fevereiro 02, 2017

[Resenha] Juntando os Pedaços – Jennifer Niven

Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer o rosto das pessoas. Quando ele olha para alguém, vê os olhos, o nariz, a boca… mas não consegue juntar todas as peças do quebra-cabeça para gravar na memória. Então ele usa marcas identificadoras, como o cabelo, a cor da pele, o jeito de andar e de se vestir, para tentar distinguir seus amigos e familiares. Mas ninguém sabe disso — até o dia em que ele encontra a Libby. Libby é nova na escola. Ela passou os últimos anos em casa, juntando os pedaços do seu coração depois da morte de sua mãe. A garota finalmente se sente pronta para voltar à vida normal, mas logo nos primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa de seu peso e vai parar na diretoria. Junto com Jack. Aos poucos essa dupla improvável se aproxima e, juntos, eles aprendem a enxergar um ao outro como ninguém antes tinha feito.

Jovem Adulto |392 Páginas
| Cortesia
Editora Seguinte| Skoob |
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SubmarinoSaraivaAmazon| Classificação: 5/5
Uma das características mais marcantes da escrita da Jennifer Niven é que
seus livros sempre geram valiosas reflexões – principalmente quando o
assunto é bullying e aceitação. Os personagens criados pela autora não são comuns
(pelo menos não no sentido do que a nossa sociedade preconceituosa considera
comum) e, exatamente por esse motivo, incitam no leitor uma vontade de lutar por
um mundo livre intolerância e prejulgamentos. Amo livros que falam sobre
pré-conceitos, diversidade cultural e amor próprio. Em uma era em que as
minorias são oprimidas e ser diferente é motivo de exclusão, precisamos de
histórias que ajudem a construir uma sociedade mais justa e fraterna. Por isso
é dito e feito: sempre acabo apaixonada pelos livros da Jennifer.

Libby estava afastada da escola há anos, mas agora finalmente está pronta
para encarar os desafios do ensino médio – tudo o que ela quer é encontrar
amigos e até mesmo um possível namorado, mostrar seu talento ao entrar para o
grupo de dança da escola e, principalmente, construir uma nova imagem e
abandonar de vez a garota que foi no passado. O problema é que logo nos
primeiros dias de aula ela vira alvo dos valentões da escola. Nesse ponto Libby
percebe que sempre será conhecida como a
garota
gorda
, aquela que não pode ser feliz, que nunca é chamada de bonita, e
aquela – como ela foi anos atrás – que acabou presa dentro de casa sem
conseguir se mover. Um dia Libby foi a garota que precisou de um guindaste para
sair da própria casa, mas mesmo depois de enfrentar suas inseguranças e
emagrecer mais de cem quilos, ela continua encontrando pessoas que só se
importam com o que uma balança diz. Do outro lado dessa história temos Jack, um
dos garotos mais populares do colégio. Ele é bonito, carismático, namorado da
garota mais temida e linda da escola, e um dos maiores praticantes de bullying
do pedaço. Ele é o maioral, e para isso vai na onda de amigos e faz de tudo
para manter sua imagem de popular – nem que isso signifique magoar e excluir
pessoas. O único problema dessa história é que Jack tem
prosopagnosia, uma doença que não deixa que ele reconheça rostos (de
ninguém, nem mesmo o dele). Para fingir que é
normal e não deixar descobrirem sobre a doença, Jack age como um
babaca. Tanto é que é através do bullying que ele e Libby irão se aproximar. E
o que começa com preconceito e exclusão, vira uma linda história de perdão,
amadurecimento e amizade.
Sem dúvida o que mais cativa na história é a personalidade de Libby e
tudo o que essa menina incrível representa. Quando mais nova Libby sofreu um
grande trauma e usou a comida como válvula de escape. Como resultado de suas
escolhas a jovem acabou engordando muito, ao ponto de viver dentro do quarto
sem conseguir se mexer. Mas anos depois ela é uma nova garota; alguém que aprendeu
a entender o valor da comida, a não ocultar seus sentimentos – principalmente quando
quer diminuir a ansiosidade através da comida – e, o que é mais lindo de tudo,
a amar seu corpo e sua história de vida. Libby pesa 160 quilos (ela emagreceu
136 quilos nos últimos anos), é linda, inteligente, engraçada, uma ótima dançarina,
e dona do próprio destino. Algumas vezes o mundo faz com que ela se sinta
insegura e feia, mas esses momentos são superados por anos de terapia que a
ajudaram a entender que o problema está nas pessoas, e não nela. Libby é um
exemplo de amor próprio e de coração bom. Foi incrível a mensagem que a
personagem quis passar: você é linda, independente do que digam, dos olhares
intimidadores, das piadinhas, e dos padrões ridículos impostos pela indústria
da moda. Libby é encantadora, bela por dentro e por fora, e a cada vitória ela
me fez chorar, rir, vibrar e torcer enlouquecidamente por seu final feliz. Além
de tudo, ela me mostrou como é importante se deixar guiar pelo coração e a não
dar ouvidos ao que falam que uma mulher deve ser ou ter para ser bonita. AMEI
essa personagem, sua história e como ela cresce ao longo das páginas.

