abril 24, 2013

[Resenha] O Noivo da Minha Melhor Amiga – Emily Giffin

“O Noivo da Minha Melhor Amiga conta a história de
Rachel, uma jovem advogada de Manhattan. A moça, sempre vista por si mesma e
por seus amigos como a “certinha” e bem-comportada, muda radicalmente
no seu aniversário de trinta anos, após a festa oferecida por sua melhor amiga,
Darcy. Meio deprimida por chegar aos trinta sem o marido e os filhos que
imaginava ter a essa altura da vida, Rachel se excede na comemoração e termina
a noite na cama com Dex, seu grande amigo de faculdade e noivo da sua melhor
amiga. Até a noite em que ficou com Dex, Rachel era o modelo de filha e amiga
perfeita, embora se visse como um fracasso. Nunca transgrediu as leis, nem
mesmo as de horário de trabalho, ao contrário da egoísta, narcisista mas
irresistível Darcy, em torno da qual Rachel e, posteriormente, Dex sempre
orbitaram. Enquanto a boa moça e tímida Rachel teve alguns poucos namorados e
conseguiu um emprego estável porém sem graça num escritório de advocacia, a
linda e popular Darcy namorou todos os bonitões do colégio, construiu uma
glamourosa carreira de Relações Públicas e sempre conseguiu tudo o que quis,
inclusive manipular e obrigar Rachel a fazer o que desejava. E agora, após uma
noite com o noivo da melhor amiga, Rachel acorda determinada a esquecer para
sempre o fatídico encontro, mas acaba descobrindo que sempre amou Dex. E,
apesar da amizade a Darcy, começa a perceber que ela não é exatamente o que se
espera de uma melhor amiga. À medida que a data do casamento se aproxima,
Rachel se desespera com a urgência da decisão que precisa tomar e acaba
passando por uma profunda reavaliação de sua vida, para concluir que
“certo” e “errado” são conceitos muito relativos.
Chick-Lit || 352 Páginas
||
Editora Agir || Skoob ||
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|| Classificação: 5/5
(Favorito)
Por
definição espera-se que o livro ‘O Noivo
da Minha melhor Amiga
’ entretenha sem gerar reflexões profundas por parte
do leitor, afinal trata-se de um chick-lit, um gênero literário comumente
banalizado como ‘feminista e superficial’, um estilo que para muitos é incapaz
de incitar uma discussão social ou moral. Porém, tal obra faz jus ao que o
gênero tem de melhor, provando a qualidade não só da escrita da autora, como também
dessa classe literária como um todo. Se você se pergunta a respeito do quê esse
tipo de literatura agrega ao seu público alvo, experimente ler um livro que
aborda a traição de uma forma única, confundindo seu senso de certo ou errado, fazendo-o
torcer por algo censurável, mas sem dúvidas, completamente aceitável. Ambíguo?
Sim, exatamente como cada capítulo do livro. Em alguns momentos rimos, em
outros choramos, em outros ainda torcemos ao mesmo tempo em que julgamos; á mercê
dos sentimentos descritos fica impossível não se envolver, e muito menos, deixar
de refletir sobre o quão profunda essa narrativa é.
 ‘De fato, foi assim que vivi
durante toda a minha vida. Evitando o arrependimento a todo custo. Sendo boa a
todo custo. Boa aluna. Boa filha. Boa amiga. Entretanto, tive uma súbita
epifania: o arrependimento é uma faca de dois gumes. Eu também posso me arrepender
de me sacrificar, de sacrificar meus próprios desejos em nome de Darcy, em nome
de nossa amizade, em nome de ser uma boa pessoa. Por que eu deveria ser a
mártir aqui?’

