abril 12, 2013

[Resenha] Crash – Nicole Williams

South Point High é o
último lugar no qual Lucy gostaria de cursar o último ano de escola. Isso até o
momento que ela encontra Jude Ryder, um garoto cujo nome é quase um verbo, além
de um sinônimo para problemas. Ele tem uma ficha maior que uma tese de
conclusão, e já teve seu nome suspirado, gritado e praguejado por mais mulheres
que Lucy tem coragem de saber, além de viver em uma casa para garotos
problemáticos onde ser problemático parece ser um status para os moradores.
Lucy teve uma criação estável, e vive para usar as sapatilhas de bailarina,
além de ter em seu futuro a certeza de ir para Juilliard, tentando se manter
longe de  problemas. Até agora. Jude é
aquilo que ela precisa evitar se ela deseja separar seu passado de seu futuro.
Ficar longe, ela vai acabar descobrindo, será a única coisa da qual ela é
incapaz. Para Lucy Larson e Jude Ryder, amor vai acabar sendo aquilo que vai
destruí-los. (Tradução Livre).
Mature Young Adult¹|| 323 Páginas
||
Editora HarperCollins || Skoob || Goodreads || Amazon ||
Classificação: 5/5
Crash,
da Nicole Williams, é o primeiro volume da trilogia intitulada Crash, composta pelos livros:
Clash
(Crash, #2) 
e Crush (Crash, #3) . Consagrado como um dos
melhores livros auto publicados do ano de 2012, a obra encanta ao apresentar um
panorama social leve e juvenil, ao mesmo tempo em que descreve uma história dura
e realista. O cenário principal pode parecer clichê, pois abusa de um tipo de
relacionamento altamente conhecido pelos leitores, um envolvimento amoroso
previsível que liga a ‘boa menina’ e o ‘bad boy’ do pedaço. Entretanto a grande
carga de drama adulto/social presente na história minimiza os elementos comuns do
livro, permitindo que o leitor se envolva, se emocione e se surpreenda
constantemente com a narrativa. Jude, o
menino problema
, já foi preso (várias vezes) e vive em uma casa para jovens
infratores, e Lucy, a menina de ouro,
perdeu tudo aquilo que considerava importante (desde sua escola e suas roupas
de marca, até o mais essencial, a sanidade e a união de sua família) e vive em um
lar frio e solitário; quando as máscaras caem e a verdade vem à tona, fica
claro que eles possuem infinitos motivos para manterem distancia um do outro,
mas porque será que mesmo assim, algo insiste em uni-los?
“Porque eu estou doente de ser uma
sanguessuga na sociedade, de todos à minha volta. Porque eu estou cansado de
tomar saídas fáceis e eu estou cansado da pena nos rostos das pessoas que me
dão uma mão. Mas, realmente, mais do que tudo, porque a garota que eu estava
tirando para sair merecia o melhor”…