— Por que as pessoas se preocupam tanto com meu tamanho? Ela não
responde, só pega minha mão e segura. Bailey não precisa responder, porque não
existe resposta. Só que apenas as pessoas pequenas — pequenas por dentro — não
aguentam o fato de alguém ser grande.

Jack também é um personagem encantador. Ele representa o ponto de que, ás
vezes, os valentões também precisam de uma segunda-chance. Além disso, sua
doença – e a forma dura e cruel dele lidar com ela – é extremamente tocante e
emocionante. – Já pensou acordar de manhã e não reconhecer o próprio rosto? Já
imaginou amar alguém de todo seu coração mas, ainda assim, não reconhecer essa
pessoa em uma multidão? Jack traz uma perspectiva de mundo diferente e marcante,
e eu amei isso. Amei sair da minha zona de conforto a prender mais sobre a prosopagnosia. Da mesma forma que amei conhecer
Jack, suas inseguranças, seus problemas familiares, e as pequenas coincidências
que unem sua história com a de Libby.
Uma coisa importante a dizer é que, apesar dos temas complexos e desses
dois personagens tão maltratados pela vida, Juntando
os Pedaços
é uma história fofa e divertida sobre o amor – tanto o amor por
si mesmo, quanto o amor doce e jovem que começa no ensino médio. Quem já
conhece a escrita da autora pode acabar esperando que esse livro seja tão obscuro
e dramático quanto Por Lugares Incríveis.
Contudo, saliento que apesar de falar sobre temas difíceis o livro é, antes de
qualquer coisa, jovem e leve. Mas isso não significa que ele peque em
profundidade ou em reflexão, muito pelo contrário. Em suma, só posso dizer que
vale muito a pena dar uma chance para esses personagens carismáticos e
marcantes. Amei demais!
Beijos,

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17 Comentários

  • Girlene Viey
    15 fevereiro, 2017

    É uma linda historia. Principalmente na parte que Libby e Jack se junta para resolver seus problemas, acho que ninguém merece ficar sozinho nesta situações da vida. Acho bullying que aborta o livro, ajuda ainda mais agrega o livro. Já que é algo comum que não deveria ser. Acho que a conexão deles para lidar com os problemas é inspirador para quem ler. Adorei a resenha, e sem duvida quero acompanha essa historia lida algum dia

  • Lara Cardoso
    07 fevereiro, 2017

    Puxa, não conhecia o livro, mas confesso que fiquei encantada com tudo que li acima. Andam aparecendo muitas histórias assim, sobre preconceito, discriminação e dilemas, muitas vezes, criados pelos próprios personagens ou impostos por uma sociedade muito cruel.
    Vai para a lista de desejados com certeza!!!
    Beijo

  • Unknown
    07 fevereiro, 2017

    Eu não sabia exatamente nada sobre "Juntando os Pedaços" e fiquei muito curiosa depois de ler essa resenha maravmaravilhosa!, também nunca tinha ouvido falar sobre a prosopagnosia e fiquei muito curiosa!
    Gosto muito da escrita da autora e espero amar esse livro!

  • Theresa Cavalcanti
    06 fevereiro, 2017

    Já quero esse livro! Parece ser muito incrível.

  • Palavras e Notas
    05 fevereiro, 2017

    Nunca li nada da autora, apesar de morrer de vontade de ler Por Lugares Incríveis *—*

    Este também me pareceu convidativo, apesar da sinopse e da capa não terem me agradado tanto, seus comentários positivos acerca da obra me fizeram adicionar a mesma à listinha :3

    Há elemtnos destacados por você que me chamaram bastante atenção, entre eles, o modo notável como a personagem cresce ao longo da história.

    Parabéns pela resenha! :33

  • Bruna Lago
    04 fevereiro, 2017

    Oi Pah, o título do livro foi incrivelmente coerente com a história ne? Com certeza a lição que ele traz é linda e merece ser lida. Quando os livros trazem uma reflexão de algo que atinge a sociedade tão fortemente, sempre fica aquela sensação de dever cumprido e que podemos ajudar alguém que passa por aquilo também. Já me encantei por esse livro , por tudo que ele traz e representa .

