julho 04, 2013

[Resenha] Will & Will – Um nome, um destino – John Green, David Levithan

Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago,
Will Grayson encontra… Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo
nome. E, aparentemente, apenas isso os une. Mas mesmo circulando em ambientes
completamente diferentes, os dois estão prestes a embarcar em uma aventura de
épicas proporções. O mais fabuloso musical a jamais ser apresentado nos palcos
politicamente corretos do ensino médio.
Jovem Adulto|| 352 Páginas
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Cortesia Galera Record
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Skoob || Compare & Compre ||
Classificação: 4/5
Existem certos autores que te fazem esperar
grandiosidades de uma leitura, de forma que você nem precisa conhecer todas as
suas publicações para saber que seus livros são especiais, e no meu caso, é assim
que enxergo o trabalho do John Green. Existe algo de mágico em sua escrita, e
não digo isso apenas porque me emocionei horrores com o livros A culpa é das estrelas, mas porque
aprendi com ele, da mesma forma que aprendi com Will & Will.  De fato, o autor,
em parceria com o David Levithan, manteve uma característica de sua escrita que
não cansa de me surpreender, a forma livre com a qual ele trata de temas
polêmicos comuns de nossa sociedade, a maneira como ele fala do jovem como um
jovem, apresentando morais e afirmando seus valores sociais de forma implícita,
como se ele não tivesse a intenção de ensinar ou pregar nada com seus livros, e
exatamente por isso, o fazendo. Isso faz sentido? Creio que não, mas é o que
acontece quando se trata do autor. Nós lemos sobre amor, amizade, depressão,
preconceito, homossexualidade e aprendemos a ver tais aspectos sobre um novo
olhar crítico, isso tudo sem parecer que estamos lendo um livro feito com a
intenção de emocionar ou conscientizar. Portanto, se você espera uma história
reflexiva e extremamente emocionante já aviso, não é disso que se trata esse
romance; ele é um retrato juvenil de dúvidas e medos, que vai do clichê ao
exclusivo em instantes, e que para os mais sensíveis, tende a apresentar inúmeras
lições de vida.
 “Além disso, acho que chorar é quase – assim,
exceto em caso de morte de parentes ou coisa parecida – totalmente evitável, se
você seguir duas regras muito simples: 1. Não se importar muito com nada. 2. Calar
a boca.”

