janeiro 25, 2018

[Resenha] O Silêncio das Águas – Brittainy C. Cherry

Quando a pequena Maggie May presencia uma cena terrível à margem de um rio, sua vida muda por completo. A menina alegre que vive saltitando de um lado para o outro e tem uma paixonite por Brooks Griffin, o melhor amigo de seu irmão, sofre um trauma tão grande que acaba perdendo a voz. Sem saber como lidar com o problema, sua família se vê em uma posição difícil e tenta procurar ajuda, mas nenhum tratamento vai adiante. Ao longo dos anos, Maggie aprende sozinha a conviver com os ataques de pânico e, sem conseguir sair de casa, encontra refúgio nos livros. A única pessoa capaz de compreendê-la é Brooks, que permanece sempre ao seu lado. A cumplicidade na infância se transforma em amizade na adolescência, até que um dia eles não conseguem mais negar o amor que sentem um pelo outro. Mas será que o forte sentimento que os une poderá resistir aos fantasmas do passado e a um acontecimento inesperado, que os forçará a navegar por caminhos diferentes?


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Até agora não sei dizer se amei ou odiei essa história. A
verdade é que adoro a maneira dramática da Brittainy escrever – suas histórias sempre misturam romance com
emoção, e eu amo isso. Mas, confesso que dessa vez uma pequena parte minha se
sentiu ultrajada. Gostei dos temas
tabus abordados, das reflexões geradas e, principalmente, do enlace amoroso que
acompanha os protagonistas por toda uma vida. Mas não aceitei como certos
assuntos foram banalizados e como, no final, a vida real foi sobrepujada pela
vontade de criar um final perfeito e feliz.


Silêncio
das Águas
começa com Maggie chegando em um novo lar. Seu pai casou
novamente, então eles se mudam para a casa da madrasta – uma casa alegre,
amorosa e com mais duas crianças que logo acolhem a garotinha. Seu novo irmão
tem um melhor amigo incrível, o Brooks, e logo Maggie descobre que está
apaixonada por ele. Mesmo na inocência de seus dez anos, ela sente que Brooks é
o homem da sua vida. Já o garoto não suporta que ela fique correndo atrás dele
e dizendo que um dia os dois vão casar, e tenta esquivar da companhia
indesejada sempre que pode. Mas isso muda quando os dois trocam o primeiro
beijo, aquele puro e doce como só a infância é. Depois desse dia Brooks
descobre o que é o amor e jura que sempre protegerá a sua amada. Para eles, o
primeiro beijo é uma promessa. E então, seguimos com uma história que corre
pelos anos e mostra o que o futuro fez com eles. Eles se amam, mas foram separados
por uma tragédia.


Apesar do lindo romance, a história gira em torno de um
trauma vivenciado por Maggie. Aos dez anos ela perdeu a voz e, por causa do que
viu e vivenciou, deixou de sair de casa. Seus pais mudaram toda a rotina da
família, os irmãos precisaram aprender a viver com as limitações da condição da
irmã, e o amor que um dia uniu ela e Brooks virou algo que só podia existir
dentro das paredes do quarto dela. Com o passar dos anos, Maggie cresce e
encontra uma profissão. Ela viveu mil vidas em meio aos livros e fez cursos
online para trabalhar com literatura. Enquanto isso, a banda de Brooks assinou
um contrato e saiu em turnê. Eles conheceram e ganharam o mundo através de suas
músicas. O casal permanece separado por anos, mas algo os une e os aproxima de
uma forma incrível – cartas, músicas, bilhetes e até trocas de livros, eles
sempre encontram uma forma de estarem juntos. E, com o passar do tempo, tudo o
que queremos é que eles superem a distância e decidam ficar juntos. Mas para
isso ambos precisam superar o passado. E é nesse ponto que o trauma de Maggie
mexe ainda mais com o leitor, pois ela não parece pronta para seguir em frente
(mesmo depois de cinco ou dez anos).




