outubro 13, 2016

[Resenha] Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi – Joachim Meyerhoff

Isso é normal? Crescer entre centenas de pessoas com deficiência física e mental, como o filho mais novo do diretor de um hospital psiquiátrico para crianças e jovens? Nosso pequeno herói não conhece outra realidade – e até gosta muito da que conhece. O pai dirige uma instituição com mais de 1.200 pacientes, ausenta-se dentro da própria casa quando se senta em sua poltrona para ler. A mãe organiza o dia a dia, mas se queixa de seu papel. Os irmãos se dedicam com afinco a seus hobbies, mas para ele só reservam maldades. E ele próprio tem dificuldade com as letras e sempre é tomado por uma grande ira. Sente-se feliz quando cavalga pelo terreno da instituição sobre os ombros de um interno gigantesco, tocador de sinos. Joachim Meyerhoff narra com afeto e graça a vida de uma família extraordinária em um lugar igualmente extraordinário. E a de um pai que, na teoria, é brilhante, mas falha na prática. Afinal, quem mais conseguiria, depois de se propor a intensificar a prática de exercícios físicos ao completar 40 anos, distender um ligamento e nunca mais tornar a calçar o caro par de tênis? Ou então, em meio à calmaria, ver-se em perigo no mar e ainda por cima derrubar o filho na água? O núcleo incandescente do romance é composto pela morte, pela perda do que já não pode ser recuperado, pela saudade que fica – e pela lembrança que, por sorte, produz histórias inconcebivelmente plenas, vivas e engraçadas.

Drama | 352 Páginas|  Cortesia
Editora Valentina| Skoob |
Compare & Compre: Saraiva
SubmarinoAmazon| Classificação 3/5
Quando finalmente
voltará a ser como nunca foi
me enganou direitinho. Minha
relação com o livro foi do tipo paixão a primeira vista – coloquei os olhos na
capa e na sinopse e já sabia, no fundo do coração, que amaria essa história. O
problema é que expectativas tão altas assim dificilmente são alcançadas. Imaginei
que a história focaria nos dilemas de uma criança criada em meio às
particularidades de um hospital psiquiátrico. Contudo, o livro – apesar de
trazer uma visão infantil do mundo ao nosso redor – é narrado em tom de
memórias, como se o protagonista estivesse relembrando fatos do seu passado na
intenção de justificar o presente. Ou seja, ao invés de uma trama infantil e
repleta de reflexões, encontrei um livro adulto extremamente dramático,
verdadeiramente cruel, e cheio de ponderações sobre os dilemas da vida adulta.

