outubro 11, 2018

[Resenha] A Baronesa Descalça – Chiara Ciodarot

Vale do Paraíba, 1872. Saraus, bailes, rapazes, cavalgar e defender a abolição da escravatura, são estes os gostos da bela Amaia. Mas tudo parece perder sentido quando seus pais morrem e deixam nas suas mãos uma fazenda de café e um testamento que a impede de alforriar os escravos. Sem saber como administrar uma fazenda e se afundando em dívidas, ela encontra apenas uma solução: se casar. Todo e qualquer solteiro ou viúvo se torna um pretendente em potencial. Ou quase todo. Eduardo Montenegro não é pretendente para moça de família. Fundador do Clube dos Devassos, o misterioso Montenegro não pretende se casar, mas isso não o impede tentar levar Amaia para cama. Enquanto tenta manter a sua integridade física e emocional, Amaia arruma um pretendente inesperado. Será que ela vai conseguir levar adiante o seu plano de salvar a fazenda e os escravos, ou será que a sua atração por Montenegro será maior? O famoso devasso acabará seduzido pelos encantos da charmosa abolicionista e a pedirá em casamento antes que ela se case com outro? A Baronesa Descalça é o primeiro livro da Coleção O Clube dos Devassos.

Romance de Época  300
Páginas
 • Classificação: 4,5/5
Skoob | Compre: AmazonEditora Portal
Narrado em terceira pessoa, A Baronesa Descalça nos leva até a cidade de Vassouras, Vale do
Paraíba (interior do Rio de Janeiro) no período de 1872. Logo nas primeiras
páginas nos deparamos com uma região em declínio financeiro e social – as fazendas
de café já não são consideradas tão lucrativas e os abolicionistas estão
lutando com mais afinco pela abolição da escravidão. E é nesse clima, rico em
história nacional, que conhecemos Amaia e Eduardo. Ela: independente, teimosa e
cheia de si. Ele: sedutor, rabugento e misterioso. Apesar das diferenças, e das
constantes brigas, os dois logo vão descobrir que possuem valores e sonhos
parecidos. E, em meio à luta por justiça e igualdade, terão seus destinos
interligados.

Uma das coisas mais bacanas no livro, sem dúvida, é a
teimosia que gira em torno desse casal. ADORO romances que nascem do clichê cão
e gato, principalmente quando sentimos o quanto os personagens precisam desses momentos
de desentendimento para se aproximarem. Por isso, é importante começar essa
resenha dizendo que Amaia e Eduardo brigam o livro inteiro! Mas de uma maneira
divertida, sincera e cativante. Ela não é lá uma jovem muito fácil de lidar – tem
uma personalidade forte, às vezes mimada e egocêntrica, que vai tomando forma e
desabrochando ao longo da história. É incrível vê-la assumir seus erros e
aprender com eles, mas é ainda melhor ver que Amaia nunca deixa de lado sua
personalidade tipicamente irônica e escolhe irritar Eduardo como meta de vida
(brincadeira, essa não é a meta dela, mas sim a dele! Risos). Já Eduardo é um homem que tem uma grande história para
contar: infância difícil, posses construídas com trabalho próprio, e uma luta
em segredo que constantemente coloca sua vida em perigo. Apesar de grosseirão,
seus ideais conquistam o leitor logo de início – assim como o fazem com a nossa
protagonista.

Temos então: romance cão e gato, personagens bem construídos
(que erram, aprendem e recomeçam) e um pano de fundo histórico que cativa.
Confesso que foi incrível ver um romance de época que usa o Brasil como pano de
fundo. Nossa história é permeada de dor e falhas, mas gostei de como a autora
resolveu abordá-las, dando vida a dois personagens que respeitam o próximo e
lutam por seus ideais com afinco. Aqui, a escravidão é abordada com sinceridade
e traz infinitas reflexões sociais. Fora que, indo muito além do romance, a
autora também fala sobre o papel da mulher na sociedade daquela época e como
figuras como Amaia – que correm atrás dos seus sonhos – eram julgadas e
constantemente rotuladas.

Em suma, indico muito a leitura. A trama tem um toque de
sensualidade bem cativante e um final feliz digno dos contos de fada – fora que
a história tem um casal secundário, que protagoniza o segundo livro dessa série
(O Clube dos Devassos), que rouba a cena e nos deixa muito curiosos para saber
o desfecho de sua história.

• Sobre a Série •

A
Baronesa Descalça
é o primeiro volume da série o Clube dos
Devassos. Até o momento, temos três livros confirmados: A Baronesa Descalça, As
Inconveniências de um Casamento, e O Lobo do Império.

Cada livro gira em torno de casais diferentes, apesar de
suas histórias estarem interligadas pelo misterioso Clube dos Devassos – e o
fato dele ser um codinome para uma fronte abolicionista.

Beijos

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6 Comentários

  • Chiara Ciodarot
    15 outubro, 2018

    Pah, que bom que vc gostou! <3
    Obrigada pelo carinho com Amaia e Montenegro!
    Beijinhos

    • Leandra Moraes
      25 outubro, 2018

      Gente que maravilha uma autora comentando o blog!!! Gostei da sinopse, fiquei com muita vontade de ler!

  • Marcia Gomes
    14 outubro, 2018

    Olá!
    O enredo parece bem interessante, não só pelos conflitos amorosos, mas também sociais com a luta pela abolição da escravatura. Gostei da resenha! Aproveito para divulgar meu livro de ficção científica "Aves do paraíso", que estará disponível gratuitamente no site da Amazon de 15 a 19/10. É só baixar e se puder deixe um comentário. Sua opinião é importante para mim. Segue o link:
    https://www.amazon.com.br/Aves-do-Paraíso-Marcia-Gomes-ebook/dp/B07J1STL9S?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&keywords=aves+do+para%C3%ADso&qid=1539518041&s=STRING%28kindle-human-store-name%29&sr=1-1-catcorr&ref=sr_1_1

  • Aline Santos
    13 outubro, 2018

    Oie Pah!
    Li esse livro no Kindle , o livro físico ficou lindíssimo, quero muito!!!!!!
    Gostei muito da escrita da autora, romance de época já é bom, que mostra o nosso Brasil, é melhor ainda!
    Em alguns momentos eu e Amaia tivemos uma relação de amor e ódio, em diversos momentos ela demostra sua força, como uma mulher que não queria depender de um homem para resolver os seus problemas, em outros mostra a sua humanidade em relação a escravidão, mas em alguns momentos ela se sentia “a última bolacha do pacote”, com atitudes egocêntricas, a relação difícil com a irmã( tudo bem, ela não ajudava!) mas no final, conseguimos enxergar o que ela pode fazer com um pedido sincero de perdão! Já Montenegro me cativou desde o princípio, não sei, mas em alguns momentos eu queria entrar dentro do livro e falar:” My people, que isso?” Só vocês não percebem que é amor?
    Outro ponto que me chamou atenção foi alguns abusos que os escravos sofreram, fiquei sensibilizada, e esse não é nem a inicio da barbárie que foi a escravidão. Abordar o tema da decadência do café, e das suas fazendas também foi importante.
    Em breve quero ler a continuação, Caetana (Quem ti viu, quem te vê!) me surpreendeu com sua atitude no final!
    E que em breve tenha outras resenhas de romance de época ambientados aqui no nosso país!
    beijos

    • Paola Aleksandra
      15 outubro, 2018

      Também estou doida para ler o livro da Caetana! E sobre a Amaia, senti o mesmo viu? Tinha alguns momentos que queria brigar com ela – mas aquele final, com a irmã, foi lindo demais ♥