março 12, 2018

[Resenha] Como se Casar com um Marquês – Julia Quinn

Elizabeth Hotchkiss precisa se casar com um homem rico, e bem rápido. Com três irmãos mais novos para sustentar, ela sabe que não lhe resta outra alternativa. Então, quando encontra o livro Como se casar com um marquês na biblioteca de lady Danbury, para quem trabalha como dama de companhia, ela não pensa duas vezes: coloca o exemplar na bolsa e leva para casa. Incentivada por uma das irmãs, Elizabeth decide encontrar um homem qualquer para praticar as técnicas ensinadas no pequeno manual. É quando surge James Siddons, marquês de Riverdale e sobrinho de lady Danbury, que o convocou para salvá-la de um chantagista. Para realizar a investigação, ele finge ser outra pessoa. E o primeiro nome na sua lista de suspeitos é justamente… Elizabeth Hotchkiss. Intrigado pela atraente jovem com o curioso livrinho de regras, James galantemente se oferece para ajudá-la a conseguir um marido, deixando-a praticar as técnicas com ele. Afinal, quanto mais tempo passar na companhia de Elizabeth, mais perto estará de descobrir se ela é culpada. Mas quando o treinamento se torna perfeito demais, James decide que só há uma regra que vale a pena seguir: que Elizabeth se case com seu marquês.


Romance de Época| 304
Páginas
|  Editora Arqueiro| Classificação 5/5
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Segunda vez que leio esse livro (olha a primeira e bem antiga resenha dele aqui)
e o desfecho é o mesmo: amo ainda mais a Julia Quinn e suas histórias
apaixonantes. Mesmo esperando pela diversão, pelo romance e pelo carisma dos
personagens principais, a releitura de Como
se Casas com um Marquês
me pegou de surpresa ao apresentar uma trama cheia
de ironias e reflexões. Além do esperado, também encontramos nessa leitura
preconceito, disparidade de classes e – o que mais gostei – empoderamento
feminino. E tudo isso através de um romance que contagia do começo ao fim.

A trama gira em torno da jovem Elizabeth. Há cinco anos,
desde a morte do pai, ela cuida completamente sozinha das despesas da casa e
dos três irmãos mais novos. Sem herança e com uma renda parca (por causa do seu
trabalho como acompanhante), Elizabeth decidiu que precisa se casar o mais
rápido possível e, obviamente, com um homem rico. E é ai que sua vida vira uma
confusão: a jovem encontra um pequeno livro intitulado Como se casar com um
Marquês na biblioteca da sua empregadora, começa a entrar em parafuso com as
regras absurdas do exemplar e, para o seu desespero, acaba envolvida com um
homem que é inteligente, divertido, apaixonante, mas não tem dinheiro algum.
Elizabeth pensa no futuro dos irmãos, enquanto seu coração diz para ela jogar
tudo para o alto e abandonar o plano de se casar por dinheiro. Mas o que a moça
nem imagina é que no fundo o senhor James, administrador da propriedade que faz
seu coração palpitar, nada mais é do que um marquês disfarçado. Será que esses
dois vão criar uma baita confusão?

Uma das coisas que mais gostei no livro é que ele apresenta
uma realidade cruel do começo do século XIX: sem opções válidas de trabalho (ou
seja, sem remuneração capaz de sustentar casa e crianças, como no caso de
Elizabeth, por exemplo), na maioria das vezes cabia às mulheres as opções de
casar ou passar fome. Claro que a Julia Quinn não aborda tal tema com
propriedade histórica, mas os pequenos pontos de reflexão estão ali, clamando
por nossa atenção: o preconceito entre as classes, a disparidade social, o
abuso constante de poder, e as mulheres que são vistas sempre como um corpo e
não uma pessoa. Gostei muito de Elizabeth. Apesar de me irritar com sua
teimosia em alguns momentos, adorei como a personagem luta pelo bem estar de sua
família, como usa e abusa de sua língua afiada, e como mantem a vontade de
aprender mais e construir um futuro diferente – longe imposições sociais. Ela
luta, a sua maneira e diante das convenções da época, pelo que acredita e ama. E
de certa forma representa todas nós, mulheres que ousam correr atrás dos seus sonhos.

Outra coisa legal é que a trama foge do que normalmente
encontramos nos livros do gênero: ao invés dos salões londrinos, estamos no
interior e em uma casa de campo. Isso traz para a história uma rotina de
trabalho com cavalos, chás da tarde em meio à natureza, convidados que vem e
vão, e uma região que abriga vários nobres falidos. Um bônus também é a
presença de Lady Danbury, personagem que encontramos em praticamente todos os
livros da Julia Quinn. Mas dessa vez a senhora, determinada e destemida com sua
bengala, não só participa como rouba a cena durante todo o livro. James, nosso
marquês, é sobrinho da lady e Elizabeth trabalha para ela. Assim, Lady Danbury
é um ponto importante na relação que esses dois constroem – e uma personagem
que garante várias risadas.

O romance é fofo e contagiante, apesar de bem previsível.
Foi uma leitura que me prendeu do começo ao fim, que me fez dar altar
gargalhadas, e que me deixou com um sorriso bobo no rosto. Além disso, me
surpreendi com a releitura e como ela trouxe várias cenas novas. Li a obra pela
primeira vez em romance de banca e, infelizmente, percebi que a edição antiga
cortou várias cenas e capítulos importantes. O lado bom é que pude amar ainda
mais a leitura e o livro. Sério, acho que ele entra para um dos meus livros
favoritos escritos pela Julia!

Se você não leu nada da autora, recomendo começar por esse e
por seu parceiro: Como agarrar uma Herdeira. Tenho certeza que vão se
surpreender.

• Sobre a Série •


Como se casar com um Marquês
é o segundo volume da duologia Agentes da Coroa.
A saga é composta por dois livros e cada um narra à história de um casal
diferente. Contudo, os protagonistas masculinos são grandes amigos – ambos
trabalham para a Coroa – e suas jornadas estão interligadas.

Beijos

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4 Comentários

  • Marina Iris da Silva
    31 março, 2018

    Ótima recomendação de leitura. O livro é incrível e tem romance que é de apaixonar. Os personagens são bem marcantes e sensacionais. Amei a leitura e vou ler de novo depois.

  • jady santos
    14 março, 2018

    Que resenha maravilhosa.
    Eu já vi alguns videos no youtube falando deste livro e já tinha me apaixonado, mas agora lendo a resenha quero muito ler. Pretendo ler os dois ainda este mês, parece ser livros com historias bem empolgantes e divertidas, mas ao mesmo tempo reflexivas sobre a sociedade e a vida na época em que vivem. Já amei sem se quer ler. rsrsrs

  • Carolina Picasso
    13 março, 2018

    Oi, Paola!
    Vim dizer que essa é a primeira resenha sua que li (apesar de ter visto vários de seus vídeos no youtube e te conhecer mais por lá) e gostei muito do seu trabalho! Que bom que gostou tanto dessa releitura.
    Conheço a escrita da Julia por meio dos dois primeiros volumes da saga dos Bridgerton e gosto muito do estilo dela! Saber de todo o empoderamento da Elizabeth me deixou com muita vontade de conferir esse livro.
    Beijos,
    http://ofantasmaliterario.blogspot.com.br

    • Paola Aleksandra
      13 março, 2018

      Oi, Carol! Obrigada por passar por aqui, fico muito feliz ♥
      E eu sou suspeita, amo tudo que a Julia escreve!

      Beijos