entre Marina e Bernando. O livro já começa após a guerra, os personagens aos poucos vão contando como chegaram ali, sobre a vida deles e acompanhamos a expectativa do possível reencontro. Foi uma das narrativas mais diferentes e gostosas que já li. Por estarem sozinhos, cada um criou um amigo imaginário, com quem eles falam e os acompanham em toda a trajetória, mas o bacana é que esse amigo é o leitor, fazendo não apenas parecer que eles falam com a gente, como sermos parte de tudo que vivem. Estar dentro desse universo que a autora criou, onde não há mais celulares, trabalho, escola, segurança, alimentos, energia elétrica… me fez contestar o valor que tenho dado para tudo o que tenho e perceber o tanto que eu nem sabia que tinha.
Tive o prazer de conhecer a autora na Bienal do Livro do ano passado, onde adquiri seu livro e preciso dizer o quanto me surpreendi por alguém tão jovem ter uma bagagem tão intensa na alma, ao ponto de trazer tantos ensinamentos em uma história.
O livro foi publicado pela Editora Killa, que fez um trabalho incrível, do tipo que nos faz desejar na estante.
Recomendo demais! Mais um da série “Leiam pelo amor de Deus”! Haha
Acompanhem o trabalho da autora: Instagram | Facebook
Espero que tenham gostado. Até a próxima resenha!

Beijos

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