Rachel e
Darcy são melhores amigas desde os tempos de infância; compartilham memórias das
diversas fases de suas vidas como o primeiro namorado, a escolha da faculdade,
o primeiro emprego, e claro, o atual noivado de Darcy com Dex. Como amigas suas
personalidades se complementam, de forma que enquanto Rachel é centrada e
organizada, Darcy é impulsiva e pretensiosa, e de certa forma, por mais
diferentes que elas sejam não é difícil ver que são tais disparidades que impulsionam
essa amizade. Entretanto, quando Rachel acorda após sua festa de aniversário e se
depara com Dex em sua cama, esse relacionamento fica a um passo de ruir. Ela, a
boa moça, não agiu apenas contra o decorro social ficando com um homem
compromissado, ela foi além, pois dormiu com o noivo da sua melhor amiga. Mas o
pior’ não é a culpa, a vergonha, nem
muito menos a traição, o que de fato a incomoda é não se sentir culpada por essa
noite. Seria ela então, não a mocinha da história, mas sim a vilã?
Rachel,
quem dá vida a história, é o tipo de personagem que envolve o leitor. A forma
como ela vê e analisa a sociedade ao seu redor é completamente natural e
aceitável, permitindo que nos identifiquemos com ela. É fácil compreender seu
medo em ficar sozinha, as cobranças (mesmo que intrínsecas) da sociedade, seus
problemas no trabalho, e principalmente a forma como ela entende e acata as
extravagâncias de sua melhor amiga. Ela é tão real, tão humana, o que só deixa ainda mais forte os sentimentos de diversão,
emoção e compadecimento gerados pelo livro. Durante a leitura só conseguimos
torcer por ela, para que ela seja feliz, para que ela vá além de encontrar o
grande amor da sua vida, achando antes disso seu amor próprio, criando coragem
para lutar por seus sonhos.
‘-Vai ser uma decisão dele. Você não pode fazer uma
lavagem cerebral nele. Mas pode lutar por aquilo que você quer. Por que você
não está lutando por algo tão significante e importante?’
Existem
muitos pormenores que definem o triângulo amoroso narrado na obra, de forma que
são tais detalhes que dão vida a trama e que a tornam verdadeira, contudo o
ponto alto é a questão moral desse relacionamento. Ora, Rachel traiu sua melhor
amiga e Dex traiu a sua noiva, e mesmo assim, não conseguimos enxergar esse
envolvimento como algo errado. A sensação que fica é como se estivéssemos
caminhando em uma corda bamba, em alguns momentos quase pendendo para o lado moral desse relacionamento, julgando
Rachel e Dex pela traição cometida, e em outras situações quase aceitando não apenas o ocorrido, como também apostando e
torcendo por essa relação. O fato é que ficamos sem saber o que sentir, ou que
acatar como certo ou errado. Ao nos colocarmos no lugar de Rachel é impossível
não pensar ‘Vá a luta garota’, ao
mesmo tempo em que quando assumimos o papel de Darcy ficamos tentados a nos
deixar guiar pela raiva e pela frustação. Ou seja, esse é um livro complicado, emocionalmente
intenso, e que mesmo entre muito entretenimento e diversão, nos faz refletir a
respeito de inúmeros valores sociais.
Para
concluir só posso dizer que me apaixonei pela escrita da autora (ágil, fluída,
cativante, romântica), que não vejo a hora de ler outros livros dela, e que
amei cada segundo vivenciado com Rachel e Dex (sendo esse último personagem a cereja do bolo). E para aqueles que só
viram o filme – Por favor, leiam o livro!,
os encantos do filme não se comparam com a grandiosidade dessa obra.
Esse romance
faz parte do Desafio Fuxicando Sobre Chick-Lits, e foi minha escolha para o mês
de abril, com o tema de livros que viraram filme ou série de TV. Para saber
mais e ver como participar, clique
aqui.
Quotes:
 ‘(…) Mas,
quando estou com você, não fico pensando na impropriedade da nossa… relação.
Estar com você não me dá a sensação de estar fazendo algo errado. ’
Mas está errado,
protesto silenciosamente, sabendo que é tarde demais, que já me rendi. Acabamos
de atravessar uma fronteira. (…). Nada havia realmente acontecido… (…).
Nada que não pudesse ser empurrado para dentro de um armário, confundido com um
sonho, até mesmo completamente esquecido. Agora tudo isso mudou. Para o bem ou
para o mal.’
‘Tenho de Mentir. Porque o que estou pensando é: Talvez você faça mais
o meu tipo do que já cheguei a pensar.’
Capas pelo Mundo:
      
   


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15 Comentários

  • Anônimo
    10 maio, 2016

    Para mim não é balzaquiana, mas sim uma mulher que prospecta a felicidade no outro. Como uma personagem que se vitimiza da vida e sociedade e das circunstâncias. A essência do egoísmo e individualismo dentro de uma sociedade e do próprio círculo social. Asquerosa atitude é personagem

  • Mariana Fieri
    24 julho, 2015

    Oi Pah! Eu fiz a resenha da continuação, Presentes da Vida, que mostra uma outra Darcy, que muda completamente. Muito bom o livro!
    http://leituranarede.com/resenha-presentes-da-vida-de-emily-giffin/
    Bjão

  • Anônimo
    04 junho, 2014

    Eu acredito que vc não perceber que está errado a atitude dos dois se dá pelo fato que a narração do livro é da Rachel, se vc mudasse para o da Darcy vc acharia asqueroso o que aconteceu… Tudo depende do ponto de vista de quem conta a história… eu não gostei da história.

