maio 13, 2019

O QUE É SER BELO? (A PEQUENA SEREIA I LOISE O’NEILL)

Acabei a leitura de A Pequena Sereia e O Reino das Ilusões agora e estou impactada com o quanto me apaixonei pela leitura. Além de ter uma narrativa jovem e envolvente – afinal, estamos falando de sereias e um mundo místico completamente encantador – o livro traz uma mensagem muito válida sobre os padrões de beleza que regem nossa sociedade, principalmente aqueles que ditam o que significa ser bonito

No reino de Gaia, nossa Pequena Sereia, beleza é uma obrigatoriedade para toda mulher: quanto mais bonita, melhor você é. E, no caso dela e de suas irmãs, quem determina o que significa ser bonita é o pai das meninas, que por sinal é o Rei dos Mares. São os padrões desse homem que ditam a vida das jovens sereias; é por causa dele que elas competem entre si para serem sempre a mais bela (e não conseguem manter uma relação familiar fraternal e saudável), submetem-se a processos estéticos dolorosos (desde raspar suas escamas até perfurá-las para pendurar pérolas) e calam suas vozes porque sabem que não devem ser nada mais do que belas – e mulheres belas não questionam, contestam e muito menos confrontam os homens ao seu redor.

As sereias já internalizaram o aparente absurdo de que ser magra era tão importante quanto ser bonita, tão necessário quanto ser obediente, tão desejável quanto permanecer discreta. Devemos ser magras ou morreremos tristes e sozinhas, párias do reino, jogadas em Londemar porque somos um dreno dos recursos do palácio. 

Apesar de tratar-se de uma fantasia, é impossível não ligar o livro com a realidade que vivemos nos dias atuais: nossa sociedade dita padrões abusivos e irreais, os quais nos fazem lutar para alcançar uma beleza pré-determinada e falsa. Em vez de vivermos em um mundo que glorifica nossas diferenças e exalta a beleza única que cada um de nós temos, somos obrigados a conviver com conceitos que maculam nossa individualidade. Por isso, é extremamente importante falarmos sobre o tema – seja através de livros, filmes ou conversas sinceras com as pessoas ao nosso redor. 

Não, pequenina. Eu moro na escuridão porque lá posso ser genuína, e viver genuinamente é a coisa mais importante que qualquer mulher pode fazer. 

É claro que é mais fácil falar do que fazer. Lutar contra a correnteza e aceitar nossas particularidades como lindas e especiais não é um processo fácil. Mas acho que é exatamente por isso que gostei tanto do livro da Loise O’Neill – a trama mostra uma jovem questionando suas certezas, passando a olhar para o outro e para si mesma com novos olhos e, por fim, quebrando as correntes impostas pela sociedade. 


Sinto que o primeiro passo é questionar nossa sociedade e olhar para si mesmo sem julgamentos ou medos. Quando você se olha no espelho quem vê? É isso que deve importar . O que você enxerga e não o que os outros gostariam de ver. 

Amei esse livro e todas as reflexões que ele trouxe. Acho que é um livro muito importante para os dias de hoje – fora que é uma leitura envolvente e verdadeira. 

Beijos

 

 

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2 Comentários

  • Lidiane Andrade
    26 maio, 2019

    Oi Paola!
    Que livro lindo esse e pelo visto que trás toda uma reflexão por trás né? Adoro livros assim, já está na minha WhistList!

    Beijos!
    http://www.paginadaleitura.blogspot.com