agosto 12, 2019

Curiosidades sobre Livre para Recomeçar

Quem me acompanha nas redes sociais sabe que meu novo romance de época, Livre para Recomeçar, já está em pré-venda. Passei um ano intenso ao lado desses personagens, por isso, ver que o livro está ganhando vida me deixa extremamente feliz e ansiosa (ainda mais hoje, pois acabei de descobrir que a pré-venda acaba essa semana, ou seja, logo o livro vai chegar na casa de vocês). De fato, ansiedade é meu nome do meio esse mês!

Ao contrário de tudo o que já escrevi, Livre para Recomeçar possui uma carga histórica gigantesca. O livro ainda é uma ficção no melhor estilo final feliz, contudo, por ter como cenário o Rio de Janeiro no século XIX, é fato que o romance carrega elementos históricos condizentes com a realidade da época. Contudo, apesar de sempre amar história, confesso que ao longo do processo de escrita me surpreendi com o quão pouco eu conhecia sobre as referências sociais, culturais e arquitetônicas da nossa pátria. Por isso, hoje resolvi compartilhar algumas curiosidades históricas do livro novo. Quem sabe assim vocês se animam para acompanhar a jornada da Anastácia e do Benício? Ou, assim como eu, conhecem um pouco mais sobre a nosso Brasil.

Seja bem-vindo ao Passeio Público

É comum encontrarmos nos romances de época londrinos o famoso parque Hyde Park, mas você sabia que o Brasil – seguindo os moldes dos parques europeus – também ganhou seu próprio espaço público para contemplação da natureza, encontros sociais e flertes singelos?

Na realidade o Passeio Público do Rio de Janeiro foi criado para reviver um famoso parque português e, claro, servir de ponto de encontro para a nobreza. Fundado no final do século XVIII e projetado pelo Mestre Valentim, o local ainda existe e é aberto ao público (apesar de ter perdido boa parte do seu território). Relatos do final do Império descrevem o parque como abandonado, o que explicaria o fato de boa parte do perímetro ter sido ocupada por avenidas comerciais. Mas antes de ser depredado, por exemplo, o Passeio Público contava com um belíssimo terraço com vista para a Baía da Guanabara – e lendo Livre para Recomeçar vocês encontrarão esse ponto turístico na história em um momento muito especial, por sinal.

“Mestre Valentim projetou um parque em estilo francês, com alamedas retas, que se cruzavam ortogonalmente, e outras formando diagonais, ostentando elementos decorativos também criados pelo artista, como chafarizes, estátuas e pavilhões. O belo portão de acesso, em ferro forjado em estilo rococó, ainda está em seu lugar, destacando-se o brasão com as armas reais e as efígies de Maria I de Portugal, e seu marido, Pedro III de Portugal. Daí, uma alameda central conduzia o visitante à Fonte dos Amores e ao terraço, de onde se descortinava o mar, que, à época, chegava à altura do Passeio Público. Este belvedere era um local disputado para se apreciar as belezas naturais da baía de Guanabara, constituindo-se em ponto de encontro da população carioca desde o final do século XVIII até ao início do século XX.” (Fonte)

Descobri o Passeio Público ao pesquisar mais sobre o famoso Mestre Valentim. A verdade é que o Benício, protagonista masculino dessa história, é um empreiteiro apaixonado por arquitetura e construção – e, consequentemente, pelas obras do Mestre Valentim.

Valentim da Fonseca e Silva passou alguns anos em Portugal – onde teria aprendido a arte da escultura – e, ao voltar para o Brasil em 1770, abriu uma oficina no centro do Rio de Janeiro e entrou para a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Começou trabalhando para igrejas e, aos poucos, conseguiu destaque no meio artístico e foi encarregado de várias obras públicas (entre elas, o Passeio Público). Uma das coisas mais bacanas do artista, é que ele foi considerado o primeiro escultor brasileiro a colocar elementos típicos da nossa fauna em suas obras. Confesso que o Benício ama isso, e eu também!

Aqui algumas obras dele que aparecem no livro (Eco e Narciso, Fonte dos Amores e Chafariz da Pirâmide):

O hospício mais lindo do mundo?

“Ao atingir a maioridade, o imperador Pedro II, em seu primeiro ato como governante, determinou a construção do complexo, com 11 mil metros quadrados de área, para abrigar o Hospício Pedro II. A obra se estendeu entre 1842 e 1852, quando, então, foi inaugurado, na Avenida Pasteur 250, com capacidade para abrigar 300 pacientes com doenças mentais em seus salões de pé direito altíssimo.” (Fonte)

Li em um livro que o Hospício Pedro II já foi considerado – informalmente – o hospício mais belo do mundo. Tanto é que, vagando pela internet, encontrei artigos escritos por ingleses que passaram um longo período no Brasil apenas para estudar o funcionamento do hospício e seus métodos inovadores (que, ao contrário do que podemos pensar, não tinham relação alguma com a parte médica).