A parte
inicial do livro é tão calma e previsível que me levou a questionar o motivo
por trás de tantos comentários positivos a respeito da obra. A mocinha (e seus
infinitos problemas familiares), não é o tipo de garota que espera compaixão, e
de certa forma, por causa da sua personalidade, não me deixei envolver em seus problemas;
e o mocinho, bem, ele deixa claro logo de início que não é o cara certo para ninguém,
e por isso, não esperei muito dele.  O
fato é que eu os julguei tão óbvios, achei que já sabia quais eram os seus
problemas, acreditei compreender seus medos e fraquezas, e mais ainda, tinha fé
que já conhecia todos os pormenores da história logo após a leitura de seus
primeiros capítulos; ledo engano.
Quando menos esperava estava presenciando uma cena forte e chocante, algo que
transformou um livro juvenil em uma história madura e adulta o suficiente para
me fazer refletir. O cara errado é o cara errado, não por sua personalidade,
mas por tudo que ele representa, tudo o que ele tem, o que já fez, e o que se
espera que ele faça. Por mais que seus sonhos sejam coloridos, sua vida é
cinza, e contra fatos não existem argumentos. Mas mesmo assim Lucy quer ver o
melhor em Jude, ela acredita e aposta nele, e por mais que doa, mergulha em um
relacionamento repleto de altos e baixos, um envolvimento que promete a colisão
de dois mundos (e de dois jovens) tão diferentes, em uma explosão de dor,
raiva, medo e, porque não, paixão.
Sinto que o
final do livro
Crash me fez vê-lo de
uma forma totalmente nova. É como se de repente as coisas tomassem um novo rumo
e eu me visse aos prantos com algo que não havia sequer imaginado. Simplesmente
é tenso demais, é dor em demasia, e só consigo pensar que esses jovens não
merecem isso. Ora, será que a vida não dá uma trégua? É claro que no meio disso
tem muito romance, inexplicáveis segredos, e uma grande pressão sob os ombros
desses jovens que precisam decidir o que querem para o futuro. Temos um baile, jogos
de futebol americano, um ‘quase’ triângulo amoroso, brigas e infinitas 
discussões de
casal, um grande drama familiar, e personagens principais e secundários que
são, nada mais nada menos, do que a exata representação de nossa sociedade. O
ponto alto é que não estamos lidando com a romanização dos fatos, as coisas são
como são, e a autora, Nicole Willians, soube trabalhar muito bem com esse
conceito.
 Uma vez li que os fãs de Belo Desastre se
apaixonariam por Crash, e não consigo
achar outro motivo para isso que não seja a presença de Jude. Ele é intenso,
complicado, perigoso, dominante, mas tão jovem e sonhador… Ele quer uma chance
de ter uma vida melhor, porém, como bem sabemos, querer não é poder, e a vida
geralmente é um grande abacaxi para aqueles que não nasceram em uma família ‘linda e feliz’. Fora isso, outras
semelhanças são quase imperceptíveis, de forma que se eu fosse comparar a obra
com outro livro, o ligaria com Química Perfeita, que no geral transmite uma ‘lição
de vida’ bem semelhante à de Crash.
Sobre a
escrita da autora, eis o grande ponto: de início, não gostei dela. De fato, a
autora me ganhou com seus personagens e as infinitas surpresas que a trama
reserva, mas achei que ela peca em alguns detalhamentos, eu sempre queria mais,
e tal sensação me levou ao estremo em alguns momentos, fazendo-me concluir que
a autora precisava aprofundar mais sua escrita para que realmente me
envolvesse com ela. Então veio o final (entenda-se por final o clímax da
história), e como já disse, tudo mudou. Eu enfim entendi o motivo de tão pouco
detalhamento, e compreendi a forma da autora escrever, e de fato, passei a apreciá-la.
Além disso, quando descobri que o livro era o primeiro de uma trilogia com o
mesmo casal como protagonista, aceitei o fato de que muitos segredos ainda
serão revelados, e que tudo ocorrerá com calma, em seu devido tempo. É claro
que isso não muda o que senti em alguns momentos durante a leitura de Crash, mas mesmo assim, a promessa de
mais dois livros sobre Jude e Lucy me confortou.
No geral,
estou louca pelo próximo volume da trilogia, e espero ansiosa que alguma
editora resolva publicar a saga por aqui. E para os que ainda se perguntam se
eu indico a obra, sim, sem dúvida, na pior das hipóteses ela reserva um belo
romance, enquanto o drama, a emoção e suspense são bônus que podem variar de
leitor para leitor, o que por si só, faz o risco da leitura valer a pena.
Nota¹: Gênero Jovem adulto Maduro. Não
classifiquei o livro como New Adult, pois sua narrativa tem como pano de fundo
uma fase anterior a esse gênero, entretanto a obra também não poderia ser classificada
como um simples jovem adulto, afinal trata de um momento em que o futuro e a
possibilidade de ir pra uma faculdade e/ou escolher uma profissão é incerto.
Para saber mais a respeito dessa classe, confira o post feito pela Giu do blog
Amount Of Words (
AQUI).
Curiosidade: Os nomes atribuídos para os protagonistas
foram baseados em musicas dos Beatles, uma delas: Hey Jude.
Quotes: (Tradução livre)
 “Quando você vai aprender que não pode salvar
o mundo com uma alma perdida por vez?”. (…). “Até que não haja mais almas
perdidas para salvar.”
 “Meu nome é Jude Ryder, desde que eu sei que
você é tudo, eu não faço namoradas, relacionamentos, flores ou telefonemas
regulares. Se isso funcionar para você, eu acho que nós poderíamos trabalhar em
algo especial.”
‘Ele era alto, seus ombros
largos e ele tinha os olhos escuros com enormes cílios pretos que tinham o
poder de prometer desfazer uma mulher. Assim, em termos não-otários, ele era
apenas o meu tipo. Junto com cada mulher que falava inglês no outro hemisfério
norte.’
“E você gosta da minha filha.
Você é um homem inteligente, Jude.”. (…). “Não é difícil reconhecer algo
especial quando a vida joga muita merda em seu caminho”, disse Jude.
‘… Eu nunca tinha sido olhada
dessa maneira. Minha vida toda eu esperei por ele, e agora era o momento, na
idade de 17, no estacionamento da escola da minha nova escola, com um menino chamado
Jude Ryder. Isto, aqui, era uma coisa poderosa.’
“Eu aceito tudo isso, eu só
queria que a realidade tirasse férias, sabe?”.
Outras Capas:

  

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17 Comentários

  • Hadassa Bastos
    27 novembro, 2015

    Eu já lli…e ameeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei..toda a trilogia..principalmente o pequeno Jud <3

  • Livia Pereira Gomes
    13 setembro, 2015

    Amei o livro quando li.E gente, queria pedir um favor a vocês. Curtam a minha página do face que é https://www.facebook.com/Resenha.Books e, se puderem divulguem o meu blog que é http://resenhas-books.blogspot.com.br/ . Ainda tem pouca coisa, mas estou fazendo o possível para postar os livros o mais rápido. Obrigada

  • RaissinhaSP
    28 outubro, 2013

    Ah eu adorei esse livro! Esse gênero é meu preferido. Gostaria de saber se tem previsão de lançamento aqui no Brasil… Se alguma editora já comprou..?

