[Resenha] O Príncipe da Névoa - Carlos Ruiz Zafón

Sinopse: A nova casa dos Carver é cercada por mistério. Ela ainda respira o espírito de Jacob, filho dos ex-proprietários, que se afogou. As estranhas circunstâncias de sua morte só começam a se esclarecer com o aparecimento de um personagem do mal - o Príncipe da Névoa, capaz de conceder qualquer desejo de uma pessoa, a um alto preço.
Romance Juvenil || 184 Páginas || Skoob || Cortesia Suma de Letras|| Compare & Compre || Classificação: 4/5
O Príncipe da Névoa, primeiro romance publicado pelo autor Carlos Ruiz Zafón, faz parte da trilogia da Névoa, composta também pelos livros El Palacio de la Medinoche e  Las Luces de Semptiembre. Para os fãs do autor a boa notícia é que tais obras, segundo informações publicadas pela editora Suma de Letras, logo serão traduzidas e lançadas no Brasil. Ao lado do livro Marina, estes romances compõem a gama de obras de autoria do Zafón que focam o publico ‘jovem adulto’ e que exatamente por esse motivo, dão asas a imaginação do leitor, mesclando em sua narrativa o real com o sobrenatural. Para quem não viu, Zafón foi o autor homenageado do mês de Fevereiro aqui no blog, então clique aqui para conhecer mais sobre suas publicações.
“(...) Estava escondido nas sombras, esperando, sem pressa, que alguma força o trouxesse de volta ao mundo dos vivos. E nada tem tanta força quanto uma promessa...”.

O cenário utilizado no livro O Príncipe da Névoa não poderia ser menos oportuno, já que este é o contexto histórico descrito em quase todas as obras do autor. Em suma, encontramo-nos em 1943, período em que a segunda guerra Mundial aflige a Europa e que mesmo com a promessa de um provável e não tão distante fim, leva a população envolvida a evitar as regiões urbanas. Motivados por uma ideia (muitas vezes errônea) de ‘calmaria’, aqueles que podiam optaram por migrar para áreas rurais ou para o interior das capitais, e esta é a situação do jovem Max, o protagonista desta história, que ao lado de toda a sua família parte da cidade grande para estabelecer residência em uma pequena cidade litorânea.
É de se esperar que a paz reine em uma cidade tão pequena, entretanto logo de cara Max é confrontado com acontecimentos inesperados que vão desde uma casa marcada pelas experiências de seus antigos donos, um assombroso jardim de estátuas, um farol guardado por um senhor misterioso e enigmático, um palhaço de dar arrepios e vídeos caseiros que parecem revelar muito mais do que até mesmo os telespectadores mais experientes podem enxergar. Ao lado de sua irmã mais velha, Alicia, e de seu novo amigo Roland, Max mergulha, literamente, em uma história marcada pelo suspense e por antigas promessas, provando que o passado sempre vem cobrar uma dívida, por mais remota que ela seja.
Sou fã da escrita desse autor pela forma grandiosa como ele insere pequenos mistérios ao longo de sua narrativa, para apenas no final permitir que o leitor compreenda-a como um todo e finalmente, encaixe as peças desse quebra-cabeça. De fato, por se tratar de uma obra juvenil imaginei que esse aspecto não estaria tão presente no livro em questão, entretanto me surpreendi ao vê-lo em seu ápice, enraizado em cada linha da trama. Obviamente, com o núcleo central focado em três jovens a narrativa ficou mais suave em questão de termos, mas isso não a deixou menos inteligente ou com um menor grau de elaboração, muito pelo contrário, ela continua capaz de fazer o cérebro do leitor funcionar em um ritmo avançado em busca de uma compreensão imediata de fatos que apenas o autor conhece.
Os personagens centrais são inteligentes e amorosos, de forma que somos agraciados constantemente com questionamentos plausíveis e com um forte laço de amizade e até mesmo, para a minha surpresa, um belo e leve romance. Mas o que surpreende é o sobrenatural. Estava preparada para a inserção de idas e vindas do passado, algo com o que o autor trabalha muito bem, como por exemplo, a citação de memórias e de acontecimentos oportunos que estão relacionados com o presente dos personagens principais, contudo, não esperava pelo sobrenatural, por personagens misteriosos, perigosos e irreais. No contexto juvenil achei que tal fator foi fundamental para dar razão ao suspense da trama, pois ele foi muito bem utilizado dentro da proposta do livro. E esse é o ponto, a proposta do autor, não só de atingir o público juvenil, mas de conquistá-lo com um vilão ameaçador e irretratável.
Os leitores acostumados com a escrita densa e reflexiva dos romances adultos do Zafón podem criar expectativas diferentes quanto a trama do livro O Príncipe da Névoa, mas de certa forma acredito que seja impossível se decepcionar com ele. Mesmo com uma vertente diferente o autor agarra o leitor, prendendo-o em sua história, o que faz do livro, mesmo juvenil e um tanto quanto sobrenatural, um mar de palavras sábias e bem escritas. E é por isso que gosto tanto dos livros do autor, independente da trama ser adulta ou juvenil ela é tão bem escrita que fica impossível não se surpreender com a força do seu talento. Sendo assim, indico o livro sem medo, essa obra é o tipo de livro que mesmo podendo não agradar a todos, sempre gerará uma maça positiva de conhecimento.
Quotes:
 “As lembranças ruins perseguem você sem que precise carregá-las consigo...”
“Sentia que, pela primeira vez em sua vida, o tempo passava mais rápido do que desejava e ele não podia mais se refugiar no sonho, como nos anos anteriores. A roda da fortuna tinha começado a girar e dessa vez quem jogou os dados não tinha sido ele”.
Capas pelo Mundo:


