julho 30, 2013

[Resenha] Drácula – Bram Stoker

Este clássico escrito em 1897 já é muito conhecido do
grande público, mas esta versão tem o grande diferencial de ter sido traduzida
por Lúcio Cardoso, o que dá ao texto um valor histórico singular. A tradução
está há anos fora do mercado, sendo rara até mesmo em sebos. No romance,
Jonathan Harker é um jovem advogado enviado ao castelo do conde Drácula, na
Transilvânia. Durante a viagem, Jonathan percebe que foi envolvido em uma trama
sinistra, cheia de mistério, em que nada é por acaso, e da qual só sairá vivo
se for capaz de exterminar o poderoso conde e sua amaldiçoada sede de sangue.
Sobrenatural || 256 Páginas
||
Cortesia Editorial Record || Skoob ||
Compare & Compre ||
Classificação: 4/5
Como
uma leitora que experimentou e se apaixonou por livros de vampiros a partir da
modinha literária criada por Crepúsculo e seus semelhantes, sempre tive uma
grande curiosidade para conhecer a obra de Bram Stoker, escritor responsável
por desmistificar a mitologia vampiresca (o que fez dele um dos autores obrigatórios
na busca de inspiração sobre o tema). Além da curiosidade nata a respeito da
forma como o autor descreveu tal criatura da noite, queria saber como ele
conduziu sua história. Teria ela doses de romance? Aventura? Seria Drácula um
vampiro capaz de amar, como teimosamente ele é retratado nas obras atuais?  Para a minha surpresa, Drácula é sim um livro
sobre amor, aventura e mistérios sombrios, contudo os que vivenciam tal trama
emocionante e perigosa são as vítimas do poder desse sanguíneo e perigoso
vampiro. Nada de brilhos, beijos ao entardecer ou mocinhas prontas para amar um
vampiro, apenas a luta de homens e mulheres que buscam aceitar e combater o
desconhecido.
 “É um verdadeiro demônio. Pode tomar certas
aparências e desaparecer como a nuvem. Como agir para destruí-lo? Onde
apanhá-lo? A tarefa é rude, a luta pode ser trágica. Eu estou velho; mas eu,
que importa, no entanto vocês, que são moços, ousariam afrontá-lo?”

A trama gira em torno das vítimas
do poder do conde Drácula. O primeiro deles, consequentemente nosso primeiro
narrador, é
Jonathan
Harker, jovem que visita o conde a trabalho. Sua obrigação é ajudar o conde a
comprar uma propriedade aos arredores de Londres, casa que serve de abrigo para
o vampiro que uma vez em Londres, aterroriza a cidade fazendo novas vítimas,
muitas delas conhecidas do Sr. Harker. É nesse ponto que a história vai se
interligando, apresentando o ponto de vista de vários interlocutores que de
algum modo são influenciados pelas ações desse perigoso demônio. Nesse momento
eles não sabem com o que lidam, e por meio de suas narrativas datadas e
situadas em locais distintos, ficamos apreensivos imaginando o mal que cerca
cada um deles.
O ponto alto do livro é que ele é
todo escrito por meio de diários, cartas e recortes de jornais. Assim, vamos
sabendo das ações do conde por meio do olhar confuso e descrente de nossos
narradores, o que de fato torna tudo muito mais interessante. Além disso, a
escrita por meio de relatos faz a leitura rápida e direta, o que sem dúvidas é
um grande passo para uma obra datada de 1897. Eu mesma li o livro em algumas
horas, sem encontrar grandes problemas em seu vocabulário rico e histórico.
Indo além de uma boa narrativa e
de uma trama inteligente, temos a inserção de doses de romance e laços
fraternos, aspectos escritos de uma forma incrivelmente verdadeira e bela, como
a maioria dos livros dessa época o são. Mas, a meu ver, o grande elemento
positivo da obra é toda a base mitológica dela: Vampiros que se transformam em
morcegos; homens que quando mortos pela perda de sangue se transformam em
vampiros; a estaca de madeira, o alho, a decapitação; a maneira como eles hipnotizam
e seduzem os humanos; a figura de
Van Helsing o “caçador de vampiros…  Vários pontos que até hoje são relacionados
com os vampiros, o que torna impossível ler o livro e não se lembrar da vasta
literatura que surgiu a partir dela.
 “… todos aqueles a quem eles causam a morte
se tornam vampiros. Assim o círculo se alarga até o infinito, do mesmo modo que
os que se formam à superfície da água, quando se lança nela uma pedra.”
No geral o livro foi uma agradável
surpresa; fácil de ler, envolvente e rápido. Uma leitura mais que obrigatória
para quem gosta de livros de vampiros.
Para
ler ao som de…

