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julho 18, 2017

[Resenha] A Guerra Que Salvou a Minha Vida – Kimberly Brubaker Bradley

Por Paola Aleksandra

Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando. Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor. Kimberly Brubaker Bradley consegue ir muito além do que se convencionou chamar “história de superação”. Seu livro é um registro emocional e historicamente preciso sobre a Segunda Guerra Mundial. E de como os grandes conflitos armados afetam a vida de milhões de inocentes, mesmo longe dos campos de batalha. No caso da pequena Ada, a guerra começou dentro de casa. Essa é uma das belas surpresas do livro: mostrar a guerra pelos olhos de uma menina, e não pelo ponto de vista de um soldado, que enfrenta a fome e a necessidade de abandonar seu lar. Assim como a protagonista, milhares de crianças precisaram deixar a família em Londres na esperança de escapar dos horrores dos bombardeios. Vencedor do Newbery Honor Award, primeiro lugar na lista do New York Times e adotado em diversas escolas nos Estados Unidos.
Juvenil; 2ª Guerra Mundial | 240 Páginas|  Editora DarkSide Books| Skoob | Compare & Compre: SaraivaSubmarinoAmazon| Classificação 5/5
Já disse várias vezes que amo livros narrados por crianças, não é mesmo? Adoro a maneira sincera que esses personagens descrevem o mundo, indo contra os pré-conceitos da sociedade e simplesmente seguindo seus corações. Portando, já adianto que amei Ada e Jamie – os protagonistas de A Guerra que Salvou a Minha Vida – desde o primeiro instante. Existe algo de peculiar, e incrivelmente cativante, na personalidade desses dois jovens. É através deles que mergulhamos em uma história direta, dolorosa e incrivelmente madura, afinal estamos falando da Segunda Guerra Mundial e das consequências que essa batalha gerou. Eles são apenas crianças, mas mesmo assim mostram a crueldade por trás da guerra, emocionando, chocando e incitando no leitor a vontade de transformar nossa sociedade e acabar, de uma vez por todas, com as disputas políticas movidas pela ganância e sede de poder.

Ada e Jamie vivem em Londres, ao lado da mãe, mas apesar de terem um teto sob suas cabeças (e pão e chá no final do dia) eles não sabem o que significa ter um lar. Ada sofre ainda mais que Jamie, pois além da vida precária também tem que lidar com os abusos da mãe – que a discrimina e castiga pelo fato da filha ser especial. Ada tem o pé torto e, exatamente por não conseguir andar, passa o dia todo trancada dentro de um apartamento, espiando pela janela a vida lá fora. Além disso, Ada faz tudo o que a mãe pede: cozinha, limpa, cuida do irmão mais novo, e fica quietinha no armário escuro e cheio de baratas quando foi uma menina má e desobediente. Entretanto, uma grande Guerra surge e muda completamente a vida desses dois. Com Londres sobre a mira dos alemães, as crianças inglesas viram refugiadas de guerra e precisam seguir para o interior, para viver em casas provisórias e aparentemente mais seguras. E o ponto é que o que para muitos seria um pesadelo – abandonar seus familiares e viver em um lar sem amor – para Ada e Jamie é uma salvação. Fugir para o interior levará esses dois para uma casa com refeições regulares, roupas novas e quentinhas, nada de castigos e surras e, o principal, uma relação de mão dupla sobre cura, recomeço e amor fraternal. É no interior, longe da Guerra que domina as ruas de Londres e dos abusos da mãe, que Ada e Jamie vão descobrir o que significa fazer parte de uma família.
Preciso dizer o quão incrível a Ada é. Foi paixão à primeira vista; fiquei encantada com a força dessa garotinha e com todos os sentimentos que ela transmite. Acompanhamos a inconformidade dela perante a mãe (no sentido de não ser amada e querida por ela) e perante a sociedade (no aspeto de não ser igual às outras crianças); também vemos a raiva aflorar quando a mãe bate, castiga e grita com seus filhos, e até mesmo quando Jamie assume uma rotina independente e colabora, mesmo sem querer, para a solidão de Ada; ainda vemos a curiosidade (em saber e aprender mais), a coragem e o amor entre irmãos; mas vemos principalmente o medo e a desconfiança. Ada é inteligente e perspicaz, mas também é extremamente desconfiada. Mesmo quando é acolhida em uma nova casa, por uma mulher decidida a ajudar essas crianças, a garotinha tem certeza de que coisas ruins vão acontecer. – E sabe por qual motivo? Porque ela é má, porque cresceu ouvindo a mãe dizer que era um monstro, que não era normal, que era um castigo ambulante e que era uma criança que não merecia uma vida comum. Dói ver o peso das mágoas que essa garota carrega nos ombros. Dá vontade de gritar com todos que já colaboraram para que ela se sentisse tão triste. E acho que exatamente por isso, por Ada ser tão palpável e cativante (e por sua história espelhar a de muitas crianças espalhadas pelo mundo), que torcemos por ela e vibramos por suas pequenas conquistas. Tudo o que eu queria era que a guerra durasse tempo suficiente para que Ada fosse curada (pode dentro e por fora). Pode parecer egoísta, mas é a verdade.
“Burra. Retardada. Educável. Zelosa. Eram só palavras. Eu estava tão cansada de palavras sem sentido." 
E não é só Ada que encanta com sua jornada de luta e superação. Temos: um garotinho que, mesmo marcado pela indiferença da mãe, sente falta de tê-la ao seu lado; uma cidade do interior tomada por homens fardados e por crianças refugiadas; adultos amedrontados pela constante ameaça da guerra; e, meu preferido, uma mulher forte o suficiente para vencer a depressão – ou a solidão e o luto, mais especificamente – na intenção de cuidar de duas crianças que foram parar por engano em sua casa. Susan, a “mãe provisória” de Ada e Jamie, não queria ter que cuidar de ninguém; ela não achava que era capaz de manter duas crianças, mas no final escolheu lutar por elas e acabou encontrando, além de uma nova família, a cura que tanto precisava. Sério, trata-se de uma história cheia de personagens fortes, reais e com histórias dolorosas. Foi impossível não amar cada página e cada figura desse livro.
Acho importante dizer que a obra tem como público os jovens leitores – Ada tem dez anos, então sua narrativa mais infantil e direta, ou seja, perfeita para leitores iniciantes. Ainda assim, esse é o tipo de livro que todo mundo deveria ler. A trama é emocionante, sincera, real e impactante. Terminei a leitura um tantinho quanto modificada por essa garotinha que, mesmo depois de levar vários tombos da vida, encontrou forças para lutar e perdoar. Leiam, é LINDO!

