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setembro 19, 2017

[Resenha] Sorrisos Quebrados – Sofia Silva

Por Paola Aleksandra

Sorrisos Quebrados gira em torno de três personagens: a jovem Paola, a pequena Sol e seu pai, André. Os três são vítimas de violências distintas, que deixaram marcas profundas em cada um. Trata-se de uma história de superação de dores, magia, estrelas e de como importantes laços humanos podem se formar a partir da autoaceitação, da arte e da tolerância no cotidiano.
Romance Contemporâneo  Editora Valentina • 240 Páginas • Classificação: 5/5 
Compre: Saraiva • Amazon Skoob  

Ainda surpreendo-me com o quanto vocês me conhecem. Na época em que Sorrisos Quebrados virou fenômeno de vendas na Amazon recebi dezenas de e-mails e comentários indicando a história de Paola e André (lembro de ter lido várias vezes a frase da protagonista ser uma Paola e de vocês terem associado nossos nomes). Por isso, quero começar essa resenha dizendo muito obrigada. Sou grata aos comentários e indicações de vocês, principalmente porque depois de tantos apelos dei uma chance para essa história e, como já era de se esperar, acabei completamente apaixonada.


Paola é uma vitoriosa. Ela começa o primeiro capítulo narrando o dia em que tudo mudou: quando a violência cometida pelo marido chegou a níveis absurdos e quase tirou sua vida – por um momento, Paola acredita que morreu e que a dor chegou ao fim. Entretanto, ao final desse capítulo mergulhamos no presente, momento em que a jovem está em uma clínica de recuperação em São Paulo, tentando dia após dia superar os anos de trauma, espancamento e abuso. Graças ao tratamento médico, Paola encontrou diversas maneiras de esquecer o que o marido fez com ela, mas ainda existem bloqueios dolorosos que a mantêm presa a ele: a imagem que vê no espelho e cada cicatriz que marca e deforma seu rosto; a lembrança dos tapas, chutes e socos; a insegurança de sair da clínica e enxergar nos olhos dos outros sua feiura e imperfeição; e, principalmente, o medo de confiar e amar – ainda mais quando o assunto são homens. O fato é que o tempo de tratamento curou muita coisa do coração dessa mulher, mas existem feridas que precisam ser enfrentadas, e isso só acontece quando André e Sol aparecem em sua vida. Pela primeira vez em anos Paola vai colocar a segurança de outra pessoa em prioridade e, ao se entregar em nome da felicidade de uma garotinha, vai descobrir como quebrar as amarras que a prendem na escuridão do passado.
André é o segundo narrador dessa história (que é contada em primeira pessoa de forma intercalada entre mocinho e mocinha). Ele visita a clínica por conta de sua pequena filha, a Sol, e em uma dessas expedições tem o caminho cruzado com o de Paola. Entre eles vai existir desconfiança, medo – porque um relacionamento, mesmo que seja uma amizade, pode ser motivo de dor para ambos – e, perigosamente, um desejo físico incontrolável. Unidos pela força desse sentimento, Paola e André encontrarão um no outro o que mais precisam. E isso significa que a autora trabalha com algo que eu adoro: o poder de cura que só o amor tem. Mas o mais maravilhoso é que entre o casal não existe um amor idealizado que apaga tudo, mas sim um sentimento que dá a eles força suficiente para lutar, mesmo quando a dor é insuportável. Através desses dois percebemos que a fé no amor, mesmo quando não apaga o passado, é capaz de mover montanhas e construir caminhos para um futuro feliz e belo.

