[Resenha] A Fera - Alex Flinn

Eu sou uma fera. Uma fera. Não exatamente um lobo, ou um urso, um gorila ou um cão, mas uma terrível criatura que anda em duas patas — uma criatura com dentes e garras e pelos surgindo de cada poro de minha pele. Sou um monstro. Você acha que estou falando de contos de fada? De jeito nenhum. O lugar é Nova York. O momento é agora. Não sofro de uma deformidade ou uma doença. E vou ficar dessa forma para sempre — destruído —, a não ser que possa quebrar o feitiço. Sim, o feitiço, aquele que a bruxa da minha aula de inglês lançou sobre mim. Por que ela me transformou em uma besta que se esconde durante o dia e rasteja à noite? Vou lhe contar. Vou lhe contar como eu costumava ser Kyle Kingsbury, o cara que você gostaria de ser, com dinheiro, beleza e uma vida perfeita. E aí vou contar como me tornei... a fera. Alex Flinn adora contos de fada e fez suas duas filhas aguentarem dezenas de versões de A Bela e a Fera enquanto escrevia este livro... E aí perguntou a elas como uma fera agiria para encontrar uma garota em Nova York. É autora de outros cinco livros, vencedores de vários prêmios norte-americanos. Ela mora em Miami.
320 Páginas || Editora Galera Record || Skoob || Compare & Compre || Resenha da Kamila Mendes
O livro de Alex Flinn, uma adaptação do famoso conto de fadas A Bela e A Fera (meu predileto, concorrendo apenas com Rei leão e Anastasia), não me surpreendeu como eu gostaria. Talvez eu tenha ido com muita sede ao pote, mas vamos devagar.
A leitura de A Fera é gostosa e fluída, não minto ao dizer que só larguei o livro quando li a última folha. A história é descrita de uma forma real, bem real, e o nosso Fera é um garoto popular como um outro qualquer (da Hight School, óbvio). Riquinho e miado, Kyle Kingsbury, é o rapaz mais bonito de sua escola e sabe disso. Na verdade ele foi ensinado a acreditar que não existem amizades e sim o uso que você pode fazer das pessoas e do que elas possuem.

Filho de um famoso repórter de televisão, Kyle cresceu sem pai e sem mãe (está o abandonou). Vivia em um mundo frívolo, até que sua vidinha perfeita foi para os ares quando encontrou com a bruxa Kendra.
Transformado em Fera, Kyle tem apenas dois anos para encontrar o amor verdadeiro: alguém que o ame por quem é por dentro e não pela aparência, já que se tornou uma besta-fera. O problema é que a aparência do rapaz reflete quem ele é por dentro, um monstro insensível e sem tato algum com as pessoas. Esse é o enredo da adaptação do desenho tão conhecido da Disney.
O livro é narrado em primeira pessoa e esse é o ponto que gostei. Vemos a transformação do riquinho popular Kyle Kingsbury em Adrian, à medida que o rapaz vai descobrindo a humildade e beleza da vida. Abandonado pelo pai, que não admitia ter um monstro como filho, Adrian vive apenas com um professor cego, Will, e uma amável empregada, Magda. Desenvolve paixão pelas rosas por acreditar que é a única beleza em sua vida.
A história se desenrola ao redor dessa metamorfose de fera para homem, porque Kyle não só se torna mais humano, como amadurece também. Quando Adrian encontra Lindy, nossa Bela, o romance não deslancha de cara. Vemos uma amizade sendo construída e os sentimentos nascendo. Isso é outro ponto positivo.
O auge do livro, no meu ponto de vista, está na crítica social feita por Alex. Em um mundo em que beleza e o poder são tudo, ou quase tudo, adaptar a Bela e a Fera dando ênfase a esse padrão deturpado da nossa sociedade é realmente um ato de coragem. Vemos, com o amadurecimento de Kyle/Adrian, quão simples a vida pode ser se a olharmos da forma certa: todos somos diferentes, possuímos nossa beleza (interior e exterior) e é por isso que devemos ser valorizados pelo que somos e não pelo que representamos.
O que me decepcionou foi o final. Não vou contar. Todos sabem como termina, mas é o desenrolar da história que não me prendeu. Penso que terminou de forma superficial, como se a Alex Flinn tivesse presa em entregar a história. Fiquei com aquele gosto de “poderia ser melhor”. Mas, em um todo, é um livro que me agradou. Gostei de lê-lo, mas, como disse antes, não me surpreendeu, talvez porque eu esperasse pela magia Disney de contar os contos de Fadas ou talvez porque tenha assistido a adaptação cinematográfica antes da leitura, mas de qualquer forma, indico A Fera para os amantes de romances leves e pra quem gostes de mocinhos mal humorados, como eu...rsrsrs.
Quotes preferidos:
"Algo que meu pai tinha me ensinado desde cedo, e com frequência, era a agir como se nada me afetasse. Quando se é especial, como nós, as pessoas devem notá-lo."
“O relógio parou de bater. Kendra tocou meu ombro e me virou para que eu me olhasse no espelho acima de minha escrivaninha. - Kyle Kigsbury, observe. Eu me virei e fiquei de queixo caído com o que meus olhos viram. - O que você fez comigo? Quando eu disse isso, minha voz saiu diferente. Era um rugido. Ela acenou com uma chuva de faíscas. - Transformei você no seu verdadeiro eu. Eu tinha virado um monstro.”
Capas pelo mundo:

  




4 comentários:

  1. tenho muita vontade de ler o livro!
    eu assisti o filme e gostei bastante!

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  2. Oi Kamila!
    Eu gostei do livro, mas mais como uma leitura despretensiosa e divertida. É um livro bem infanto-juvenil né, e achei algumas partes bem divertidas.
    Como você, só larguei a leitura depois da última página!
    A Bela e a Fera também é meu desenho favorito e acredito que a única parte que tenha me decepcionado no livro foi que o Kyle/Adrian meio que se programa para gostar da Lindy, antes de ela chegar ele já pensa na possibilidade de ela ser quem vai salvá-lo e, pra mim, isso acabou com a magia do amor.
    De qualquer forma, gostei do livro!
    Beijão!

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    1. Isso é verdade Aione, meio q tirou mesmo a magia do amor, mas eu achei bem engraçada a programação dele...foi parte da mudança tmbm

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