A trama gira em torno de Joachim, o filho mais novo (de um
total de três garotos) de um médico psiquiatra. Junto com a mãe e os irmãos, Joachim
vive em uma casa construída no terreno do trabalho do pai – o que significa que
eles praticamente vivem dentro de um hospital psiquiatra. Ser criado em meio a
pessoas especiais fez de Joachim um garoto diferente; ele viveu experiências
inusitadas e fez amizades completamente inadequadas.  Contudo, cada uma dessas pessoas marcou a vida
desse garotinho e moldou sua vida adulta. Tanto é que, a cada capítulo, ele
narra os detalhes do seu dia a dia, ilustrando a vida que teve e sua relação
com o pai (uma figura importante e muito presente na vida dos filhos). Aos
poucos, Joachim vai detalhando sua visão do mundo, as particularidades da
loucura que enxerga nas pessoas ao seu redor, a relação espirituosa que tem com
os irmãos, as surpresas reveladas pela mãe aos longos do ano, e o fato do pai
ser tanto um exemplo positivo quanto negativo. E tudo isso, essa caminhada de
anos que acompanha o personagem desde criança até a vida adulta, para
compreendermos o que ele deseja para o futuro.
O que mais gostei na obra foi da oportunidade de mergulhar
na rotina da família de Joachim. Desde criança o personagem tem uma visão
aguçada das coisas ao seu redor e, mesmo com a pureza de uma criança, narra fatos
que tocam nossos corações. Aqui, acompanhamos esse garotinho em um processo de
aceitação, de constante comparação com os irmãos, de necessidade de aprovação
dos pais, e das infinitas dificuldades típicas de um relacionamento familiar. A
trama traz muito da realidade das famílias e dos casamentos, e mostra que nem
sempre as coisas são como enxergamos, principalmente quando olhamos com os
olhos de uma criança. Joachim é do tipo de narrador que leva o leitor a
questionar suas prioridades e certezas, fazendo-nos refletir sobre quem
realmente somos quando tiramos as máscaras sociais que vestimos. Gostei disso;
gostei da reflexão, do drama, da veracidade e da narrativa simples e direta do
protagonista. Além disso, adorei o fato da história ter como pano de fundo a Alemanha
e trazer os costumes (principalmente gastronômicos) dessa região.
Entretanto, apesar de ter gostado das reflexões geradas pela
história, confesso que não consegui me conectar completamente com ela. O grande
problema do livro é que ele não possui um dilema central. De certa forma, a
obra não conta com início, meio, clímax e desfecho…Na realidade, trata-se de
uma história contemplativa, que vai trazendo várias memórias e situações corriqueiras,
que segue acompanhando o crescimento do protagonista, e que só faz sentido nas últimas
páginas. No primeiro capítulo até aprece que a leitura seguirá um fluxo normal,
porém depois disso começamos a perceber a peculiaridade da narrativa e, pelo
menos no meu caso, ficamos irritados por não encontrarmos um propósito para
ela. São capítulos e mais capítulos do dia a dia dessa família que, vistos em
totalidade, parecem não nos levar a lugar nenhum. Sendo o mais sincera
possível, digo que o fato do livro não apresentar um objetivo concreto me
incomodou tanto que várias vezes cogitei abandonar a leitura; simplesmente tive
que forçar a leitura para conseguir conclui-la.
Queria muito de ter gostado do livro, pois as mensagens que
ele traz são valiosas, mas só consegui me conectar com a trama perto do final.
E, ainda assim, não posso negar que achei a leitura carregada e cansativa. Como
disse, a obra promete valiosas reflexões, portanto vale a pena dar uma chance e
descobrir se ela vai conquistar seu coração ou não.
Beijos,


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18 Comentários

  • Fernanda Mendonça
    01 novembro, 2016

    Iiih, eu tbm me atrai pelo livro pela capa e sinopse, achando que ia ser aquela coisa singela e bonita contada aos olhos de uma criança sabe??? Agora que vc destruiu meu sonho (hahaha) eu não acho mais que eu tenha tanta vontade de ler assim

  • Lara Cardoso
    27 outubro, 2016

    Achei interessante o modo de como a história é contada.
    Tensa, parece que prende atenção, mas deve terminar com aquela sensação de ressaca literária

  • Eduarda Rozemberg
    24 outubro, 2016

    Nossa, é tão chato quando as nossas expectativas com um livro são frustradas, não é? Parece que a história até perdeum pouco o sabor. De qualquer maneira, mesmo com os pontos negativos, tenho certeza que a história me agradaria. Adoro esse tipo de tema e se tem drama é ainda melhor.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

  • Micheli Pegoraro
    20 outubro, 2016

    Oi Pah,
    Estava aguardando ansiosamente essa resenha, pois fiquei muito intrigada com esse livro desde quando vi o lançamento, a sinopse chamou muito a minha atenção. Mas que pena que o livro não é tudo o que imaginamos, essa não é a primeira resenha que leio que me deixou com o pé atrás com esse livro, sério, fiquei muito decepcionada :/ Se chegar a ler não vou ir com tanta sede ao pote, vou tentar tirar melhor proveito das reflexões da história.
    Beijos

  • Mariana Ogawa
    20 outubro, 2016

    uma história sem trama central fica mais disperso pelo menos para mim e eu acabo perdendo a vontade de ler
    mas achei interessante que o livro proporciona diversas reflexões, eu acho que vou fazer o que vc indicou dar uma chance a ele para poder descobrir as reflexões
    talvez eu leia por pedaços…

  • Adriana Holanda Tavares
    17 outubro, 2016

    Adoro livros com temáticas desse tipo, onde envolve o mundo dos que são doentes mentalmente, tem algum tipo de distúrbio ou que tratam de temas polêmicos. Mas assim como você essa capa me encantou desde o princípio junto com esse título que é pra lá de fofo. Mas fiquei triste por saber que a trama não tem uma linearidade nem algo para desenvolver com começo, meio e fim! Quero muito ler mesmo assim!