Brooks é incrível, dedicado, amoroso e entregue. E Maggie é divertida,
inteligente, amorosa e cheia de facetas escondidas em sua alma quebrada. E cara, o amor entre eles é perfeito, do
tipo que encanta o leitor do começo ao fim. Além disso, como tudo começa quando
eles são pequenos e vai progredindo aos poucos, fica mais gostoso acompanhar o
amor crescendo. Fora que, exatamente por conta disso, esse é um dos romances
mais fofos e menos sensuais que já li da autora – tem aquele lado mais doce de
um amor entre amigos, sabe? O fato é que eu amei esses dois juntos; amei como
progridem e como são impulsionados um para o outro. Mas isso não foi suficiente
para eu amar o livro.


O que me incomodou, e eclipsou esse romance lindo, é a
abordagem superficial sobre o trauma da personagem principal. Maggie passou
quase vinte anos trancada em casa, sem conversar sobre o trauma e sem falar a
respeito de mais nada – e isso para uma personagem que ama a vida e tudo a
respeito dela. Achei inconstante o fato de Maggie estar pronta para amar Brooks
por inteiro, mas não para amar aquela parte pequena, cruel e dolorosa do seu
passado. A verdade é que eu queria que ela lidasse com o trauma, mas a jovem
não faz isso, apenas deixa a ferida esquecida até o momento em que todos seus
problemas são, como um milagre, resolvidos.


Tanto para Maggie quanto para Brooks, ambos quebrados em
algum momento da história, senti falta de um acompanhamento médico. Colocar o
amor entre homem e mulher como capaz de curar tudo é perigoso, porque na
maioria das vezes ele não apaga traumas fortes. Amar o outro é lindo, mas você
precisa se amar para apagar feridas e erros. Então, não sei, para mim é como se
o final feliz do livro tivesse sido uma mentira. Porque na vida real, nada é perfeito,
nem sempre encontramos soluções para tudo, mas seguimos em frente, escolhendo
viver ao lado de quem amamos e esquecendo o passado.


Deu para perceber o quanto fico dividida? Amei uma parte da história, mas o final realmente me incomodou. Ainda assim, indico o livro. A
escrita é rápida, emocionante e surpreendente. Os outros da série ainda são
meus preferidos, mas esse tem um toque especial que não posso deixar de
ressaltar.


Já leu? Gostou? Comenta aqui!

 Sobre a Série 



O
Silêncio das Águas
é o terceiro volume da série Elementos. A saga conta com quatro
livros, todos já lançados no Brasil, e traz a história de amor de casais
diferentes. 


Beijos

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6 Comentários

  • Fernanda De Mello
    31 janeiro, 2018

    Oiii Pah
    Concordo completamente com você… eu gostei, mas !!!
    Ela passa o livro todo cheia de traumas e com um passe de mágica enfrenta tudo (isso me incomodou bastante). Fora o que aconteceu com Brooks… que achei que a autora só quis colocar mais um drama (o que foi desnecessário)

  • Nabia
    30 janeiro, 2018

    OI Pah! Assim que você indicou "O ar que ele respira" eu corri pra ler a série, sou dessas akjksjsk Li os três primeiros, e confesso, esse é o meu preferido até agora. Teve algo no primeiro que me deixou profundamente incomodada, e o segundo eu achei banal demais. Amei a construção do romance em "O silêncio das águas", me identifiquei muito com a personagem principal e também, senti muita falta dessa abordagem mais realista com relação a superação do trauma. Curiosa para o quarto livro…Beijos!

  • ROSANGELA RODRIGUES
    27 janeiro, 2018

    Interessante. Gostei da resenha e já estou procurando o livro.

  • Kétura Marinho
    26 janeiro, 2018

    Eu amei o primeiro dessa série, mas sinceramente perdi a vontade de ler os outros,infelizmente.

  • Na Sua Estante
    26 janeiro, 2018

    Amei, amei sua resenha! Adicionei o livro a minha lista de leituras haha, bjs

  • Anônimo
    26 janeiro, 2018

    Oi Paola. Adorei o post. Não conhecia essa série, me interessei muito pelo livro, então vou começar a ler desde o primeiro! = )