Beijos,



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19 comentários:

  1. Pah estou exatamente na metade deste livro maravilhoso..sempre gostei de leituras fortes,Mas como todos estavam encantados com esse livro resolvi ler...me surpreendi desde o começo.
    E um relato incrível, e como você disse a história dessa garota espelha a de muitas crianças..acho que isso é o que acaba mexendo muito conosco na leitura.
    Enfim ainda falta a metade mas tenho certeza que pelas emoções que me despertou até agora vai entrar pra minha lista de favoritos...beijos.

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  2. Indico meu livro.
    https://m.youtube.com/watch?v=s4kBWkMj8Zc

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  3. Oi Pah!
    To com muita vontade de ler esse livro. Também adoro livros narrados por crianças *-* A Ada me lembrou um pouco a Liesel em relação a vida das duas e um pouco da personalidade. Se pelas resenhas que eu li, eu fiquei com muita tristeza e raiva pela forma que a Ada é tratada, imagina lendo a história dela. Mesmo assim, ela consegue enxergar coisas boas em uma guerra.
    Adoro temática de guerra, porque sempre me emociono com as histórias.
    Espero ler logo *-*

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  4. Ei Pah!
    Amei sua resenha! Confesso que não tenho costume de ler livros narrados por crianças, mas estou recebendo tantas indicações deste livro que estou muito tentada a ler!!! E essa capa tá lindaaaaa!!!
    Beijos Pah!

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  5. Que sinopse tão bonita e triste ao mesmo tempo. Vemos tanto sofrimento pelos olhos de uma garota, com certeza esse livro deve tocar a nossa alma.
    Além de tudo, vem com um assunto que é tão importante mesmo depois de anos que terminou. A Guerra sempre vai ser lembrada pela crueldade e tantas mortes, então imagino que enxergar isso pelos olhos dos pequenos personagens seja único !
    Lendo sua resenha, o coração chega aperta de tanta dó da personagem, poxa, sentimos o quanto ela sofre e o quanto merece uma vida melhor; realmente, muitos ficam tristes quando têm que sair de suas casas, mas percebemos que para esses dois será uma salvação dos abusos que sofrem.
    Achei super lindo e tocante, algo que merece ser lido. Abraços

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  6. Esse é um dos livros que eu quero muito, não só ler mais, também, ter um exemplar. Estou fascinada pela história da Ana e, muito comovida pela vida deprimente que ela tem passado dentro da própria casa com apenas dez anos de idade. Uma criança que por ser especial, é discriminada pela própria mãe, é um peso exorbitante, pois se nem a família a aceita como ela é, o que dirá a sociedade. A presença da guerra vai marcar a vida da criança, pois vai mudar o rumo das sua história e eu fico cada vez mais ansiosa e na expectativa de descobrir o que a Ana passou tanto para poder, se é que teve, alguma mudança significativa e prazerosa na vida.
    Adorei a resenha, me deixou mais ansiosa, com mais sede de ler esse livro, que para eu parece ser fantástico.
    Beijos!