Apesar da beleza e da localização privilegiada, vários artigos listam os horrores escondidos pelos lindos azulejos azuis do hospício Pedro II. Dividido em três classes, o hospício acolhia aqueles que não tinham onde morar (e que eram amontoados nos cômodos inferiores do hospício), aqueles que podiam pagar ao menos suas despesas alimentícias (e que garantiam, no mínimo, uma cama para pernoitar) e aqueles que pagavam valores absurdos para viverem na primeira classe do hospício.

Mulheres como a Anastácia, a protagonista de Livre para Recomeçar, e sua melhor amiga Darcília (respectivamente: a esposa de um poderoso nobre francês e a escrava recém-alforriada e mantida como posse por um nobre brasileiro) eram comumente internadas no hospício Pedro II por seus familiares. O motivo era sempre o mesmo: histeria feminina. O laudo de histeria era usado para punir todo comportamento feminino que era tido como repreensível e, graças à falta de estudo sobre o corpo feminino, gerou milhares de casos de negligência médica contra mulheres.

Dentro do hospício Pedro II homens e mulheres eram divididos por alas, os pensionistas eram dispostos em quartos (de acordo com os valores pagos) e aqueles que realmente precisavam de auxílio médico eram abandonados à própria sorte – ao menos é o que parte dos artigos médicos da época revela, porém, existem escritos que relatam o hospício como inovador e humanizado. De fato, o hospício era lindo e mantinha uma vista encantadora para a Praia Vermelha, mas em contrapartida, escondia também uma parcela de dor e tristeza.

É por isso que o card da pré-venda de LIVRE traz a imagem da Praia Vermelha. Por três anos a Anastácia olhou, pelas grades da janela do seu quarto de primeira classe, essa mesma vista, sonhando com o dia em que estaria livre do hospício. Era essa imagem que lhe dava força para lutar dia após dia. Então nada mais justo do que o brinde da pré-venda anunciar o clima inicial dessa história: esperança.

Detalhe: no século XX o prédio do hospício foi transformado em Palácio Universitário e, mais recentemente, em um campus da UFRJ. Um incêndio destruiu algumas das alas mais bonitas da construção, mas aqui conseguimos ver algumas fotos de como ele era lindo.

As inovações (nada convencionais) de Dom Pedro II

Não é exagero dizer que a mudança drástica que acontece na vida da protagonista de Livre para Recomeçar está relacionada com a fama de “inovador” que precede Dom Pedro II. Politicamente e socialmente falando, muitas das escolhas do imperador só fizeram aumentar a disparidade de classes e o preconceito tão enraizado no Brasil – lembrando que estamos falando do homem que apoiou a construção de um luxuoso hospício para alienados. Contudo, é fato que D. Pedro II foi uma figura visionária em muitos aspectos. Em minhas pesquisas descobri que:

  • Ele criou medidas políticas de desapropriação de terras privadas quando as nascentes do Rio de Janeiro começaram a secar (comprando fazendas de café a altos preços e reflorestando essas áreas, sendo a Floresta da Tijuca a mais comum entre elas);
  • Foi favorável à necessidade de levar saneamento básico para todas as casas/regiões do Rio de Janeiro (assinando contrato com uma empresa inglesa para tratar e distribuir água encanada);
  • Incentivou e apoiou inúmeras companhias de transporte público, trouxe para o Brasil empresas de gás (que substituiu o óleo de baleia nos sistemas de iluminação) e, com o avançar dos anos, mediou negociações para a implementação da luz elétrica e do telefone sem fio.

Dizem que Dom Pedro II não gostava de governar (não no sentido político), mas amava tudo o que envolvia ciências e avanços tecnológicos. Seja qual for à verdade, é fato que no auge do período imperial o Brasil era conhecido como uma das nações mais avançadas de todo o mundo! E vemos um pouco disso em Livre para Recomeçar, viu?

Essas são algumas curiosidades contextuais que queria dividir com vocês. Espero que tenham gostado e ficado um tico curiosos sobre a história. Não vejo a hora de saber o que vão achar.

Saiba mais sobre o livro em:

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Beijos

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2 Comentários

  • Helen Lino
    13 agosto, 2019

    Amei esse post Paola!
    Deixou um gostinho de querer logo o livro em mãos!

    • Paola Aleksandra
      Paola Aleksandra
      13 agosto, 2019

      Eba! ♥ Espero que goste da leitura.