  • RUDYNALVA
    16 outubro, 2016

    Pah!
    Por vezes fico imaginando o que se passa na cabeça de vários autores, sério!
    Um enredo que poderia ser bem desenvolvido e com oportunidade de mostrar a real influência da família e da figura paterna na vida das pessoas e como suas experiências infantis levam a formação de um adulto complicado, torna-se um livro sem objetivos.
    Uma pena!
    “Prefiro os erros do entusiasmo à indiferença da sabedoria.” (Anatole France)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de OUTUBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

  • Maria Fernanda Medeiros
    16 outubro, 2016

    Poxa, tive essa mesma impressão, de que a história focaria nos dilemas de uma criança. Mas ainda bem que li sua resenha antes. Como sempre, maravilhosa! Beijos :*

  • Jéssica
    16 outubro, 2016

    Poxa vida! Qdo li a sinopse tive a mesma impressão, da história do garotinho, sanatório, amizades improváveis, talvez alguns traumas e outras experiências da criança. Até aí tudo bem que o livro seja narrado pelo garotinho já adulto. Mas não ter propósito na história… simplesmente faz o livro não ter sentido… me decepcionei em saber e a vontade de ler essa história tipo… passou… que pena!

  • Jesica Duarte
    15 outubro, 2016

    Que pena Paola, pra falar a verdade já não me chamou tanto a atenção pela capa, não é um tipo de livro que eu leio normalmente, mais que bom que alguma coisa de legal teve.

  • leidyane bispo
    15 outubro, 2016

    Só depois do nome desse livro…Bom pelo que você disse parece que faltou um pouquinho de organização, será que se fosse num formato de diário talvez fosse melhor? Agora quanto ao conteúdo, é aquele típico ditado da casa de ferreiro… pais ausentes, irmãos agindo como irmãos chatos, criança descobrindo tudo sozinha, seria legal se focasse mais a amizade com os "extraordinários".
    É, dessa vez não me comprou.

  • Ilana Rafaely
    15 outubro, 2016

    Concordo com você, pelo o que eu li na resenha o livro seria melhor se fosse contado no presente sobre a vida ''diferentona'' dessa família do que ser contada por um adulto baseado nas suas memorias. Pela sinopse achei que a história seria melhor e mesmo tendo algumas reflexões valiosas e conhecer mais sobre essa rotina em um hospital psiquiátrico acho que não leria.

  • Anna Mendes
    14 outubro, 2016

    Oi Paola! Adorei a resenha!
    Eu já havia visto este livro como lançamento no Skoob há um tempinho e, após ler a sinopse, fiquei curiosa pela leitura. Mas eu entendo o que você quis dizer. Ás vezes uma capa e uma sinopse colocam nossas expectativas nas alturas rsrs
    Após ler a sua resenha, continuo curiosa para ler esse livro, pois adoro livros que proporcionam reflexões, mas não vou lê-lo com muitas expectativas, devido aos pontos negativos que você apontou 😉
    Bjos!

  • Rônida Lorenzoni
    14 outubro, 2016

    Falar a verdade nem li a resenha, pois a capa é muito feia, me deu uma impressão ruim e desisti.

  • Bruna Lago
    14 outubro, 2016

    Oi Pah, confesso que achei a historia complexa demais! Não sei, não consegui interiorizar a sinopse e fiquei um pouco fora da perspectiva de leitura.
    Entendi que não foi una leitura 100% pra você, mas que bom que trouxe algumas reflexões. Não leio muito algo assim, nesse estilo. E também não sei se pretendo ler.
    Beijos

  • ViRô Arte e Festa
    13 outubro, 2016

    Parece uma história bem pesada mesmo, não o tipo que me cativa de início, por hora não vou adicionar aos desejados não… quem sabe um pouco mais pra frente

  • Luciana Campos
    13 outubro, 2016

    Entendo completamente o que você sentiu, Pah… Me lembrou muito de um livro pouco conhecido que eu li chamado Schroder, que também se passava na Alemanha e era uma linha reta, sem evolução ou clímax da história. Acho que nesse caso ainda não foi uma total perda de tempo por causar essa reflexão sobre a realidade de cada um.

  • Theresa Cavalcanti
    13 outubro, 2016

    A história parece ser interessante, mas só em ler a sinopse, cansei. kkkk