O livro me prendeu do começo ao fim. Comecei a lê-lo com lágrimas nublando a visão e o coração angustiado, e terminei em lágrimas novamente, mas dessa vez de felicidade e esperança. A história traz uma mensagem belíssima sobre amor próprio e perdão. E reflete uma realidade dura e real, como a das milhares de mulheres presas em um casamento de fachada, cheio de dominação e agressão. Paola é extremamente palpável, e acho que isso que torna sua história tão cativante e emocionante. Sofri muito com suas inseguranças e emoções. Assim como vibrei com cada uma de suas vitórias: sentir-se desejada, aceitar seu corpo e os inúmeros significados de beleza, decidir confiar e arriscar, e aceitar o passado para seguir em frente. A Paola foi abusada de tantas formas, aprendeu com seu marido que era tão inadequada e feia, que precisou de muita ajuda para olhar no espelho e enxergar um corpo natural, real e seu. Senti que esse toque trouxe algo muito importante para o livro e que vejo a necessidade de frisar: não importa o que o mundo diga – marido, colegas, amigos, familiares e até mesmo revistas de moda – é como você se enxerga que define o que é ser bonita ou não.
Outras coisas bonitas do livro: o toque artístico (Paola pinta, então a trama tem um teor de cores, telas e tintas que brilham no escuro); a história que André tem para contar (que também aborda outros temas tabus e dolorosos); as cenas sensuais (que refletem amor, libertação e desejo – e tudo de uma maneira suave e nada apelativa); e uma das crianças mais fofas e maravilhosas do mundo literário. Sério, Sol é maravilhosa! Gostaria muito de vê-la como protagonista de uma das próximas histórias da Sofia.
Acho importante dizer que a autora tem uma narrativa emocionante e direta. Por isso o livro é tão impactante e rápido de ler, são capítulos certeiros e sem muito vai e vem. E eu gostei disso, gostei da narrativa ser mais fluida e rápida e, principalmente, dessa característica não diminuir a força da mensagem por trás da história. Porque mesmo que eu a tenha devorado, sem dúvida a levarei comigo para onde quer que eu vá. Paola me ensinou que enxergar a beleza através dos olhos de outras pessoas pode sim nós ajudar a curar traumas e dores, que não adianta o tamanho do seu tombo porque você sempre será capaz de se reerguer e, principalmente, que o mundo é feito de segundas chances e que vale a pena arriscar e recomeçar.
Amei o livro, muito. Foi impactante, real e extremamente emocionante conhecer esses dois personagens. Também amei encontrar a Sofia pessoalmente (viram no último vlog da Bienal?) e ver o quanto ela é uma pessoa iluminada. Espero que minhas histórias, assim como as dela, espalhem pelo mundo essa mensagem tão linda de pertencimento, beleza real e alcançável, e amor.

Beijos, 




Comentários via Facebook

11 comentários:

  1. Ótima resenha. Livro com um tema atual, pois temos muitos casos de violência contra a mulher no nosso país, infelizmente. Portanto, é importante ler sobre o tema e essa é uma boa forma de pensar nessas questões, através da literatura.
    Abraços

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  2. Acho que tenho que estar preparada emocionalmente, para ler esse livro, pois promete muitas lágrimas.A capa e a edição ficaram lindas.

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  3. Li semana passada e não consigo parar de pensar nele, preciso de um romance de época para tirar minha ressaca, me indica um? De preferência um que não seja um mocinho libertino ou da aristocracia.

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    1. Não me esqueças e Herói nas Higlanders - ambos mocinhos BEM diferentes <3

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  4. Que resenha mais linda!! Eu já estava ansiosa para ler o livro, agora estou desesperada pela história vou pedir a uma amiga emprestado.

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  5. Pela sua resenha me pareceu uma história muito interessante. Nunca tinha ouvido falar antes, mas gostei!

    Beijo Pa <3
    http://www.aquariando.com.br/

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  6. Amei a resenha!! Parece aquele livro que envolve, te faz aprender, refletir, se colocar no lugar do protagonista e torcer junto.

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  7. Pah, amei a resenha!! Só por ela já vou adicionar na minha lista logo. Super Beijo

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  8. Pah!
    Bem pontuado todos seus questionamentos e ainda acrescento que essa ideia de que está tudo bem com a magreza dela, quando está ao lado dele, me passa a impressão de dependência. E se algo não der certo no relacionamento e ele terminar, como ela ficará? Ainda mais traumatizada, né?
    Gostaria mesmo assim de ler para apreciar como todo tema foi desenvolvido.
    Fico feliz que tenha estado ao lado da autora na Bienal e pode até autografar seu livro.
    “O primeiro passo para a cura é saber qual é a doença.” (Provérbio Latino)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE SETEMBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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    1. E no início tem mesmo esse lado de dependência, mas aos poucos - essa força que ele incita nela - faz com que a protagonista se liberte de tudo e de todos. Acho que por isso que gostei, porque ela precisou de alguém para mostrar que era linda, mas no final conseguiu, sozinha, escolher como se enxergar ♥

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  9. Ahhhhhhh meu Deus! Eu já estava ouvindo falar desse livro horrores e agora estou com muita vontade de ler. amo de paixão suas resenhas Pah e encontro inspiração nelas <3 Amo temas como esse, sobretudo quando o autor alcançou a medida certa para escrita de assuntos tão delicados! Um abraço =)

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