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  7. Desculpa por colocar Ana ao invés de Ada no meu comentário, mas acontece que meu teclado trocou as letras de uma hora para outra kkkkkk...beijos!

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  8. Pah!
    Gosto muito de livros que tem como pano de fundo a guerra e ver uma protagonista tão inocente, inexperiente e sem amor, já que a mãe que deveria amá-la e ensiná-la, não o faz, traz uma história linda de conhecimento e superação que quero poder apreciar.
    “Educar é semear com sabedoria e colher com paciência.” (Augusto Cury)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JULHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  9. Que resenha mais lindinha, Pah! Sério, gosto muito de livros que retratam as Guerras Mundiais, não pelas guerras em si, mas sim por toda as histórias que se podem criar em volta delas. Amei conhecer um pouquinho sobre a Ada, e creio que ela seria o tipo de personagem pela qual eu me apegaria só pelo simples fato de ser uma criança hahaha <3 acho que todos os livros que li onde havia crianças narrando, no final de tudo acabei derramando um horror de lágrimas.

    Resenha impecável, como sempre. <3 beijo, Pah!

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  10. Também AMO histórias protagonizadas por crianças Pah, o ponto de vista inocente desses personagens sempre trazem valiosas mensagens e nos fazem refletir. Não é segredo que também amo livros com cenário da Segunda Guerra Mundial, são histórias intensas e extremamente cruéis, mas me emocionam e tocam o meu coração.
    Então é claro que estou super ansiosa para ler essa obra e conhecer a história dessa garota tão cativante. A Ada vai me conquistar logo nas primeiras páginas, e no final, ao acompanhar a sua jornada de recomeço juntamente com o seu irmão, ela vai me encher de esperanças e inspiração.
    Linda resenha Pah, não vejo a hora de ler essa história especial e impactante.
    Beijos

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  11. Eu já tinha lido algumas resenhas desse livro, mas é sempre bom ver o que você tem a dizer Pah!
    Ele está na minha listinha(tona). Espero poder comprar logo!
    Bjs

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  12. Esse livro é a coisa mais linda que li nos últimos tempos!

    Gosto muito de livros com essa temática, embora muitas vezes existam livros que acabam "sufocando" e se tornando maçante. Porém, com esse livro é totalmente diferente. A guerra não é exatamente o foco principal.

    Em diversos momentos quis segurar Ada no colo e dizer que tudo ficaria bem. Impossível não sentir as suas dores, não ficar feliz por suas pequenas vitórias.

    A sua resenha traduz exatamente os meus sentimentos em relação à "Guerra que Salvou a Minha Vida".

    Beijos

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  13. Amo livros que tem ambientação na Segunda Guerra. Meu preferido - claro - é a Menina Que Roubava Livros, já o li mais de uma vez e ainda não encontrei um livro que me emocionasse e encantasse tanto quanto esse.
    O último que li que a história ocorria na Segunda Guerra foi "O Orfão de Hilter". Também é narrado por uma criança - um menino - e achei muito bom.

    Esse da resenha ainda não tinha ouvido falar, mas obviamente, já entrou pra wishlist!

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  14. Li a amostra desse livro e já fiquei apaixonada <3
    A edição parece linda, afina né, é da Darkside. Amo livros com panos de fundo históricos e esse parece que vai me emocionar bastante. Adorei a resenha!

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  15. Olá Pah!
    Livros que os personagens são crianças realmente são muitos fofos e ainda mas sendo nessas épocas de guerra, eu já li um livro que uma criança conta sua visão sobre a guerra, de como sobreviveu a isso e realmente e muito impactant, você sofrer junto com o personagem. Esse livro e muito maravilhoso, e amo livros assim que tem a visão de uma criança, além de ver seu sofrimento, vemos sua evolução e a visão sobre essa época. Com certeza mereçe ir para lista de leitura.

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  16. Oi, eu jurava que essa história era toda sobre sofrimento - talvez por causa da guerra - não sabia que eles encontravam uma família.
    Não tinha muita vontade de ler, mas isso mudou já vai pra minha lista.

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  17. Não conhecia esse livro, mas achei a premissa linda demais, deve ser uma história emocionante! Além disso, sua resenha ficou incrível, muito bem escrita e direta, amei!

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