    • Paola Aleksandra
      Paola Aleksandra
      31 outubro, 2013

      Pelo que eu saiba nenhuma editora nacional comprou os direitos do livro ainda 🙁

  • Laís e Letícia
    11 junho, 2013

    Poderia me enviar? leticia.siimoes@gmail.com

  • Laís e Letícia
    11 junho, 2013

    Bom dia.

    Já tem o segundo volume CLASH?

  • Anônimo
    26 maio, 2013

    Adorei esse livro… so queria saber quando saira o 2 volume…estou ansiosa!!

  • Karina B.
    22 abril, 2013

    Oii Pah!
    Quero muiiito ler esse livro!
    A história parece ser ótima, bem do jeito que eu gosto!
    Mais um para minha (enorme) lista de livros para ler =D

    Adorei a Resenha
    Beijos!

  • ♪ Dαyαnє ♪
    18 abril, 2013

    Oi Pah, ^^

    Sinceramente, depois de ler sua resenha, meu primeiro pensamento foi: eu PRECISO desse livro *—-* rs'

    Pelo modo como você falou dele, acabou me fazendo lembrar de Três Metros Acima do Céu; uma história que mesmo tendo o clichê garota boazinha e bad boy que cheira a problemas, conseguiu me surpreender muito e se tornou facilmente um dos meus livros favoritos. É isso que sinto que vai ser minha futura leitura de Crash.

    Mesmo com esses pequenos 'defeitos' que você apontou, acho que vou investir na leitura com realmente muita expectativa, parece ser uma história que te prende e, depois de ler Travis, estou sentindo falta de uma bad boy o/ rsrs'

    P.s; só eu lembrei dos filmes 'se Ela Dança eu Danço' olhando essa capa? O.o' rs'

    Parabéns pela resenha o/

    ~> Beijusss Pah…;*

  • Marina Bartholi
    17 abril, 2013

    Nossa adorei a sua resenha, eu ainda não tinha visto esse livro ainda, e eu me interessei. Amei a sua resenha, muito clara e objetiva.

    Bjkas 🙂
    Marina
    Blog Leituras e Afins
    http://afinsdaleitura.blogspot.com/

  • Mirelle Candeloro
    16 abril, 2013

    Oi Pah, adorei a dica de leitura. Não conhecia essa trilogia e tenho que confessar que tenho uma quedinha, tá bom, um abismo por bad boys.. kkk então esse livro com certeza entrará na minha listinha dos que tenho que ler.. hehe
    Beijos, Mi

    http://www.recantodami.com

  • Sora Seishin
    15 abril, 2013

    Oi Pah!
    Adoro esses livros auto-publicados, de vez em quando a gente descobre autores ótimos!
    Não conhecia esse livro, mas parece ser bem envolvente.
    Ás vezes quando começo um livro, também estranho o estilo da escrita (isso aconteceu com os livros do Federico Moccia, por exemplo). Mas acho que depois de um tempo a gente acaba se acostumando. Que bom que o final te surpreendeu.

    Beijos,
    Sora – Meu Jardim de Livros

  • Anônimo
    14 abril, 2013

    Amei, simplesmente amei!!! A história, o enredo…ameiii!!! Coloquei os 3 livros na lista de desejados!!!!

  • Izabela Cristina
    12 abril, 2013

    Ainda não tinha lido nada sobre esse livro, mas sua resenha me deixou curiosa e me fez lembrar de duas coisas. A primeira delas foi um dos últimos livro que li (O caminho para casa), porque também envolve uma lição e a reação da sociedade diante de alguns fatos que acometem os jovens. E a segunda coisa que me lembrei foi do (ou os) filme "ela dança eu danço", parece ter esse estilo, um jovem que tem sonhos ou possui algum talento e que é "salvo" pelo amor de uma jovem. Gostei bastante do enredo e um dia quem sabe o lerei já que é de fora.

    Um beijo, Izabela
    Caderno de Resenhas

  • Sammysam Rosa
    12 abril, 2013

    É um livro bem interessante e uma pena que ainda não tenha sido publicado em nosso país. Gostei do enredo e pelo que pude perceber o ponto alto sem dúvidas são os personagens!

    Bjs

    Da Imaginação a Escrita

  • Tânia Silva
    12 abril, 2013

    Oiii Pah
    Li muito sobre o livro, as opiniões foram positivas, infelizmente não atraiu meu interesse. Fiquei curiosa sobre os dramas e segredos que a trama traz, mas não a ponto de recorrer as compras lá fora.

    Quem sabe se lançarem por aqui, eu possa mudar de ideia, #NATORCIDA

    BEIJOS

  • Aione Simoes
    Aione Simoes
    12 abril, 2013

    Gêmea, dos livros desse estilo que você tem resenhado, acho que esse foi o que mais chamou minha atenção, embora você tenha feito suas ressalvas quanto alguns momentos da história e quanto a narrativa da autora.
    Eu também achei a premissa mais semelhante a "Química Perfeita" do que a "Belo Desastre", e, aparentemente, as mensagens também o são.
    Enfim, fiquei curiosa pra ler e espero que ele seja lançado por aqui!
    Beijão!