A proposta dos autores é expor ao leitor dois personagens
diferentes (emocionalmente, fisicamente e socialmente) com o mesmo nome, Will Grayson, e que desafiando a lógica, encontram-se por
acaso e descobrem um no outro a chave para a libertação de seus segredos.
Enquanto um dos Will tem uma vida normal, rodeado de (meio ou não) amigos, repleto de amarras e reservas, o outro Will
vive um estado de forte depressão que o afasta de seguir com força para
enfrentar os altos e baixos da vida. Cada um deles narra um capítulo do livro,
e o bom disso é que para o leitor a realidade distinta desses dois jovens é
perceptível. Enquanto lia o primeiro capítulo, me diverti com a forma irônica
do “primeiro” Will apresentar o mundo ao seu redor, de suas regras ilógicas de
não se deixar aproximar muito das pessoas, ou da mania dele de evitar falar ou
posicionar sua opinião com medo de ser confrontado, ao conhecê-lo eu imaginei
que a leitura seria leve e que me proporcionaria inúmeras risadas, e de fato,
ela fez isso, contudo a história foi além do bom humor quando o “outro” Will
apareceu como narrador.
O que o primeiro Will tem de
descontraído, o segundo tem de tenso. Quando ele narra o livro sua depressão
abocanha o leitor, deixando-nos apreensivos com o rumo de sua história. Mesmo
quando o amor surge em sua vida, seja ele por meio de amigos, familiares ou enlaces
amorosos, a depressão o prende na dor, e tudo isso torna difícil para o leitor
criar uma imagem desse jovem. Não sabemos como vê-lo, ou interpretá-lo, mas é
genuína a vontade de vê-lo mudar, e é quando ele encontra o outro Will que isso
começa a acontecer, e o melhor é que esse processo de mudança não é nada fácil,
instantâneo ou previsível, muito pelo contrário, é um continuo e árduo momento
de aceitação e transformação, como em geral a juventude é.
“nunca esperava que tudo
ficasse melhor – apenas que uma única coisa melhorasse. e nunca funcionou. assim,
finalmente, desisti. eu desisto todo santo dia.”
São dois Wills, cada um com seus medos,
receios e dúvidas que geralmente são amplificadas quando se tem dezesseis ou
dezessete anos, dois jovens que espelham inúmeros outros jovens pelo mundo, e
que aos poucos, entre idas e vindas do destino, lutam pelo amor e pela vida. E
então, vocês se perguntam, – Mas Pah, e a
reflexão homossexual?
. Pois é, é só disso que se fala, que o livro é um
belo romance homossexual, mas e se eu dizer que esse não é o foco principal do
livro? Ele tem romance, romance heterossexual e homossexual, mas para mim, ele
é mais que isso. Vi a narrativa como a descrição da nossa juventude atual, vi
um pouco da nossa sociedade em cada personagem criado, e vi em seus medos os
medos verdadeiros de qualquer jovem. Ou seja, esperar por um livro com um
romance homossexual que quebra barreiras é um engano, contudo, almejar por um
livro com jovens aprendendo a quebrar barreiras, independente de quais sejam, é
o caminho certo para quem vai ler qualquer livro do John Green. E aqui é
importante dizer, não espere um grande e único livro, ele é bom, realmente bom,
forte em questões de reflexão, mas leve em teor emocional.
Sobre a narrativa. Vai, tenho mesmo que
falar? Jovem, atual, irônica, forte e encantadora. Para dar ênfase nas
diferenças entre os Wills a diagramação dos capítulos é diferente, de forma que
um dos Wills narra sua vida toda em minúscula, TUDO MESMO (vide imagem), o que dá ainda mais
força ao sentimento de introspecção que ele tenta passar, porém vi alguns
leitores reclamando sobre isso, então, a forma de ver tal aspecto da obra tende
a variar.
No geral, aprendi com o livro (mais uma
vez) a verdadeira força da amizade, e a importância de lutarmos, corrermos mesmo
atrás de nossos sonhos e vontades. Quando se é jovem, é fácil se deixar levar
pelo fluxo de expectativas que nos rodeiam, contudo, independente de quão
fortes elas sejam, temos que lutar contra a maré, escolhendo amar e se deixando amar,
escolhendo viver o amor em suas diversas formas.
Melhor trecho
“eu: você já chamou esse tal darcy
para sair? mãe: não. na verdade, ainda não o encontrei. eu: bem, ele não vai
aparecer até você o convidar.”
Capas pelo Mundo (+ Mais)

  

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13 Comentários

  • laura
    25 junho, 2017

    ola
    Nunca li esse livro ta na minha lista tomare que eu goste
    Nao sou muito de ler os livros do jonh green pois ele meio que mata os personagem que mais gostamos 🙁
    Amo suas resenhas
    Beijinhos

  • Rafael Oxn.
    27 agosto, 2013

    cara tudo bem que é um livro para adolescentes mas vamos combina que é muito mas muito ruim!

    li o livro todo num único domingo de tão rasa …

  • Vivian Pitança
    28 julho, 2013

    Adorei, Pah!!
    Ainda não li nenhum livro do John Green ainda, :/. Mas sou louca para ler. Eu não sabia muito sobre esse, mas depois de ver sua resenha fiquei com vontade. Adoro livros que edificam, que trazem algo para a nossa vida. Acho que sempre devemos refletir para tirar algo deles, porque tem muita coisa que fica nas entrelinhas que dá uma boa reflexão. Esse parece ser um livro desses..