  • Leticia Golz
    04 fevereiro, 2017

    Oi, Pah
    Que linda resenha como sempre! Esse livro parece ser mesmo muito mais que fofo. Não imaginava tanto essa carga gostosa de superação e autoaceitação. Acho que esse livro seria para mim. Sabe que o meu maior problema comigo mesma é que sou magra demais? É ao contrário. As palavras das pessoas às vezes pesam muito, e elas nem se dão conta. E todos esses padrões impostos pela sociedade.
    Adoraria fazer essa leitura. Suas palavras já me tocaram, imagino as do livro.

  • Fernanda De Mello
    03 fevereiro, 2017

    Já esta na lista de compra… super curiosa para ler

  • Evellyn Mendonça
    03 fevereiro, 2017

    Oii Pah, também amo livros que falam sobre pré-conceitos e amor próprio, por isso fiquei com muita vontade de ler.
    Fiquei curiosa para conhecer mais sobre prosopagnosia, não da nem pra imaginar, como seria não reconhecer os rostos das pessoas a nossa volta.
    Parece ser um livro muito bacana.
    Bjs

  • Lili Aragão
    03 fevereiro, 2017

    O livro parece ser bem sensível e bonito. Acho importante lermos livros que nos façam refletir de vez em quando e nos tragam questionamentos, que nos façam pensar no outro e esse parece ser o caso desta história, só lendo a resenha já criei uma empatia tanto por Libby, a quem se quer proteger, quanto por Jack, aquele que queremos ajudar. Não conhecia essa doença que impede de reconhecer outras pessoas, e só posso imaginar o quanto deve ser difícil. A história é sobre adolescentes mas os temas abordados ultrapassam gerações e tô bem interessada em conhecer o livro 😉 Linda resenha, parabéns!

  • raquel rodrigues
    03 fevereiro, 2017

    Oiii ! quero muito ler esse livro, é um livro que realmente nos traz reflexão, hoje em dia muitas pessoas rotulam outras pessoas por causa da aparência, por ser muito gorda, ou muito magra, e não se importam com a sua essencia, o que há dentro deles, que é o que realmente importa, só de você falar de Libby já me apaixonei por ela, e fico feliz que ela tenha conseguido ter amor próprio, e adorei o fato de ela ser uma boa dançarina, adoraria conhece-la e pegar umas dicas de dança com ela, e Jack também parece ser um garoto que se goste muito e fiquei super curiosa pra saber como a conexão entre eles começam, tenho certeza que vou morrer de amores por esse livro!! quero muito ler ele.

  • RUDYNALVA
    03 fevereiro, 2017

    Pah!
    Bom ver uma personagem que apesar de todo preconceito consegue ter personalidade forte e seguir em frente e mais, encontrar alguém que também sofre de preconceito (por outro motivo) e ambos acabarem se entendendo e construindo um relacionamento que fará bem para os dois.
    “Um saber múltiplo não ensina a sabedoria.” (Heráclito)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de FEVEREIRO, livros + KIT DE MATERIAL ESCOLAR e 3 ganhadores, participem!

  • Thaynara ribeiro
    02 fevereiro, 2017

    Meu Deus que forma dura e cruel Jack tem para lidar com a doença???? Estou imaginando mil coisas terríveis
    Amei a resenha e quero conhecer os dramas. Fico imaginando pq o Jack faz bullyng sendo que ele próprio tem algo a esconder

  • Caroline Garcia
    02 fevereiro, 2017

    Se sua resenha me deixou ainda mais animada pra ler esse livro?
    Sim, claro ou com certeza? rsrs
    Não li nenhuma obra da autora ainda, mas já tenho algumas na minha listinha de desejados.
    Juntando os Pedaços parece ser uma história incrível e muito emocionante.
    Que consegue tocar e prender o leitor de uma forma bem bacana.
    A escrita da autora parece ser muito boa também e mal vejo a hora de conferir, sério!
    Beijos,
    Caroline Garcia

  • Priscila Silva
    02 fevereiro, 2017

    Esse livro é incrivelmente maravilhoso. Deveria ser leitura obrigatória para muitas pessoas.

    Concordo com você, Pah, a Jennifer sempre geram valiosas reflexões. Adoro a forma como ela trabalha com temas tão pesados mas com uma escrita tão leve. Sou apaixonada pelos livros dela!

    Adorei a resenha!

    Beijos

  • magomes8
    02 fevereiro, 2017

    Nossa, amei o tema do livro, não é uma leitura que me prende, por isso quase nunca leio este gênero, mas vou dar uma chance para ele!

  • Thais soares
    02 fevereiro, 2017

    Não conhecia o livro, mas confesso que fiquei encantada com tudo que li acima. Andam aparecendo muitas histórias assim, sobre preconceito, discriminação e dilemas, muitas vezes, criados pelos próprios personagens ou impostos por uma sociedade muito cruel.
    Vai para a lista de desejados com certeza!!!
    Um abraço