    • Paola Aleksandra
      Paola Aleksandra
      05 junho, 2014

      Concordo! Mas ainda assim, não consigo deixar de pensar que a personalidade da Darcy colabora para isso. É difícil gostar de alguém como ela, muito menos torcer para ela embarcar em um relacionamento que para ela, infelizmente, não significa amor verdadeiro. Mas entendo seu ponto de vista 🙂

    • Luiz Urameshi
      28 maio, 2016

      Não vou dizer que não gostei. Mas li o livro inteiro, e, além de a Rachel não ter me conquistado, a minha opinião sobre a atitude dela e do Dexter – por mais que a personalidade da Darcy colabore para isso – bate 100% com a sua.

      Eu também li a continuação dele "Presentes da Vida", e, apesar da personalidade da Darcy, gostei muito mais dele.

  • Karina B.
    02 maio, 2013

    Oii Pah!
    Eu amei fazer a leitura desse livro, foi o primeiro que eu li da Emily Giffin também.
    O livro é incrível! Ele consegue nos atingir de uma forma bem intensa. Por mais que pareça errada a traição do Dex e da Rachel, nos torcemos por ela.
    Eu não gostei da Darcy durante boa parte do livro, mas foi chegando ao final e eu consegui entender ela.
    Amei o livro, com toda certeza virou um dos meus favoritos!

    Adorei a resenha.
    Beijos!

  • Ana Alves
    26 abril, 2013

    Eu acho que esse livro para a listinha…Depois de ter lido "Questões do coração" dessa mesma autora, todos os livros dela devem ser megamente bons!
    Resenha excelente!
    Beijos!
    http://umlivroenadamais.blogspot.com.br/

  • Rayme
    25 abril, 2013

    vi este filme, mas foi logo que lançou, a muuuuito tempo
    nem me recordo direito da história hahaha
    e para falar a verdade não sabia que existia o livro dele, fiquei sabendo através da sua caixinha de correio! ;$

  • Pati Peña
    25 abril, 2013

    Eu amei este livro, li há bastante tempo e pretendo rele-lo em breve!
    5 estrelas para ele 😉
    Bjs,
    Pati

  • Mirelle Candeloro
    25 abril, 2013

    Eu li esse livro faz pouco tempo e amei demais!! Nunca tinha lido nada da Emily muito menos um livro tão narrativo e com tão poucos diálogos e simplesmente amei! Minha cabeça deu voltas com todas as lições de vida apresentadas na história. Sensacional. E sinceramente, não imaginei que pudesse amar tanto a continuação. Pah, leia urgente Presentes da Vida, é ainda tão lindo quanto o primeiro. Quase morri chorando e vibrando ao final. Simplesmente perfeito, uma grande história de vida. Se quiser dá uma lidinha na resenha que fiz lá no blog. Assim que puder quero ler mais livros da Emily. Ouvi dizer que Rachel, Dex e Darcy fazem uma ponta em Questões do Coração.. hehe Beijão, Mi

    http://www.recantodami.com

  • Dany
    25 abril, 2013

    Eu li apenas o outro livro, Presentes da Vida e gostei muito.
    Pretendo ler esse também, gostei muito da escrita da autora e como a história flui facilmente.
    Beijos…

  • Aione Simoes
    Aione Simoes
    24 abril, 2013

    Ah gêmea, fiquei tão feliz por você ter gostado! Como você sabe, esse é um dos meus queridinhos, então estava ansiosa por sua opinião sobre ele!
    Acho que minha relação com a leitura foi idêntica a sua, esse paradoxo de torcer e ficar na dúvida se torcer é o certo. No fim, acabei cedendo completamente ao casal, sou apaixonada por eles e eu adoro a Rachel. Na época em que li, me identifiquei, como você disse, com muitos dos sentimentos dela, então foi fácil compreendê-la e torcer por ela.
    Espero que os outros livros da Giffin te agradem também 🙂
    Beijão!

  • ✿Nessa✿
    24 abril, 2013

    Oi Pah!
    Eu gostei muito do livro e o filme eu assiti a bastante tempo, pretendo assistir de novo.

    Beijos*

  • Kézia Lôbo
    24 abril, 2013

    Nao li o livro e confesso que nao me chama muito a atenção.,.. mas parece ser bom de ler…. a resenha pelo menos deixa um gostinho de quero mais, mas mesmo assim, é um livro que nao me atrai.

  • Camila Giotto
    24 abril, 2013

    Eu não li O noivo da minha melhor amiga, estou lendo Questões do Coração da autora que conta a história da Tessa a irmã do Dex (que aparece no livro com a Rachel).

    Muito bom o livro 🙂