    Beijos!!

    http://vivianpitanca.blogspot.com.br/

  • Ana Alves
    15 julho, 2013

    Olá Pah!
    Gosto muito das suas resenhas porque você vê os livro como eu os vejo, você encontra a mensagem por detrás da mensagem e isso que me fascina nos livros.
    Tenho curiosidade de ler esse livro, mas o deixarei para um futuro onde os leitores terão esquecido ele.
    Espero gostar e por que nota 4?
    Parabéns!
    Beijos,
    Ana.
    http://umlivroenadamais.blogspot.com.br/

    • Paola Aleksandra
      Paola Aleksandra
      16 julho, 2013

      Oi Ana, isso é uma coisa bem minha mesmo, eu sempre tento ver além do livro, procurando a mensagem que o autor quis passar. Nota 4 porque o livro segue um caminho bem comum, mesmo eu tendo adorado a história, ele não é surpreendente ao ponto de me fazer classificá-lo como um 5 estrelas. Bjs

  • CMachado
    11 julho, 2013

    Olá Pah!!
    JG escreve para adolescentes, ele sabe da responsabilidade e seus adolescentes não costumam ser chatos ou aborrecentes. rs
    Estou curiosa e vou arriscar, apesar de ter lido comentários negativos…
    Bjk

  • Karina B.
    11 julho, 2013

    Oi Pah!
    Eu nunca li um livro do John Green (acho que sou uma das únicas pessoas que ainda não leram nada dele kk).
    Acho que como a maioria das pessoas, fiquei curiosa com esse livro. Quero muito ler para ver se eu vou gostar ou não. E eu achei essa capa muito linda *-*

    Adorei a resenha.
    Beijos!

    • CMachado
      11 julho, 2013

      Karina B.
      Achei que JG fez um excelente trabalho em "Quem é vc Alasca" e
      ACdE…

      Espero que vc não se incomode de eu te responder…
      Abç

  • Lucas Kammer Orsi
    08 julho, 2013

    Olha Pah, é a primeira vez que deixo o comentário no blog. Gostei bastante da resenha, achei que passou bastante que o livro é. Vi que Will & Will mostra vários pontos positivos que fizeram eu querer ler o livro. Achei legal o autor não focar apenas no romance homossexual, e dar preferência a outras questões. Cada vez que leio a resenha positiva de um livro do John Green, fico com mais vontade de ler os livros dele. Acredite ou não, não li nenhum ainda :/

    Beijos
    Lucas
    ondeviveafantasia.blogspot.com.br

  • Amanda T.
    08 julho, 2013

    Ai Pah, to louca pra ler o livro. Me encantei pela escrita de Green com ACEDE e O Teorema Katherine, tenho uma pequena meta de ler esse e Quem é voce, Alasca? até o fim do ano pra poder ter todos os livros dele lidos. Os lançados aqui pelo menos. Voce viu que a editora mandou um exemplar pro deputado Feliciano? Eu achei simplesmente incrivel. Com direito a dedicatoria e tudo!

    Beijokas
    escolhasliterarias.blogspot.com.br

    • Paola Aleksandra
      Paola Aleksandra
      11 julho, 2013

      Sério isso Amanda? Eu não sabia! Ótima iniciativa da editora, esse livro é um manifesto ao amor ao próximo, e o Feliciano está mesmo precisando aprender o que é isso! Beijos

  • Mirelle Candeloro
    05 julho, 2013

    Estava esperando ler uma boa resenha sobre o livro e como sempre você não me decepcionou. Assim como você, crio grandes expectativas sobre as obras que levam o nome do John no meio porque já parto do pressuposto de serem ótimas e únicas. Portanto, eu sei que eu tenho que ler esse livro!! E urgente.. hehe Espero gostar também! Beijos, Mi

    http://www.recantodami.com

  • ✿Nessa✿
    04 julho, 2013

    Oi Pah!

    Menina, este livro parece ser muito bom e com uma bela mensagem, adoro livros como este que nos fazem ver diversas realidades e pensar na vida.
    Olha até gosto da nossa capa, mas gostei mais desta segunda que vc colocou ali, a primeira das três.

    Beijinhos*