julho 29, 2020

O dia que eu renasci

Parto Paola-132

Quatro meses e três semanas. Esse é o tempo desde que me tornei mãe e minha vida mudou de várias maneiras. Pensei em muitas formas de compartilhar tudo o que vivi no dia 09 de março, mas a verdade é que faltam palavras para descrever a sensação de renascimento que o parto da Júlia gerou dentro de mim.

Tentei explicar para as pessoas ao meu redor que, após o parto, eu me olhava no espelho e não me reconhecia. Todo mundo achava que estava falando de aparência ou que eu estava triste e cansada demais para me reconhecer (o que realmente aconteceu; as primeiras semanas com um bebê são tão intensas que é fácil esquecer quem somos). Mas a verdade é que a mudança que eu enxergava era inesperada, assustadora, inexplicável e extremamente maravilhosa.

Pela primeira vez em anos eu estava amando por completo a minha versão imperfeita, real e repleta de falhas. E tudo isso graças à vida que nasceu dentro de mim e mudou minha vida por completo. 

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Sempre duvidei da minha força, mas a gestação, o parto e agora a maternidade, me mostraram o quanto sou capaz. Sinto que nós, mulheres, não somos criadas para conhecer nossa força e potência. Muitas de nós passam a vida toda sem acessar a parte dentro da nossa mente reservada para o instinto de luta e plenitude com o qual fomos geradas e, talvez, se não fosse a Júlia eu nunca conheceria o tamanho da minha força.

Hoje, olho no espelho e me vejo capaz, dona de mim e surpreendentemente completa – com meus erros, acertos, falhas e imperfeições. Não acredito que toda mulher precisa passar por uma gestação para se conhecer e amar como um todo, mas no meu caso, foi o que aconteceu. Desde o primeiro dia, quando eu apenas desconfiava da existência de um bebê, minha mente mudou: a forma como queria viver o parto, como me sentia preparada para ser ouvida e impor minhas decisões, e como finalmente consegui aceitar o futuro que estava me chamando.

Em nove meses eu conheci meu corpo, me desprendi de inúmeras inseguranças e aprendi a refletir sobre a necessidade que tenho de me fechar (que está tudo bem guardar certas coisas para mim, desde que isso gere leveza e não dor). Mas, mais que isso, libertei a força da natureza que sempre carreguei no meu íntimo.

Quando segurei minha filha nos meus braços eu renasci e me senti a mulher mais poderosa do mundo. Nunca vou esquecer do poder, da alegria e do amor surpreendente e até desconhecido que tomou conta de mim – e não só pela minha filha, mas por mim também. Através do parto, passei a amar meu corpo e acreditar que sou capaz de realizar todos os meus sonhos. Ou, ao menos, de tentar alcançá-los.

Postei o relato do meu parto no canal e vou deixar aqui para quem quiser assistir:

E se você chegou aqui porque está prestes a parir, lembre: toda a força de que precisa está dentro de você! Confie no seu corpo, na sua mente e no seu bebê. Juntos vocês encontrarão a melhor maneira de gerar esperança.

 

Beijos,

Paola A.

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