Para quem leu e gostou de…
Livros de Vampiros e
Clássicos históricos diversos
Trecho Marcante:
“… Mas se a maldição se encarniça contra ela, se ela deve se tornar
(terei a coragem de pronunciar esta palavra)… um Vampiro… então eu a
acompanharei… Assim é, imagino, que o amor outrora fazia recrutas. Sim, em
vez de dormir sozinho em terra santa, quero ficar danado com ela…”
Outras Capas + aqui
  

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12 Comentários

  • Anônimo
    13 abril, 2016

    eu achei muito bom livro

  • Anônimo
    30 outubro, 2013

    Ops, eu pensei que era "Livros e sufixos" hahah.

  • Anônimo
    30 outubro, 2013

    Ajudou bastante no meu trabalho, rs. Muito inteligente o nome do seu site =) Livros, inhos, ões….

  • Karina B.
    10 agosto, 2013

    Oii Pah!
    Tenho muita vontade de ler esse livro!
    Só que nunca da certo de colocar na minha meta de leitura (isso acontece muito com os clássicos, parece que nunca tenho tempo para lê-los).
    Também sou uma viciada em vampiros a partir de Crepúsculo hahaha
    Deve ser interessante ler sobre essas "lendas" que hoje em dia não fazem mais parte dos livros de vampiros (vampiros de se transformam em morcego, o alho,…)

    Adorei a resenha!
    Beijos =D

  • Casa da Rê etc e tal...
    31 julho, 2013

    Nunca li, tenho vontade e com certeza lerei no futuro. Mas não pela "modinha" como vc falou, mas porque acho que esses "clássicos" realmente merecem ser lidos.
    bjs

  • Mirelle Candeloro
    31 julho, 2013

    Nossa Pah, sempre tive vontade de ler esse livro, principalmente porque amo o filme. Nunca vou esquecer de quando assisti o filme pela primeira vez e morri de medo, era muito pequena, foi algo que me marcou muito. Ai, agora fiquei com vontade de ler o livro!! hehe Valeu pela resenha. Beijos, Mi

    http://www.recantodami.com

  • VANESSAANGELQ
    31 julho, 2013

    Oi Nossa tudo começou com Drácula,hoje livros de vampiros viraram febre,leio livros da Anne Rice.
    Muito bem colocado que o livro tem elementos de amor, aventura e mistérios sombrios,o trecho marcante se sobressaiu mesmo.
    Adorei a escolha do vídeo da Florence and the Machine.

  • Amanda in the Bucket
    31 julho, 2013

    Dracula é realmente muito bom! Ainda vou escolher uma versão com capa bem linda pra comprar. ♥
    Amei a resenha!

    Abraços, Me in the Bucket

  • Aline T.K.M.
    31 julho, 2013

    Já li há muito (muitooooo, ainda era criança) tempo uma versão do livro resumida para estudantes de inglês. E achei o máximo, tanto que logo assisti ao filme e gostei demais também. Desde então tenho vontade de ler o texto integral do livro, e a verdade é que o tenho em português mesmo há uns três anos, mas ainda não li porque minha fila de leituras anda enorme e um pouquinho "confusa", sem muita ordem definida. Mas lerei!

    Um beijo, Livro Lab

  • Matheus Abreu
    30 julho, 2013

    Morro de vontade de ler esse livro e não adianta, apesar de qualquer outra modinha que se crie, vampiros sempre ganharão. Eu tenho o mesmo sentimento que você tinha antes de começar a ler o livro e uma das coisas que me motivou ainda mais a ler foi Shake It Out <3
    Ótima resenha.

    http://compulsivebookaholic.blogspot.com.br/

  • Daiane
    30 julho, 2013

    Oie,

    Tenho tanta vontade de ler esse livro, até pq mostra um pouco mais de verdade da lenda toda neh, kkkk adorei seua resenha .. e com certeza lerei o livro .. mas essa sua versão tem a linguagem muito antiga?
    bjs
    Se quiser da uma olhada 😀 http://www.partesdeumdiario.com/2013/07/saindo-da-rotina-gordices-i.html