  



7 comentários:

  1. Oi gêmea!
    E eu ainda sem ler algo do Zafón. Pode brigar comigo, eu mereço!
    Acredito que seja de se esperar encontrar diferenças desse pra outros livros dele exatamente pelas vertentes serem diferentes, como você ressaltou.
    De qualquer forma, é ótimo que a qualidade seja a mesma em qualquer de suas obras!
    Essa parte do sobrenatural também foi uma surpresa pra mim!
    Beijão!

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  2. Pah, definitivamente eu também não esperava o sobrenatural.
    Eu ainda não li Zafón (os livros estão na estante esperando), mas de tudo que eu já li sobre suas obras, isso não chegava perto das minhas expectativas.
    Mas do jeito que colocaste, parece que é algo condizente com o resto do seu trabalho.

    O fato de ser ambientado na segunda guerra é mais um chamariz para mim.

    Espero ler e gostar.

    liliescreve.blogspot.com

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  3. acho que o mundo conspira para mim ler logo este livro! livrosefuxicos é o 3° blog que eu entro hoje e me deparo com a resenha deste livro! hahaha
    bom, nunca li nenhum livro do autor né, mas tenho vontade de ler quase todos!
    o que mais me atrai é Marina, mas qual você me indicaria para ler por primeiro?

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  4. Oiiii Pah
    Desde o post sobre o autor, estou ansiante pra começar algum livro dele, fiquei surpresa com a parte sobrenatural que você mencionou, realmente não esperava.

    Beijo!

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  5. Não adianta né, Zafón é Zafón, um mestre na arte da escrita. Amo a narrativa dele, envolvente, cheia de mistérios e significados. Estou louca para ler esse livro. Ainda mais agora, depois de ler sua resenha. Beijos, Mi

    www.recantodami.com

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  6. Parabéns pela resenha maravilhosa também li 'A Sombra do Vento' e fiquei Fã do Autor,,adoro o enredo do livro,o clima de mistério,suspense/terror,contexto histórico,personagens...
    Realmente na expectativa para ler e acompanhar essa linda história de amizade.
    As capas estão bonitas e criativas

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  7. Não vejo a hora de ler os outros!

    Também fiz uma resenha do livro no meu blog:http://donnaflaviaa.blogspot.com.br/2013/02/o-principe-da-nevoa-zafon.html

    Aguardo seu comentário!

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